SÃO PAULO (acho que já usei esse título antes, ou quase…) – Ah, as diretivas técnicas… Elas excitam a imaginação dos novos “produtores de conteúdo” das redes sociais. Os “enzos”, como diz meu amigo Sormani, que acham que o planeta Terra começou a girar na semana passada, ou um pouco antes, quando inventaram os “reels”. […]
Publicado em 30/05/2025 às 13:12
Atualizado em
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Piastri: você se lembra das minhas asas?
SÃO PAULO (acho que já usei esse título antes, ou quase…) – Ah, as diretivas técnicas… Elas excitam a imaginação dos novos “produtores de conteúdo” das redes sociais. Os “enzos”, como diz meu amigo Sormani, que acham que o planeta Terra começou a girar na semana passada, ou um pouco antes, quando inventaram os “reels”. E que descobriram que há fontes (perfis, como dizem, ou “arrobas”) oficiais e/ou de jornalistas profissionais de onde tirar informações. E que se acham grandes repórteres capazes de dar furos de reportagem pelo simples fato de conseguirem colocar alguns textos em inglês no tradutor do Google antes dos outros e, oh!, conseguirem postar no “insta” também antes dos outros.
Minha paciência com esse oceano de merda está definitivamente chegando ao fim.
A mudança nas asas dianteiras, aplicada a partir de hoje em Barcelona, estava prevista desde o início do ano. Por isso, todas as equipes estavam preparadas. Algumas até já usavam suas asas um pouco mais rígidas e a gente nem estava sabendo – veja o quadrinho de atualizações para o GP da Espanha aí embaixo: zero para a McLaren, nenhuma peça nova, ela que vinha sendo acusada de usar asas dianteiras feitas de lâminas de fórmica.
Os melhores no TL2 e as atualizações: não mudou nada
Resumindo a história, para quem não está por dentro dos paranauês. Antes mesmo da pré-temporada, tinha gente achando que algumas asas dianteiras estavam flexionando um pouco além da conta nas retas, reduzindo o arrasto aerodinâmico. Eram desconfianças trazidas ainda de 2024. A FIA mede essa aeroelasticidade (nem sei se essa palavra existe) submetendo as peças a uma determinada carga vertical, e elas não podiam flexionar mais do que 15mm. Agora, o limite é de 10mm.
A gente sabe que a F-1 “é sobre” milésimos de segundo, mas uma asinha que flexiona meio centímetro menos do que antes não faz diferença nenhuma. E quem diz isso não sou eu, mas os pilotos, a maioria dos engenheiros e, no caso dos treinos livres de hoje em Barcelona, o cronômetro.
As atividades que abriram a nona etapa do Mundial aconteceram com muito sol e calor (coisa de 30°C, com o asfalto fervendo a 50°C) na Catalunha. Pela manhã, começo da tarde em Barcelona, Lando Norris foi o mais rápido, 0s3 melhor que Max Verstappen. O resto foi tudo normal, inclusive com os novatos Ryo Hirakawa (Haas) e Victor Martins (o da Williams, não o do Grande Prêmio) andando lá atrás, sem inventar muito.
A Mercedes, das equipes de ponta, optou por guardar seus pneus macios e andou só de médios e duros. Ficou atrás, também. Em Barcelona, a questão pneumática é forte. A pista come borracha. Tanto que a Pirelli levou para essa corrida, a última da primeira fase europeia da temporada, a faixa mais dura disponível, os modelos C1, C2 e C3. O C1 é o mais duro de todos, feito com uma borracha de textura semelhante à do concreto armado.
Resultados da galera: tudo na normalidade
No segundo treino, como de hábito num fim de semana convencional de GP — sem chuva, Sprint, bandeiras vermelhas ou desfile de Lego –, a primeira metade do trabalho foi dedicada às condições de classificação, importantes em Barcelona. Afinal, das 34 corridas disputadas nessa pista desde 1991, 24 foram vencidas pelo pole-position – mais de 70%. A segunda metade, para a maioria, serviu como preparação para a corrida, com séries mais longas de voltas e uso dos pneus mais resistentes.
O mais rápido da segunda sessão acabou sendo o outro piloto da McLaren, Oscar Piastri, com 1min12s760. George Russell foi o segundo, depois que a Mercedes calçou pneus macios em seu carro. Ficou 0s286 atrás do australiano que lidera o Mundial. Verstappen foi o terceiro, a 0s310. Norris, o quarto — com o mesmo tempo que o holandês. E a Ferrari, com Charles Leclerc, fechou a turminha dos cinco primeiros.
Não houve grandes surpresas na sexta-feira. Nem Lewis Hamilton em 11º a 0s773 do ponteiro? Bem, Lewis não vem tendo um ano dos mais auspiciosos. A Williams só em 14º e 15º com Carlos Sainz e Alexander Albon, então? Já se sabia que nessa pista a equipe não iria fazer grande coisa. Gabriel Bortoleto em 17º, diz aí? É mais ou menos onde tem andado. E só vai ter o pacote de atualizações da Sauber à disposição amanhã. Seu companheiro Nico Hülkenberg gostou das novidades, disse que o carro ficou mais equilibrado. Franco Colapinto em último de novo, hermano? Esse precisa começar a se coçar.
Amanhã tem mais um treino livre às 7h30. Às 11h sai o grid de largada. Antes de tudo isso, às 19h, estarei no meu canal do YouTube para falar de tudo isso.
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.