A etapa de Barcelona do Mundial de Endurance (WEC), disputada no último domingo (18), marcou uma virada importante na temporada. A Toyota chegou à penúltima etapa do campeonato pressionada pela BMW na disputa entre Construtores, mas respondeu com uma atuação dominante no circuito da Catalunha. A equipe japonesa colocou os dois carros nas primeiras posições e garantiu antecipadamente o título mundial, justamente na estreia — sonolenta — da pista espanhola no calendário da categoria.

O Toyota #8, de Sébastien Buemi, Brendon Hartley e Ryō Hirakawa, venceu pela terceira vez em 2026, à frente do carro #7 de Mike Conway, Kamui Kobayashi e Nyck de Vries, consolidando a dobradinha da marca. A Ferrari #50 completou o pódio, com Antonio Fuoco, Miguel Molina e Nicklas Nielsen, enquanto a Genesis, que largou da pole com o #17 de André Lotterer, Mathys Jaubert e Pipo Derani, terminou apenas em 16º lugar.

A chegada das 6 Horas de Barcelona (Vídeo: Reprodução/GPTV)

Depois das decisivas 6 Horas de Barcelona, o GRANDE PRÊMIO separou os principais aprendizados do último domingo na Espanha:

Não serve no WEC? Barcelona proporciona corrida sonolenta

Barcelona entrou no calendário do WEC no susto para substituir uma das etapas canceladas do Oriente Médio e acabou entregando muito pouco. Primeiramente, é importante lembrar que as provas sediadas no Catar e no Bahrein são tradicionalmente mais longas, de 10h e 8h de duração, respectivamente. Por limitações do circuito da Catalunha, a corrida teve de ser reduzida para 6h, o que também vai se repetir em Monza e reduz a quantidade de pontos disponíveis no fim de semana.

Porém, algo que não é esperado em Monza é uma corrida sonolenta, como aconteceu em Barcelona. Em ambas as classes, houve pouquíssimas disputas nas posições do topo, mesmo com algumas interrupções e acionamentos do safety-car. As estratégias também foram bem diretas ao ponto, sem muito espaço para as equipes do fundo do pelotão tentarem algo diferente para escalar o grid.

O resultado disso: duas das vitórias mais dominantes da história do WEC, com os vencedores da LMGT3 e dos Hipercarros combinando para liderarem 91,9% das voltas completadas.

Toyota cresce na hora certa e vence título com muito merecimento

Por outro lado, o fim de semana só reservou alegrias para a Toyota, que conquistou o Mundial de Construtores com uma rodada de antecedência ao puxar uma dobradinha e limitou a batalha entre os Pilotos, com apenas os carros de fábrica dos japoneses tendo chances matemáticas de levantar a taça nas 6 Horas de Monza, que encerra a temporada 2026. O #8, inclusive, chegou a três vitórias no ano, com Sébastien Buemi, Ryō Hirakawa e Brendon Hartley.

O domínio absoluto e o resultado obtido em Barcelona demonstram a força da equipe, em especial na segunda metade da temporada, quando Ferrari ainda tenta se encontrar no WEC e a BMW derrete depois de um início forte até as 6 Horas de São Paulo. Foi nesta janela que a equipe japonesa passou a sobrar na classe Hipercarro e mostrar que tem a melhor equipe, seja em termos de desenvolvimento do novo TR010 Hybrid, que estreou esse ano, ou no quesito de estratégias e operação de uma corrida.

Absolutamente ninguém está no nível da Toyota neste momento.

Toyota garantiu o título em Barcelona (Foto: Julien Delfosse / DPPI)

Agora é sua vez, Ferrari

O domínio da Ferrari na temporada 2025 ainda está bem fresco na memória, assim como a jornada da Toyota rumo ao topo neste ano depois de decepcionar na campanha anterior. Agora, a bola está nos pés da equipe italiana, que se encontra na exata mesma posição em que a Toyota estava há um ano: precisando responder depois de passar em branco, sem conquistar nenhum título.

Além disso, a Ferrari também vai apresentar uma evolução do próprio carro em 2027, trazendo às pistas a versão Evo da 499P em um movimento similar ao apresentado pela Toyota nesta temporada. Sabendo do potencial dos italianos e do novo carro saindo do forno, o Cavallino Rampante já se coloca bem cedo como a equipe a se ficar de olho no ano que vem.

Genesis tem diamante em mãos, mas ainda sofre com as dores do crescimento

Outra equipe que pode roubar alguns holofotes na próxima temporada é a Genesis, que conquistou brilhantemente a primeira pole-position da equipe no WEC em Barcelona, com Mathys Jaubert. A jovem promessa de apenas 21 anos de idade, inclusive, foi um grande acerto da marca, que vê no francês o futuro desta jornada no endurance.

Ainda assim, a Genesis faz questão de nos lembrar apenas 24 horas depois que ela ainda é uma mera estreante no WEC. Nas corrida, repetidos problemas e punições derrubaram o carro #17, também de Pipo Derani e André Lotterer, para fora dos pontos. No final, o trio cruzou a linha de chegada em 16º, marcando a maior queda de um pole geral no WEC desde 2017.

As dores do crescimento são notórios, mas o futuro ainda é promissor para a Genesis, que já demonstra uma evolução nítida nas pistas e conquistou uma pole antes mesmo da Aston Martin, que já está encerrando o segundo ano do programa nos Hipercarros.

Genesis #17 foi pole em Barcelona (Foto: Fabrizio Boldoni / DPPI)

7 vencedores em 7 corridas: LMGT3 cada vez mais equilibrada

Riccardo Pera, Richard Lietz e Yasser Shahin se tornaram a sétima formação diferente a vencer na temporada 2026 uma corrida na classe LMGT3 do WEC, estabelecendo um novo recorde de maior número de vencedores em uma divisão de GT na história do campeonato.

As duas últimas temporadas da LMGT3 tiveram seis vencedores diferentes, assim como aconteceu na LMGTE-Pro em 2016 e 2018-19. O Porsche #92, portanto, quebra essa marca e ainda deixa a disputa pelo título aberta, já que pulou para a vice-liderança neste fim de semana e tem 18 pontos de desvantagem para o Corvette #33, de Ben Keating, Nicky Catsburg e Jonny Edgar, que lidera.

Além dos dois carros da ponta, Corvette #34, Aston Martin #27, McLaren #10, BMW #32 e BMW #69 também venceram etapas nesta temporada. Tradicionalmente marcada pelo equilíbrio, a classe LMGT3 reforçou essa característica em 2026: após sete provas disputadas, nenhum carro repetiu uma vitória, evidenciando ainda mais esse alto nível de competitividade.

Depois da corrida em Barcelona, o WEC volta às pistas para encerrar a temporada 2026 com as 6 Horas de Monza, na Itália. A oitava e última etapa acontece entre os dias 6 e 8 de novembro. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento e transmite TL3, classificação e corrida AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.