As 6 Horas de São Paulo aconteceram neste último domingo (12) e marcaram a quarta rodada da temporada 2026 do Mundial de Endurance (WEC). Em Interlagos, quem levou a melhor foi o BMW #15, de Kevin Magnussen, Raffaele Marciello e Dries Vanthoor, que venceram pela primeira vez no campeonato. A Ferrari #51, de Antonio Giovinazzi, James Calado e Alessandro Pier Guidi, fechou a etapa em segundo, à frente do Cadillac #12, de Will Stevens e Norman Nato.

A BMW, portanto, se firmou como uma das grandes forças do WEC depois de Interlagos, enquanto a Toyota entrou em estado de alerta. A Ferrari ganhou uma sobrevida, mas a Cadillac deixou o Brasil com o gosto de que poderia ter ido além. No entanto, não apenas de hipercarros vive o Mundial de Endurance.

Confira como foi a largada das 6H de São Paulo (Vídeo: Grande Prêmio)

Na LMGT3, o Corvette #34 ficou com a vitória com Salih Yoluç, Charlie Eastwood e Peter Dempsey, enquanto o BMW #69 ficou em segundo, com Anthony McIntosh, Parker Thompson e Daniel Harper. O Porsche #92 subiu ao pódio mais uma vez e fechou o top-3 em Interlagos com Riccardo Pera, Yasser Shahin e Richard Lietz.

GRANDE PRÊMIO separou os principais aprendizados do domingo (12):

BMW mostra que tem tudo para brigar por título do WEC 2026

A BMW voltou a vencer, agora com o #15, que havia feito a pole-position nas 24 Horas de Le Mans. Em Spa, foi o #20 que venceu, puxando uma dobradinha da marca alemã. São muitos resultados expressivos e uma consistência invejável nas últimas rodadas que evidencia o acerto da equipe nas atualizações do M Hybrid V8, que sequer havia vencido antes desta temporada.

Com René Rast e Robin Frijns empatados com o Toyota #7 em pontos depois de quatro rodadas, já é possível dizer que a briga pelo título do Mundial de Pilotos está aberta. Entre os Construtores, apenas 5 pontos separam a marca japonesa, que ainda lidera, da BMW, que tem o melhor momento. Por isso, é até possível colocar o time operado pela WRT como favorito a essa altura do campeonato.

BMW voltou a vencer no WEC, desta vez com o #15 (Foto: Andrea Lorenzina / DPPI)

8 ou 80: Toyota busca respostas após mais uma etapa desastrosa

Tal qual foi a prova em Spa, as 6 Horas de São Paulo foram desastrosas para a Toyota. A equipe que desbancou a Ferrari em Ímola e venceu em Le Mans com ambos os carros no pódio voltou a sofrer mais uma vez em 2026. A inconsistência do repaginado TR010 Hybrid já virou um sinal de alerta para a marca japonesa.

Mesmo liderando no Mundial de Construtores, a vantagem da Toyota despencou para 5 pontos após uma rodada zerada em Interlagos. A vitória em Le Mans faz a diferença neste momento, mas com quatro etapas ainda pela frente no calendário, sendo duas valendo mais pontos, a vida da tradicional marca não será nada fácil em 2026 como foi para a Ferrari na segunda metade do ano passado.

Ferrari ganha sobrevida, mas precisa ser consistente para sonhar

Por falar em Ferrari, a marca italiana começou o ano de forma bem discreta, mas, aos poucos, vai recuperando o terreno perdido. O caminho ainda é longo, mas o segundo lugar do #51, de Antonio Giovinazzi, Alessandro Pier Guidi e James Calado, deu novos ânimos à atual campeão do Mundial de Pilotos e Construtores do WEC.

Além disso, todos os três carros da marca ficaram no top-10 e pontuaram, com a AF Corse #83 em quinto e a Ferrari #50 em sétimo. O bom ritmo em uma pista tão desafiadora para a equipe italiana é um ótimo sinal, mas a declaração de Calado ao GRANDE PRÊMIO preocupa. Depois da prova, o britânico admitiu que não conseguiu entender de onde veio a boa performance, e isso não é o ideal quando se pretende repetir este ritmo nas próximas pistas.

Ainda assim, é um sinal de vida e uma sobrevida para uma equipe que parecia muito distante da briga pelo bicampeonato do WEC. A disputa ainda não está ao alcance, mas também não terminou ainda.

Ferrari #51 ficou no top-3 em Interlagos (Foto: Andrea Lorenzina / DPPI)

Cadillac perde maior chance do ano e precisa caprichar para virar protagonista

Desde o ano passado, quando iniciou uma parceria com a Jota, a Cadillac tem se firmado como um dos grandes destaques da classe Hipercarro do WEC. No entanto, mesmo tendo vencido as 6 Horas de São Paulo do ano passado e conquistado a pole-position com direito a dobradinha mais uma vez neste ano, ainda falta um algo a mais para que a marca norte-americana vire uma das grandes forças do endurance.

Esse algo a mais é capricho e consistência. Desde o choque do #12 com o #38 sob safety-car nos 1.812 km do Catar em 2025 até o pit-stop lento de ambos os carros na primeira janela de paradas em São Paulo no último domingo, parece que a jornada da Cadillac tem sido marcada por erros operacionais e deslizes graves. Apesar de todo o potencial que o V-Series.R tem demonstrado, ainda falta um toque de eficiência para a equipe americana.

Corvette volta a vencer e mostra ser força dominante na LMGT3

É preciso, por fim, dar um destaque à Corvette na LMGT3. Mesmo sem termos acesso aos dados do Balanço de Performance (BoP), era de se imaginar que o carro americano fosse sofrer em Interlagos depois de vencer as 24 Horas de Le Mans e entrar como líder com o trio do #33, composto por Ben Keating, Jonny Edgar e Nicky Catsburg. Com Nicolás Varrone no elenco para este fim de semana, o conjunto da TF Sport somou apenas 4 pontos, mas viu o #34 levar a vitória.

Com Charlie Eastwood, Peter Dempsey e Salih Yoluç, o Corvette #34 triunfou de forma convincente e pulou para sexto na tabela de pontos, enquanto o #33 ainda lidera. Portanto, a marca americana entra no recesso de verão do WEC muito bem posicionada e sendo a referência de uma sempre equilibrada classe LMGT3.

Após as 6 Horas de São Paulo, vencidas pelo BMW #15 de Magnussen, Marciello e Vanthoor, o WEC retorna apenas no dia 6 de setembro com a Lone Star Le Mans, no Circuito das Américas, em Austin, nos Estados Unidos.

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