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Arábia Maldita, 2
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Arábia Maldita, 2

Na segunda etapa do ano, F1 vê Mercedes já partindo para o tudo ou nada e uma classificação que permite pensar em luta de 4 pilotos pela vitória

Victor Martins

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A Mercedes começou os treinos livres na Arábia Saudita em um ritmo muito próximo ao que apresentara dias antes no Bahrein, com a pinta de que seria a terceira força. No sábado pela manhã, já havia alguma dúvida se passaria para o Q3, já que havia ficado atrás dos carros empurrados por Ferrari e Red Bull/Honda. Fez-se a reunião ali nos boxes. E já no segundo treino classificatório da temporada da graça de 2022, a equipe já foi para o tudo ou nada: partiu para um acerto arriscadíssimo no carro de Lewis Hamilton.

O resultado é este que vimos com assombro: a pior performance do heptacampeão da Fórmula 1 em quase 13 anos. O 16 lugar poderia ter sido ainda pior se Yuki Tsunoda tivesse participado da sessão sem a falha hidráulica em sua AlphaTauri. Mas o acerto é tão horrível que a Mercedes vai mexer nesta pemba e preferir largar dos boxes.

Hamilton não está apenas incomodado com o carro ainda mal ajustado que tem. Deu para ver nas entrevistas que o inglês não vê a hora de se pirulitar da Arábia. Lewis e outros quatro pilotos, segundo La Gazzetta dello Sport, não queriam correr neste fim de semana: Fernando Alonso, George Russell, Pierre Gasly e Lance Stroll. Estou realmente no aguardo das palavras de Hamilton fora daquele país. Entender o que ele falou e passou aos demais. Ter uma posição firme de que foi feito de refém, como os demais, para satisfazer a Fórmula 1 e o governo saudita. Não pisar mais lá.

Mas é bom não ter expectativa sobre o que ele vai dizer para não me decepcionar.

A classificação viu também dois acidentes, de Nicholas Latifi e Mick Schumacher. Pelo retrospecto de ambos, esperado. O canadense da Williams nada sofreu; o alemão da Haas assustou pela intensidade do impacto. O filho de Michael não corre neste domingo por precaução e porque a equipe não tem como arrumar aquele chassi a tempo. Mas o ponto é, novamente: quem diabos permitiu que a Fórmula 1 corresse nesta desgraçada pista de Jedá? O rapidíssimo circuito é envolto de muros. Não há um soft wall ou um safer-barrier que absorva o impacto. Schumacher não ter saído com uma lesão ou mesmo concussão é, além do atestado de segurança dos atuais carros, puramente sorte.

Eu sei o que a Fórmula 1 faz na Arábia Saudita, mas reforço a questão: pra que está lá em termos esportivos?

Sergio Pérez levou 213 provas e alguns contos de réis mexicanos para conseguir sua primeira pole na F1. Esperava? Nunca. Jamais. Quando Carlos Sainz começou a engatar uma sequência de melhores tempos em Q1 e Q2, parecia que ninguém lhe tiraria a primeira colocação. Também nos enganou: o espanhol fez como no Bahrein, em que chegou a despontar como o favorito, e no fim terminou em terceiro, novamente atrás de Charles Leclerc. O monegasco, aliás, liderou os três TLs e ficou a posição de honra.

Então, em quarto, Max Verstappen. Também reclamou que o carro não estava fácil de guiar. Mas a configuração do grid permite apontar que os quatro primeiros têm chance de vitória neste domingo, o que, ao menos, é um alento de emoção para um fim de semana que nem deveria estar em curso.

Curioso será, pois, ver Pérez largando na frente e contornando a primeira curva nesta condição. Porque nunca lhe aconteceu isso na vida, de modo que nem tendo a experiência que tem será capaz de garantir suas ações. Leclerc e Sainz têm carros bem competitivos, e desta vez o espanhol tende a acompanhar os demais. E Verstappen vai ficar ali enchouriçando. Lembre-se que o motor da Red Bull está com maior velocidade final que o da Ferrari. Com asa aberta, no retão principal, pode dar jogo.

Esteban Ocon lidera o pelotão do resto e começa a temporada 2022 mais adaptado a este carro da Alpine que Alonso, que sai em sétimo. George Russell ocupa o lugar que seria dele, de fato, o sexto, mas não seria estranho ter ficado mais atrás. Parece que Valtteri Bottas e, sobretudo, Kevin Magnussen tinham condições de fazer voltas melhores que as dele. O dinamarquês reclamou novamente de dores fortes no pescoço e já tem dúvidas de como será sua performance na corrida se voltar a incomodar como neste sábado.

O GP da Arábia se desenha com o temor das batidas. Um acidente qualquer vai provocar pelo menos a entrada do safety-car. Se houver destroços ou necessidade maior de atendimento, é bandeira vermelha. Esportivamente falando, as equipes vão ter de ficar bastante atentas a tais condições para jogar com o regulamento debaixo do braço: com paralisação, dá para mexer no carro à vontade, de modo que retardar a parada nos boxes é o melhor dos cenários.

Ainda que o top-4 tenha chances, me parece que as menores são justamente do pole, Pérez. Só de ver que Checo celebrou a volta como se nunca conseguisse outra igual, dá para ver que foi uma exceção. Sergio não costuma ter ritmo de corrida forte. Assim, os outros três, que são mais fortes e mais rápidos, reúnem condições interessantemente parecidas. Apostaria novamente em Leclerc. Mas nem de longe gastaria todo meu dinheiro nisso.

Por fim: ainda que não preste além da sua existência como evento esportivo, estou gostando da Fórmula 1 2022.


Não entendi por que Pérez não recebeu de Gordon Ramsey um kibe ou uma bomba…

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