SÃO PAULO (que porre) – A única notícia realmente relevante de hoje, depois dos primeiros treinos para o GP da Rússia, é essa aí em cima. A Red Bull acabou trocando mesmo o motor de Max Verstappen, e como ele extrapolou o número permitido de trocas para a temporada terá de largar no fundo do […]
Publicado em 24/09/2021 às 11:37
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Verstappen: motor novo, larga no fundão
SÃO PAULO(que porre) – A única notícia realmente relevante de hoje, depois dos primeiros treinos para o GP da Rússia, é essa aí em cima. A Red Bull acabou trocando mesmo o motor de Max Verstappen, e como ele extrapolou o número permitido de trocas para a temporada terá de largar no fundo do grid.
Era esperado que isso acontecesse em Sóchi, onde o holandês teria poucas chances de vitória mesmo largando mais para a frente. O retrospecto da Mercedes na chatíssima pista russa — que nem fotos boas proporciona — aponta para uma nova vitória do time sem grandes dificuldades. Desde que esse GP começou a ser disputado, em 2014, os alemães venceram todos: em 2014, 2015, 2018 e 2019 com Lewis Hamilton, em 2016 com Nico Rosberg e em 2017 e 2020 com Valtteri Bottas.
Com a troca, Verstappen vai para a reta final do campeonato com um motor fresquinho, sem ter de se preocupar, a priori, com eventuais punições nas últimas provas do Mundial.
Bottas: P1 nas duas sessões de hoje
Bottas foi o mais rápido nos dois treinos livres desta sexta, realizados com sol e temperaturas amenas em Sóchi. É a mesma previsão da meteorologia para domingo, mas as coisas devem ser diferentes amanhã. Bem diferentes. Espera-se uma chuvarada de proporções bíblicas, que alterou até a programação do fim de semana, com corridas das categorias menores sendo previamente canceladas e transferidas para hoje à tarde.
A F-1 trabalha até com a possibilidade de não haver atividade nenhuma de pista no sábado, deixando a definição do grid para domingo de manhã. As chuvas fortes do início da semana assustaram o pessoal. Os boxes ficaram alagados.
Resultado do segundo treino: Mercedes na frente
A surpresa do dia hoje foi Pierre Gasly em terceiro, à frente de McLaren, Ferrari e Red Bull. Max ficou em sexto, mais de um segundo atrás de Bottas. Está se preparando para uma corrida trabalhosa, vindo lá de trás. Terá a companhia de outro que trocou o motor, Charles Leclerc. A Ferrari colocou em seu carro uma versão atualizada que, segundo as informações preliminares, pode render uma miséria de 8 HP a mais em relação à unidade que vinha sendo utilizada. Não vai mudar a cotação do rublo. O time italiano, na verdade, já está pensando em 2022.
Pouca coisa importante aconteceu nas duas sessões de hoje. Antonio Giovinazzi bateu. Oh! De manhã, Lando Norris também deu uma lambida no muro. Oh! O circuito montado em volta do Parque Olímpico de Sóchi, usado nas Olimpíadas de Inverno de 2014, tem generosas áreas de escape, zero relevo, curvas desinteressantes e algumas zebras em forma de salsicha para atrapalhar. Que não se espere nada de muito emocionante domingo.
Giovinazzi bateu…
…Sainz ficou em 7º…
…Gasly foi o 3º…
…e Mazepin só aparece aqui porque é o piloto da casa
Com apenas cinco pontos de vantagem sobre Hamilton na classificação, é muito provável que Verstappen saia da Rússia atrás do inglês. “Redução de danos” é o mote nos boxes da equipe rubro-taurina. Ainda que Bottas venha andando bem, num circuito onde costuma dar trabalho, as ordens na Mercedes são claras e cristalinas: Lewis chega na frente. E Valtteri não se opõe. Mesmo de saída — vai correr na Alfa Romeo em 2022 –, o pacato finlandês deu entrevistas nesta semana garantindo a fidelidade ao time que o emprega desde 2017. Não vai criar problemas. “Quero ajudar a equipe a ser campeã”, falou.
Hoje à noite, a partir das 19h, tem “Fórmula Gomes” no meu canal no YouTube para falar das coisas da Rússia. Se faltar assunto, conto a história da Lada.
Red Bull em Sóchi: redução de danos
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.