Em um GP da Bélgica bem mais ou menos, é verdade, Andrea Kimi Antonelli não tomou conhecimento dos rivais e confirmou o favoritismo. O italiano teve de enfrentar Charles Leclerc no meio do caminho, um obstáculo inesperado, mas que também não fez tanta diferença assim, uma vez que o ritmo apresentado pelo italiano estava realmente em outro patamar.

Mas por falar no monegasco, que terminou em segundo, a Ferrari alcançou um resultado melhor do que imaginava no início do fim de semana. Mesmo com uma sequência de problemas, Lewis Hamilton foi capaz de colocar a SF-26 #44 na quarta colocação e voltou a ocupar a vice-liderança do Mundial de Pilotos. Isso porque George Russell, coitado, não passou nem da primeira volta em Spa-Francorchamps.

Um pouco mais atrás, Gabriel Bortoleto teve uma performance brilhante para voltar a pontuar com a Audi, superando os rivais da Racing Bulls e da Alpine. E, por fim, mais decisões questionáveis por parte da direção de prova, que novamente interferiu no resultado, assim como já havia acontecido no GP da Inglaterra.

Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista cinco pontos do domingo da Fórmula 1 na Bélgica.

Cada vez mais favorito

Como era esperado desde o início do fim de semana, Andrea Kimi Antonelli não teve dificuldades para vencer o GP da Bélgica deste domingo (19) e voltar a ampliar a vantagem na classificação do campeonato. É verdade que o safety-car virtual acionado entre as voltas 20 e 21 para limpeza da pista acabou ajudando Charles Leclerc, que se colocou como obstáculo no caminho do italiano. Mesmo assim, sempre esteve claro que a retomada da liderança por parte do jovem de 19 anos era apenas questão de tempo.

E se ainda existia qualquer dúvida, o #12 provou novamente que tem maturidade o suficiente para lidar com os percalços de uma briga pelo título. Com apenas 23 pontos somados nas etapas da Catalunha, Áustria e Inglaterra, Kimi não sentiu a pressão de ver George Russell e Lewis Hamilton se aproximarem na tabela, seguiu imprimindo forte ritmo em Spa-Francorchamps e, desta forma, deixou claro que apenas uma reviravolta das mais trágicas pode impedi-lo de ser campeão.

Isso porque o britânico da garagem ao lado continua tendo muitos problemas para se entender com o carro da Mercedes. Ficou muito atrás do companheiro de equipe ao longo de todo o fim de semana e tinha como objetivo minimizar os danos nas 44 voltas, sonhando com um segundo lugar que era totalmente plausível. No entanto, saiu zerado do circuito belga.

Mas a diferença de, agora, 50 tentos em relação a Antonelli é a menor das preocupações. Até porque ainda tem muito chão pela frente na temporada 2026 se quiser alcançar o italiano, mas precisa fazer as pazes com o W17 o quanto antes — e essa é exatamente a grande questão. O GP da Hungria está logo aí, batendo à porta, e pode deixar a situação ainda mais assombrosa para o veterano da dupla.

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Kimi Antonelli caiu nos braços dos companheiros de Mercedes após sexta vitória na F1 2026 (Foto: Reprodução/F1)

Corrida positiva para a Ferrari

Mesmo em uma pista nada favorável — e pior até mesmo do que Silverstone — ao carro vermelho, a Ferrari pode ficar satisfeita com o desempenho em Spa-Francorchamps. Charles Leclerc largou muito bem e chegou a liderar a corrida por cerca de dez voltas, tornando-se um obstáculo interessante para Andrea Kimi Antonelli. É claro que o monegasco tirou proveito do safety-car virtual para se colocar em tal situação, mas nada disso tira o mérito do ótimo ritmo apresentado.

Após a vitória na Inglaterra, o pódio na Bélgica é mais um indicativo de que o #16 realmente encontrou alguma coisa nos ajustes da SF-26 que o está ajudando a voltar aos trilhos. Por outro lado, Lewis Hamilton viveu um verdadeiro caos. O britânico foi punido com 5s — na opinião deste que vos escreve, injustamente — pelo incidente que causou o abandono de George Russell logo no início da corrida, sofreu danos no carro e ainda atropelou um mecânico após efetuar a troca de pneus. Que dia.

De qualquer maneira, para uma equipe que se mostrou um tanto perdida na sexta-feira e no sábado, a Ferrari deve comemorar o fato de os dois carros terminarem no top-4. E, de novo, em uma pista que expõe as deficiências da equipe nos setores de reta. No fim das contas, a escuderia italiana embarca otimista para o GP da Hungria, onde, aí sim, tem tudo para dificultar a vida da Mercedes de vez.

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Charles Leclerc viveu o lado bom da história da Ferrari em Spa-Francorchamps (Foto: Reprodução/ F1)

Hadjar tomou Red Bull e ganhou asas

Com toda a humildade do mundo, Isack Hadjar disse que não ficou nada surpreso com o forte ritmo apresentado por ele no GP da Bélgica. Devido à troca de componentes da unidade de potência, o francês desembarcou em Spa-Francorchamps já sabendo que teria de largar do fundo do pelotão, o que não pareceu ser um problema: saiu do 21º lugar e cruzou a linha de chegada em sexto. “Hoje, acho que foi a corrida mais completa que fiz até agora”, declarou em entrevista ao GRANDE PRÊMIO. E realmente foi.

Na outra garagem, Max Verstappen também pode ficar feliz com o terceiro lugar no pódio. Depois de um fim de semana complicado na Inglaterra, que o fez perder a paciência com a Red Bull e a asa Macarena, o fim de semana inteiro do tetracampeão se mostrou mais positivo. Se não fosse o safety-car virtual que ajudou Charles Leclerc a perder menos tempo na troca de pneus, o neerlandês teria condições se terminar em segundo, uma vez que o ritmo de corrida muito similar ao do monegasco o ajudaria a se defender das possíveis investidas do rival da Ferrari na parte final.

Enfim, se os pilotos estão felizes, é sinal de que a escuderia austríaca entregou aquilo que eles esperavam. O trabalho dos taurinos em solo belga foi impecável desde a classificação, quando usaram o vácuo de Hadjar para ajudar Verstappen a se colocar na primeira fila, até a estratégia durante a prova. Sendo assim, tanto no panorama geral do campeonato quanto na questão de tentar manter o #3 para 2027, o time de Laurent Mekies ganhou pontos. Mas precisa ser assim de forma mais consistente.

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Red Bull pode ficar feliz com o trabalho realizado em Spa-Francorchamps (Foto: Red Bull Content Pool)

E ele fez de novo!

Quando tudo se encaminhava para Gabriel Bortoleto bater na trave da zona de pontos no GP da Bélgica deste domingo, o jogo virou a partir do acionamento do segundo safety-car virtual. Ao estender o primeiro stint com os pneus médios, o brasileiro tirou proveito da situação para ir aos boxes e voltar à frente de Arvid Lindblad, Liam Lawson, Franco Colapinto e Pierre Gasly — os principais adversários em Spa-Francorchamps, que já haviam parado. Ou seja, mérito da Audi, que acertou na estratégia.

Mas o dono do #5 também precisa receber o reconhecimento que lhe é devido. Em uma pista onde a equipe alemã tinha tudo para ficar devendo em questão de desempenho, muito por causa da fraca unidade de potência nos setores de alta velocidade, Bortoleto teve o segundo melhor ritmo de corrida entre os pilotos do pelotão intermediário, atrás apenas de Lindblad, da Racing Bulls. Vale lembrar que os taurinos, diferentemente da marca alemã, possuem o melhor motor a combustão do grid, de acordo com o ADUO. Por isso a batalha para segurar o britânico foi tão difícil.

“Foi duro, muito duro. Via que ele se aproximava muito de mim nos setores 1 e 3, então sabia que precisava fazer o setor 2 de forma perfeita, acertando todas as curvas, volta após volta, durante 25 voltas. E, toda vez que eu errava um pouquinho o ápice de uma curva, sentia imediatamente a diferença e via o delta no volante cair. Foi muito intenso”, disse em entrevista ao GRANDE PRÊMIO. Para a alegria da nação, deu tudo certo no fim.

Na nona posição, a Audi agora possui 10 pontos no Mundial de Construtores, todos conquistados por Bortoleto — na Austrália, Inglaterra e Bélgica. Em pistas mais travadas, como na Hungria e nos Países Baixos, as duas próximas etapas, a parte aerodinâmica do R26 deve falar mais alto, o que aumenta as expectativas para novos resultado positivos. A verdade é que, para um ano de estreia, a Audi como um todo tem feito um trabalho melhor do que o esperado, com um caminho claramente definido na F1.

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Gabriel Bortoleto voltou a pontuar com a Audi na temporada 2026 da F1 (Foto: Audi)

Até quando?

Assim como aconteceu no GP da Inglaterra, quando a insistência em deixar o safety-car até a bandeirada mudou o resultado de alguns pilotos na corrida, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) voltou a interferir no GP da Bélgica. Claro, a segurança dos competidores deve vir em primeiro lugar e obviamente uma pista suja — por brita ou detritos, não ficou claro — não é a situação ideal. Mesmo assim, a direção de prova deveria ter atuado de maneira diferente nos dois momentos de safety-car virtual, principalmente em um circuito com mais de 7 km de extensão.

Se a Mercedes foi prejudicada na primeira ocasião, uma vez que chamou Andrea Kimi Antonelli aos boxes para tentar tirar proveito, a Ferrari acabou beneficiada na segunda tanto com Charles Leclerc quanto com Lewis Hamilton. E não há qualquer acusação aqui de que foi algo intencional por parte dos comissários, o ponto é que a atenção precisa ser redobrada nesses casos.

Azar e sorte fazem parte do jogo, mas os responsáveis por gerenciar a corrida precisam, sim, interferir o menos possível, ainda mais quando se trata de algo de rápida solução. Enfim, o que para muitos parece bobeira, poderia ter gerado um resultado completamente diferente hoje se alguma outra equipe fosse capaz de segurar a Mercedes, o que não é o caso. E se interferisse diretamente na briga pelo título? Obviamente a discussão seria maior. Então é bom evitar.

Em relação à punição de Hamilton, totalmente injusta, foi lance de corrida. E sobre Leclerc ter saído impune no incidente com Oscar Piastri, também não havia como culpar apenas um dos lados ali.

Por corridas com menos interferência da FIA, por favor (Foto: Red Bull Content Pool)

A Fórmula 1 retorna já no próximo fim de semana, com o GP da Hungria, 11ª etapa da temporada 2026. Será a última parada da categoria antes da pausa de verão.

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