Resumo

Mike Conway disputará neste domingo (8), nas 6 Horas de Monza, sua última corrida como piloto profissional em tempo integral. O britânico de 43 anos encerra uma trajetória marcada por duas vitórias nas 24 Horas de Le Mans, dois títulos mundiais de Pilotos e 20 triunfos no Mundial de Endurance (WEC), mas ainda tem a oportunidade de acrescentar uma última conquista ao currículo. Ao lado de Kamui Kobayashi e Nyck de Vries, precisa reverter uma desvantagem de 17 pontos para os companheiros da Toyota na decisão do campeonato.

A despedida ocorre em um circuito que guarda boas lembranças para Conway. A Toyota venceu em Monza em 2021 e 2023, com participação do britânico, e agora chega à última etapa com o Mundial de Construtores já conquistado. A única disputa restante na classe Hipercarro é entre as duas tripulações da própria fabricante.

O #8, formado por Sébastien Buemi, Brendon Hartley e Ryō Hirakawa, soma 114 pontos, contra 97 do #7. Um resultado entre os 5 primeiros garante o título ao trio líder, independentemente do desempenho dos companheiros. Para Conway, a missão exige uma corrida forte e que o carro irmão deixe pontos pelo caminho.

Conway quase abandonou automobilismo antes de encontrar caminho no endurance

O sucesso no WEC esteve longe de ser um destino inevitável. Conway construiu a carreira inicial nos monopostos, conquistando títulos na Fórmula Renault Britânica e na Fórmula 3 Britânica, além de vencer o GP de Macau. Também testou um carro de Fórmula 1 da Honda, mas nunca conseguiu uma vaga de titular na categoria.

Depois, seguiu para a Indy, onde conquistou quatro vitórias. A passagem pelo automobilismo norte-americano, entretanto, também foi marcada por um grave acidente nas 500 Milhas de Indianápolis de 2010. O britânico deixou de disputar ovais e passou a considerar outras alternativas para continuar correndo.

Conway revelou que chegou a conversar com o pai sobre a possibilidade de trabalhar fora do automobilismo quando a trajetória nos monopostos perdeu continuidade. A transição para os protótipos surgiu como uma última tentativa de encontrar um programa profissional estável.

“Eu estava contando essa história para a equipe. Acho que eles não sabiam que, em 2012, quando parei de disputar corridas de monopostos em tempo integral, pensei em abandonar as pistas e, na verdade, encerrar minha carreira como piloto. Estávamos meio que em uma encruzilhada naquele momento. Eu tentava descobrir o que fazer e cheguei a perguntar ao meu pai se ele tinha algum emprego para mim. Ele respondeu: ‘Bem, até temos, mas acho que trabalhar com limpeza e manutenção de caminhões e coisas do tipo não é exatamente o futuro que você deveria buscar agora’”, relembrou Conway.

“Decidi dar uma chance aos carros esportivos, sabe? Resolvi arriscar e torci muito para conseguirmos um acordo com alguma fabricante. O plano era fazer aquilo por apenas um ano e, depois, encerrar a carreira. Felizmente, depois de uma temporada na LMP2 com a G-Drive Racing, em 2013, tudo acabou dando certo”, recordou.

Mike Conway conquistou Le Mans novamente em 2026 (Foto: Julien Delfosse / DPPI)

O desempenho com a G-Drive abriu as portas da Toyota no ano seguinte. A parceria transformou sua carreira e o colocou entre os principais pilotos da história moderna do endurance.

Duas vitórias em Le Mans e 20 triunfos marcam trajetória com Toyota

Conway entrou no projeto da Toyota em 2014 e participou da evolução da fabricante ao longo de diferentes gerações de protótipos. Conquistou os títulos mundiais de Pilotos nas temporadas 2019/20 e 2021, além de vencer as 24 Horas de Le Mans em 2021 e 2026.

A segunda vitória na corrida francesa teve importância particular na decisão de encerrar a carreira. Segundo o britânico, a conquista reforçou a sensação de que havia alcançado os principais objetivos no automobilismo.

“Acho que conquistar novamente a vitória em Le Mans já foi uma maneira incrível de encerrar a carreira. Mas, obviamente, isso não estava nos planos. As decisões já haviam sido tomadas antes disso. Então, ter também a chance de conquistar um título tornou tudo um pouco mais especial. Vamos lutar por esse título, e a disputa promete ser bastante tensa”, comentou Conway.

O anúncio de aposentadoria ocorreu em outubro. A decisão se refere à saída das competições profissionais em tempo integral, não necessariamente à impossibilidade de futuras participações pontuais.

Mike Conway se despede das pistas neste final de semana (Foto: Julien Delfosse / DPPI)

Toyota deixa Conway e Hirakawa disputarem título sem ordens de equipe

A decisão de Monza tem uma particularidade: Kobayashi, além de pilotar o #7, é responsável pela operação esportiva da Toyota Racing. A equipe informou que não pretende utilizar ordens para favorecer uma das tripulações.

Assim, Conway poderá buscar o título em sua despedida, apesar da vantagem de 17 pontos do Toyota #8. O campeonato oferece até 26 pontos na última etapa, considerando vitória e pole-position.

A história de Hirakawa também conecta a decisão do WEC ao GP de São Paulo de Fórmula 1. O japonês revelou conversas sobre disputar a corrida em Interlagos pela Haas, mas permaneceu na Toyota, enquanto a equipe norte-americana escolheu Rafael Câmara para estrear diante da torcida brasileira.

A possibilidade de terminar a carreira com o terceiro título representa um último desafio para Conway. Mesmo que não consiga reverter a desvantagem, Monza encerrará uma trajetória que encontrou no endurance a estabilidade e as conquistas que pareciam distantes depois da passagem pelos monopostos.

Quando acontece a despedida de Conway e onde assistir?

As 6 Horas de Monza acontecem no domingo (8), com largada às 7h de Brasília e 10h de Portugal continental. O GRANDE PRÊMIO transmite a decisão ao vivo e na íntegra, com imagens pela GPTV. A corrida também terá os brasileiros Pipo Derani, nos Hipercarros, Augusto Farfus e Eduardo Barrichello, na LMGT3.

A programação completa das 6 Horas de Monza reúne horários e informações sobre a transmissão. A cobertura de notícias e resultados está disponível na seção de WEC do GRANDE PRÊMIO.