ITACARÉ (dois contra um) – Max Verstappen fez uma pole importante, hoje em Austin. Basta lembrar que essa pista, na era híbrida da F-1, só havia visto poles mercêdicas — seis seguidas, desde 2014. Esse retrospecto fez com que nos últimos dias muita gente atribuísse a Hamilton um certo favoritismo para o GP dos EUA. […]
Publicado em 23/10/2021 às 21:58
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Max P1, Checo P3: o alvo é Hamilton
ITACARÉ (dois contra um) – Max Verstappen fez uma pole importante, hoje em Austin. Basta lembrar que essa pista, na era híbrida da F-1, só havia visto poles mercêdicas — seis seguidas, desde 2014. Esse retrospecto fez com que nos últimos dias muita gente atribuísse a Hamilton um certo favoritismo para o GP dos EUA. As atividades texanas desde ontem não confirmaram isso. A Red Bull está bem forte. E não é só a pole do holandês que diz isso. O terceiro lugar de Sergio Pérez confirma a tese com eloquência. O mexicano, que vive se arrastando bem longe do parceiro, vive seu fim de semana de melhor desempenho no ano.
Lewis Hamilton, segundo colocado no grid, estará cercado pelos dois carros rubro-taurinos na largada para a 17ª etapa do campeonato. Checo será importante no início de corrida e já foi avisado de que sua missão é tentar colocar seu carro entre os de Verstappen e Hamilton, se possível na freada para a primeira curva, no alto da pirambeira que abre as voltas no belo circuito americano. Valtteri Bottas, que poderia acorrer em auxílio ao vice-líder do Mundial, não poderá fazer muito. Ficou com o quarto tempo na classificação, mas larga em nono porque perdeu cinco posições após a troca de componentes de seu motor.
Hamilton, segundo no grid: cercado de Red Bulls
O autódromo esteve cheio hoje, um sábado de sol e calor em Austin. As temperaturas oscilaram na casa dos 30°C e no finalzinho da classificação algumas gotas se insinuaram sobre as viseiras de quem ainda estava na pista, mas sem atrapalhar ninguém de verdade.
O Q1 apresentou algumas surpresas, como Charles Leclerc em primeiro com a Ferrari e Daniel Ricciardo em quarto com a McLaren. Hamilton ficou apenas em oitavo, 0s426 atrás do monegasco, enquanto Verstappen fechava a primeira parte da sessão em segundo, 0s199 atrás de Charlinho. Sem forçar muito. Stroll, Latifi, Raikkonen, Schumacher e Mazepin foram os eliminados — na rabeira, nada de muito novo.
Mercedes e Red Bull, como se imaginava, optaram pelos pneus médios no Q2, para com eles largarem amanhã. Max fez o melhor tempo, deixando Lewis em segundo a 0s333, uma diferença considerável. Ocon, Vettel, Giovinazzi, Alonso e Russell ficaram pelo caminho. O espanhol da Alpine tentou ajudar o companheiro com um vácuo camarada, mas não adiantou muito. Fernandinho largaria no fundo do pelotão, de qualquer forma, porque também trocou de motor. As duplas de Mercedes, Red Bull, McLaren, Ferrari e AlphaTauri passaram ao Q3.
A reação de Hamilton no Q2 deixou todo mundo animado, já que até ali Verstappen parecia ter a pole garantida. Mas o inglês não começou bem o Q3 e a primeira bateria de voltas rápidas terminou com Pérez, Max, Bottas e Lewis nas quatro primeiras posições. Os milhares de mexicanos no autódromo foram ao delírio com Checo.
A segunda volta rápida de Hamilton, porém, foi das boas: 1min33s199, jogando o britânico para a ponta da tabela. Mas Verstappen ainda tinha uma sobrinha. Cravou 1min32s910, baixando o tempo do rival em 0s209. Pérez acabou caindo para terceiro — foi o único que atribuiu a má volta aos breves pingos da chuva que se aproximava do circuito.
Bottas, Leclerc, Sainz, Ricciardo, Norris, gasly e Tsunoda vieram na sequência, mas como quatro pilotos sofrerão punições por troca de motor, o grid de verdade está do lado direito aí embaixo. Os tempos, na tabela à esquerda.
Os tempos de hoje em Austin…
…e o grid com as punições…
…para as quais Verstappen não está nem aí, claro
Foi a 12ª pole da carreira de Verstappen, nona neste ano. Acho que ele ganha de novo amanhã. Mas acho também que Hamilton pode dar algum trabalho. Acho que é uma corrida que vai se decidir nas primeiras voltas. Acho que Pérez não vai conseguir fazer grande coisa. Acho que Bottas vai lutar pelo pódio. Acho que muita gente pode ter problema com os pneus. Acho um monte de coisa, inclusive que está na hora de dormir!
Flavio Gomes
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.