O GP do Catar conseguiu ser mais surpreendente do que se esperava, ainda que a corrida tenha sido decidida na volta 7 de 57 programadas. É que a graça da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) de obrigar todo mundo a parar duas vezes causou um salseiro nos boxes quando o safety-car foi acionado, já que quase todo o grid aproveitou para queimar um pit-stop obrigatório. Quase, porque a McLaren achou por bem manter os pilotos na pista, o que fez a vitória cair no colo de Max Verstappen.

Oscar Piastri, então pole-position, terminou em segundo, enquanto Lando Norris se viu até a última volta em quinto, apenas. No fim, acabou cruzando a linha de chegada em quarto, beneficiado por erro de Andrea Kimi Antonelli. A Red Bull, aliás, não gostou nada, e Helmut Marko resolveu soltar os cachorros em cima do jovem italiano — devidamente defendido por Toto Wolff, que não economizou nas farpas.

Mas brigas à parte entre os graúdos da F1, a felicidade maior da etapa foi de Carlos Sainz. Claro que a Williams foi sagaz em também chamá-lo aos boxes no momento do safety-car, e isso o colocou na briga direta contra os pilotos da McLaren. Um resultado e tanto para o time de Grove, que fez mais pontos que a Ferrari no Catar.

E por falar na escuderia de Maranello… 2025 definitivamente já acabou por lá. Para se ter uma ideia, Lewis Hamilton chegou à zona mista de entrevistas após a corrida sem saber quem havia vencido. Charles Leclerc também já perdeu a paciência há tempos, mas segue lavando, de alguma forma, a honra do time.

Pódio do GP do Catar (Foto: Red Bull Content Pool)

O GRANDE PRÊMIO separou cinco lições que o GP do Catar trouxe. Confira:

McLaren comete erro tão bisonho que nem ela mesma acredita

Alguém consegue explicar o que aconteceu com a McLaren no Catar? Pois nem ela mesma, sempre tão segura das decisões controversas já tomadas na temporada, foi capaz de encontrar palavras para descrever o erro crasso de ter deixado Piastri e Norris na pista no momento do safety-car causado pela batida de Nico Hülkenberg em Pierre Gasly. E não dá nem para argumentar que era uma tática arriscada, que poderia ter posto tudo a perder. Como Hannah Schmitz, estrategista-chefe da Red Bull, muito bem pontuou, era óbvio que a janela aberta pelo carro de segurança não poderia ser desperdiçada, pois todos teriam de parar obrigatoriamente duas vezes. Confiar puramente no ritmo, sendo que o grid inteiro estava unido, não foi outra coisa a não ser burrice. Sem mais.

Red Bull do ‘Velho Testamento’ não titubeia e põe Verstappen na rota do título

Estava faltando aquele brilho de Hannah na temporada. Uma das principais peças da engrenagem da Red Bull, a engenheira foi escolhida para subir ao pódio para representar a equipe ao lado de Verstappen e, depois, contou em entrevista ao canal Via Play que não teve dúvidas de que a chamada para os boxes no safety-car era a coisa certa a se fazer. Claro, novamente parece óbvia a afirmação, mas Schmitz também revelou que houve dúvidas quanto à decisão quando a Red Bull viu que a McLaren optou por manter os seus pilotos na pista. Pois esta é, definitivamente, uma característica que sobressai nos taurinos em momentos decisivos: a de não deixar oportunidades escaparem. E algo que contrapõe ao medo que a McLaren sempre parece ter. São 12 pontos, ainda é muita coisa, mas Verstappen sai de Lusail enorme para a decisão.

Largada do GP do Catar (Foto: Red Bull Content Pool)

Sainz brilha com novo pódio. Ferrari sente falta do ex?

A reação rápida ao safety-car colocou Sainz em briga direta contra a McLaren, algo que a Williams certamente não pensou que seria possível nem em seus melhores sonhos. Pois ao contrário do que era esperado para Lusail, um traçado com muitas curvas sinuosas, o FW47 foi competitivo tanto em ritmo de classificação quanto nas corridas. É importante frisar que Sainz não foi ameaçado por Norris em nenhum momento — até porque, o #4 ficou estancado atrás de Antonelli até a última volta. Foi, portanto, um terceiro lugar livre de circunstâncias, uma vez que a Williams não teve nada a ver com o erro bisonho da McLaren.

Agora, um pequeno parêntese aqui: mesmo em uma equipe de meio de pelotão, Sainz caminha para encerrar 2025 com dois pódios, enquanto Hamilton, que assumiu o posto deixado por ele na Ferrari, acumula marcas negativas na carreira, como a terceira queda seguida no Q1, considerando ritmo puro. Situações distintas, claro, mas não deixa de ser curioso…

Antonelli comete erro esquisito, mas engoliu Russell de novo

Antonelli errou ou não de propósito para dar passagem a Norris? Marko jura que sim, ainda que seja um tanto forçado imaginar que o italiano da Mercedes teria feito isso para beneficiar a cliente McLaren — afinal, não é muito bonito para a esquadra de Toto Wolff chegar atrás dos papaias, considerando essa posição de fornecedores.

Agora, independentemente se Capitu traiu Bentinho — com perdão do trocadilho literário —, o menino fechou mais um fim de semana à frente de George Russell, que estava coberto de razão ao dizer que não tinha certeza nem mesmo dos pontos. Tudo bem que a Mercedes regrediu se comparado ao início do final de semana, mas George não se viu perto de Kimi em nenhum momento da corrida.

Kimi Antonelli terminou o GP do Catar em quinto (Foto: AFP)

GP do Catar repete Mônaco e prova que pit-stop obrigatório é furada

Seja para trazer ‘emoção’ ou por questões de segurança, não importa. Mais uma vez a F1 mostrou que obrigar número de pit-stops na corrida é a pior solução possível para a competição. Tirando a maluquice da McLaren (e de Esteban Ocon, que também ficou na pista!), era óbvio que todo mundo pararia se houvesse um safety-car. E se não tivesse, todo mundo sabia também que a tática mais lógica era justamente a adotada pela McLaren, de fazer ao menos o stint inicial de 25 voltas. Não há, portanto, nada mais previsível que isso para uma corrida, e quase todo mundo reclamou do tédio que foi participar do GP do Catar. A verdade é que, das pistas que também recebem a MotoGP, Lusail parece realmente pensada para motos, não para carros. E ano que vem tem sprint de novo por lá…

Agora, a Fórmula 1 retorna entre os dias 5 e 7 de dezembro, para o encerramento da temporada 2025, com o GP de Abu Dhabi. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento que vai coroar o campeão.

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