O campeonato não acabou depois das 6 Horas de Fuji, neste último fim de semana, mas está bem encaminhado para a Toyota. Ainda não quer dizer que está tudo resolvido, mas uma dobradinha no Mundial de Pilotos do WEC e uma vantagem considerável entre os Construtores coloca a marca japonesa no controle do próprio destino com apenas duas etapas restantes. No entanto, a inconsistência ainda pode deixar a tradicional equipe de endurance um pouco apreensiva para a reta final do ano.
Em pista, a Toyota brilhou no último domingo (27) e foi certeira novamente na estratégia para vencer com o #8, de Sébastien Buemi, Brendon Hartley e Ryō Hirakawa. O triunfo parece ter caído do céu de certa forma, porque a Alpine #36 dominou a corrida toda e formava uma dobradinha com o #35 atrás. Porém, na última entrada do safety-car, a equipe japonesa foi precisa no reabastecimento e conseguiu abrir uma mínima margem de 0s5 para Victor Martins na última volta.
A dramática vitória do #8 e mais um top-10 para o #7, de Nyck de Vries, Mike Conway e Kamui Kobayashi, já é uma grande notícia por si só. No entanto, a situação da Toyota só melhora ao olhar para o desempenho dos rivais no último fim de semana.
A BMW até se destacou com o #15 também acertando a estratégia na hora final e beliscando o terceiro lugar com Kevin Magnussen, Dries Vanthoor e Raffaele Marciello, mas o péssimo fim de semana do #20, que liderava o Mundial de Pilotos com René Rast e Robin Frijns, deu uma boa folga a Toyota, que pontuou com os dois carros.
A Ferrari foi ainda pior, com apenas o #51, de Antonio Giovinazzi, Alessandro Pier Guidi e James Calado, pisando no top-10 em Fuji, justamente na décima posição. O #50, por outro lado, abandonou na parte final com Miguel Molina, Nicklas Nielsen e Antonio Fuoco. Com isso, a equipe de fábrica italiana somou um único ponto no Mundial de Construtores e se afastou da disputa depois do golpe de sorte na Lone Star Le Mans.
O cenário, portanto, é extremamente favorável para a Toyota, que soma 169 pontos contra 146 da BMW. Ou seja, abriu mais 14 pontos na liderança do Mundial de Construtores. A Ferrari vem mais atrás, com 115.

Já entre os Pilotos, Hartley, Hirakawa e Buemi lideram com 89 pontos, enquanto o #7 vem atrás, com Kobayashi, De Vries e Conway somando 79 tentos. Em terceiro aparece Rast e Frijns, que zeraram em Fuji com o BMW #20 e seguem com 75 tentos, à frente de Magnussen e Marciello, do BMW #15.
Matematicamente, nenhum dos campeonatos está resolvido, mas o passo dado pela Toyota é bastante significativo justamente por se tratar da equipe que mais tem conseguido extrair o próprio potencial nesta temporada. A marca japonesa pode não ter o melhor carro em todos os fins de semana, mas sempre encontra uma maneira de surpreender e atacar os líderes por meio da estratégia — justamente o principal trunfo do time em 2026.
Por outro lado, a equipe não pode contar com a bondade do Balanço de Performance (BoP) na perna europeia final do calendário. Depois de mostrar um bom ritmo de corrida em Austin e Fuji, a chance da Toyota acabar prejudicada em Barcelona e Monza é grande. Vale lembrar que os dados do sistema de equilíbrio das classes Hipercarro e LMGT3 não estão sendo divulgados neste ano.
Porém, a realidade é uma só: a Toyota deixou a Ferrari viva depois da Lone Star Le Mans, mas fez um trabalho perfeito para afastar a rival da disputa novamente em Fuji. Não apenas isso, a marca japonesa finalmente destronou a BMW de vez no Mundial de Pilotos e abriu ainda mais a margem entre os Construtores. Não tem mais como afastar a Toyota do posto de favorita aos títulos do WEC neste momento.
Depois das 6 Horas de Fuji, o WEC retorna daqui três semanas, entre os dias 16 e 18 de outubro, para a edição inaugural das 6 Horas de Barcelona, na Espanha. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento e transmite TL3, classificação e corrida AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.