SÃO PAULO (absoluto) – Uma vitória e uma pole foram o saldo do sábado para Max Verstappen hoje na cinzenta Xangai. O holandês venceu a Sprint na abertura dos trabalhos do dia, foi almoçar e, algumas horas depois, cravou a pole-position para o GP da China, quinta etapa do Mundial de F-1. Foi a 37ª […]
Publicado em 20/04/2024 às 05:38
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Max desfila por Xangai: seis poles seguidas, quinta no ano
SÃO PAULO(absoluto) – Uma vitória e uma pole foram o saldo do sábado para Max Verstappen hoje na cinzenta Xangai. O holandês venceu a Sprint na abertura dos trabalhos do dia, foi almoçar e, algumas horas depois, cravou a pole-position para o GP da China, quinta etapa do Mundial de F-1. Foi a 37ª pole de sua carreira, quinta no ano, sexta seguida. Terá ao seu lado na primeira fila um sereno e, neste ano, eficiente Sergio Pérez. A Red Bull ainda comemorou a 100ª pole de sua história. O terceiro no grid é Fernando Alonso, o interminável, com a Aston Martin.
Não houve nenhuma gigantesca surpresa nas primeiras posições, com exceção de Alonso. A vitória arrebatadora de Verstappen na Sprint já fazia dele um claro favorito à pole, deixando as migalhas para o resto. E ele começou a confirmar tal condição fechando o Q1 com o melhor tempo, 1min34s742, seguido de Leclerc. O vexame da primeira parte da classificação ficou por conta de Hamilton. Horas antes, tinha sido o segundo colocado na corrida curta. Acabou eliminado ao cometer um erro primário em sua última tentativa e ficou em 18º. Uma vergonha absoluta, daquelas de sair do autódromo sem dar entrevista. Mas ele deu, e disse que a Mercedes fez mudanças drásticas no acerto de seu carro, nem estava tão ruim, mas o erro na freada na penúltima curva estragou sua volta, seu sábado, seu jantar e o café da manhã de amanhã.
Hamilton: patética 18ª colocação
Zhou, frustrando a torcida chinesa, abriu a lista dos degolados, que teve ainda Magnussen antes de Lewis e Tsunoda e Sargeant nas duas últimas posições. Aqui, alguns lembretes: na Vai Querer Sua Via?, Ricciardo, que vinha tomando tempo de Tsunoda, avançou ao Q2 com um chassi novo que o time colocou a sua disposição. Pode ser – vejam bem: pode ser – que seu carro original tivesse algum probleminha de construção. O japonês, por seu turno, reclamou muito. “Não é possível ficar em 19º, tem alguma coisa errada com o carro! A volta foi boa!”, indignou-se pelo rádio. E o americano da Williams rodou sozinho de novo. Nada mais justifica sua presença na F-1.
O Q2 começou com Verstappen voando outra vez, cravando 1min33s946 logo em sua primeira volta voadora. Logo depois, a pouco menos de 7min do final, Sainz rodou e bateu na entrada da reta dos boxes. Foi o primeiro erro sério do espanhol no ano. A bandeira vermelha foi acionada, interrompendo a sessão. Sainz conseguiu fazer o carro funcionar e com a frente toda estropiada voltou aos boxes para tentar prosseguir na classificação.
Sainz roda, bate e quebra o bico: conseguiu voltar
Foram necessários alguns minutos para varrer a pista e tirar a brita espalhada pelo asfalto. Deu tempo para a Ferrari arrumar o bico de Sainz, que foi à luta. A tarefa dele e de todos, de chegar perto de Verstappen, era cruel. Max fez 1min33s794 na sua segunda volta, deixando o segundo colocado naquele momento, Lando Norris, a 0s666 de distância. O número da besta. Pérez, Sainz e Leclerc, nos segundos finais, também superaram o menino maluquinho da McLaren. Ficaram na cancela da eliminação Stroll, Ricciardo, Ocon, Albon e Gasly. Hülkenberg e Bottas foram as boas surpresas que seguiram para o Q3.
Na fase derradeira da classificação, 1min33s977 foi o tempo de Verstappen na sua primeira volta – não muito espetacular. A pista parecia um pouco mais lenta. Alonso fechou a primeira bateria de voltas em segundo, com Pérez em terceiro. A Ferrari foi mal, com Sainz em sexto e Leclerc em sétimo. A folga de Max era considerável, embora tivesse feito uma volta melhor no Q2: 0s394 em cima do espanhol da Aston Martin.
O grid em Xangai: destaque para Alonso em terceiro
E quem tinha mesmo a obrigação de melhorar na segunda saída era a dupla ferrarista. O que aconteceu no cronômetro, mas não nas posições. Quem estava à frente dos carros vermelhos também andou melhor. Max fez sua última volta em 1min33s660. A equipe festejou mais do que o normal, pela marca centenária e, mais ainda, porque no apagar das luzes Pérez conseguiu o segundo lugar, a 0s322 do companheiro. Alonso, Norris, Piastri, Leclerc, Sainz, Russell, Hülkenberg e Bottas fecharam as dez primeiras posições.
Xangai verá um novo passeio do holandês amanhã. Atrás dele a corrida deve ser boa. A largada para as 56 voltas do GP da China está marcada para as 4h de Brasília.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.