SÃO PAULO (fervendo) – No ano passado, no GP da Itália, Max Verstappen bateu o recorde histórico de dez vitórias consecutivas na F-1. Domingo, no mesmo circuito, o holandês terminou a corrida em sexto, 38s atrás do vencedor, Charles Leclerc. Se as coisas andavam meio claudicantes na Red Bull, com o time relutando em assumir […]
Publicado em 03/09/2024 às 19:34
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Verstappen & Pérez: força-tarefa para salvar o ano
SÃO PAULO(fervendo) – No ano passado, no GP da Itália, Max Verstappen bateu o recorde histórico de dez vitórias consecutivas na F-1. Domingo, no mesmo circuito, o holandês terminou a corrida em sexto, 38s atrás do vencedor, Charles Leclerc. Se as coisas andavam meio claudicantes na Red Bull, com o time relutando em assumir que despencou numa ladeira sem freio, o fracasso retumbante de Monza fez o caldo entornar de vez. E a equipe está sangrando em público.
Depois da corrida, Max rasgou o verbo. Disse internamente tudo que precisava sobre o carro que, segundo ele mesmo, já apresentava algumas inconsistências antes mesmo de começar a temporada. O time, no entanto, se apoiava nos dados apurados em túnel de vento e simuladores para assegurar que o RB20 era bom, tão bom quanto o modelo que, em 2023, ganhou 21 das 22 corridas disputadas. Verstappen foi muito direto: os números estavam todos errados.
“A gente tem os dados do túnel de vento e do CFD [os estudos feitos por computador]. Mas não é raro que algumas coisas não funcionem no carro de verdade, e essas ferramentas de simulação não batem com aquilo que acontece na pista. Temos três conjuntos de dados: de túnel de vento, CFD e pista. E é óbvio que o que conta é o que a gente vê na pista”, falou. “Então, temos de focar naquilo que dá um retorno mais valioso, que são os dados de pista.”
É um recado claro: Max acha que a equipe se apoiou muito naquilo que seus engenheiros pensam e não deu ouvidos às impressões fornecidas pelos pilotos nos primeiros testes. Sergio Pérez disse algo parecido em Monza: “O que eu vinha sofrendo antes agora parece que está afetando o Max, também…”. E terminou a frase com reticências, mesmo. Como se dissesse: “Eu bem que avisei”. Nesta altura do campeonato, a percepção da maioria na F-1 é a mesma: se Verstappen ganhou sete das dez primeiras etapas do campeonato, foi muito mais por causa dele do que do carro que tinha nas mãos. Só que as outras equipes melhoraram. E a Red Bull, não.
As críticas abertas levaram o chefe Christian Horner a admitir que há problemas na estrutura de Milton Keynes. Não por outra razão a Red Bull está construindo um novo túnel de vento. O chefe do time já se referiu ao atual equipamento como uma “relíquia da Guerra Fria”. Para piorar, por conta do sucesso na temporada anterior a equipe tem menos tempo de túnel de vento que as demais — um handicap criado pela F-1 há alguns anos para equilibrar as forças, dando aos times mais fracos um tempo maior de desenvolvimento para melhorarem seus carros.
Helmut Marko, guru da Red Bull, garantiu que os pontos fracos do RB20 já foram identificados. Muito a partir do desabafo/esporro de Verstappen diante do estafe técnico em Monza. “Desse jeito, não ganharemos nenhuma corrida até o fim do ano, e pensar em título não é algo realista”, decretou. Segundo Marko, decisões já foram tomadas no sentido de atacar as deficiências agora muito evidentes no carro, apontadas sem papas na língua pelos que pilotam — falta de equilíbrio acintosa, dianteira que não “conversa” com a traseira, janela de funcionamento de pneus muito estreita, um carro, nas palavras de Verstappen, “inguiável”.
“Já temos um caminho a seguir”, continuou Marko, oficialmente consultor da Red Bull. “Vamos tirar o que temos de pior, as coisas que não funcionam, e seremos competitivos de novo.” Sejam o que forem essas coisas que não funcionam, os GPs do Azerbaijão e de Singapura serão tratados como sessões de testes de luxo para Verstappen, Pérez e seus engenheiros. É possível que a equipe sacrifique essas etapas para experimentar tudo que for possível no RB20 em circuitos bem distintos entre si. A partir de Austin, o time dos energéticos promete voltar à velha forma para as seis últimas corridas da temporada.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.