A sexta-feira (24) de atividades da Fórmula 1 no GP da Hungria apresentou um cenário para lá de interessante. É verdade que o bom desempenho da Ferrari não chega a ser uma surpresa, mas as dificuldades enfrentadas pela Mercedes deixaram os rivais de Maranello bem confiantes na possibilidade de voltarem a subir no degrau mais alto do pódio neste fim de semana.
A briga, no entanto, não se resume apenas a essas duas equipes. Ali, logo atrás, McLaren e Red Bull se preparam para dar o bote a qualquer momento. Os dois times possuem as próprias questões para resolver, mas as performances de Lando Norris e Max Verstappen, principalmente, mostraram que as coadjuvantes deste top-4 em 2026 estão trabalhando pesado para assumir um papel mais importante.
E claro que a Aston Martin seria assunto em Budapeste. O novo carro apresentado pela equipe realmente provou ser um passo à frente, mas toda cautela é pouca nesse momento. Não existem milagres na F1. Os esmeraldinos deram apenas o primeiro passo em uma trajetória que promete ser longa.
Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista cinco pontos da sexta-feira da Fórmula 1 na Hungria.
Sem ilusões desta vez?
Embora a temporada 2026 da Fórmula 1 tenha ensinado a nunca descartar a Mercedes após uma simples sexta-feira, a Ferrari se colocou, sim, como favorita para este fim de semana do GP da Hungria. Na verdade, não há nenhuma surpresa no ritmo da escuderia italiana. Se tanto Lewis Hamilton quanto Charles Leclerc conseguiram se sair bem em Silverstone e Spa-Francorchamps, duas pistas que exploraram os pontos fracos da SF-26, já era esperado que Hungaroring apresentasse um cenário diferente.
Isso porque as características da pista em Budapeste impulsionam o carro de Maranello. Com quatro zonas de Modo Reta, por exemplo, há menos arrasto nos curtos setores de rápida velocidade e, consequentemente, menos impacto na unidade de potência. Da mesma forma, a predominância das curvas de média se encaixam bem ao nível de downforce do modelo vermelho, que também não sofre tanto para regenerar a bateria nessas condições.
Porém, percebe-se que Leclerc e Hamilton, que colocaram praticamente 0s5 sobre os principais rivais no TL1 e TL2, respectivamente, terminaram o dia pedindo cautela. E não é à toa. Embora a vantagem em volta lançada tenha sido considerável, a situação em ritmo de corrida foi mais acirrada, principalmente com a Mercedes. É aí que o cuidado com os pneus se torna ainda mais importante. O clima nos treinos estava mais ameno, o que ajudou a Ferrari, que costuma sofrer com o superaquecimento da borracha.
E se as temperaturas de fato aumentarem, como é a tendência? Então a disputa — com o perdão do trocadilho — tende a esquentar de vez.

Começou tropeçando. Mas calma…
Ao ver a Mercedes tendo dificuldades em uma pista mais travada, todo mundo automaticamente se lembra do que aconteceu no GP de Mônaco. Nas ruas de Monte Carlo, as Flechas de Prata também foram incapazes de ameaçar a Ferrari nos dois primeiros treinos, mas acabou dando a volta por cima e vendo Andrea Kimi Antonelli conquistar tanto a pole-position quanto a vitória por lá. Será que o mesmo pode acontecer neste fim de semana, na Hungria? Sim. Mas as chances são menores.
Importante repetir o que foi escrito no tópico anterior: não dá para descartar a escuderia alemã em nenhuma hipótese. E como o próprio Bradley Lord, vice-chefe da equipe, destacou: “Temos um carro competitivo em qualquer pista e conquistamos todas as poles até agora” — um lembrete importante. Só que a situação realmente parece um pouco mais complicada desta vez. Além do déficit claro em volta lançada, os pilotos reclamaram bastante da falta de equilíbrio e aderência do W17.
É verdade que Antonelli — substituído por Frederik Vesti no TL1 — foi prejudicado pela bandeira vermelha de Franco Colapinto na metade da segunda sessão e, consequentemente, pelo intenso tráfego quando retornou à pista. Mas não é desculpa. Até porque a Mercedes tem mais com o que se preocupar: os prateados ainda não têm certeza se o problema no software do motor foi resolvido, situação que a equipe só espera definir de vez durante a classificação. A notícia boa para eles é que a falta de potência aqui ou ali não tende a fazer tanta falta em Budapeste.

Red Bull, McLaren e as Macarenas
Se Ferrari e Mercedes frequentemente se colocam como protagonistas na temporada 2026, Red Bull e McLaren seguem trabalhando para aos poucos deixarem o papel de coadjuvantes na F1. O que as duas têm em comum até aqui? Desembarcaram em Budapeste com uma nova asa Macarena. Quer dizer, a dos taurinos já existia, só precisavam arrumar uma maneira de fechá-la corretamente, o que até aqui não foi um problema — e esperamos que não seja mesmo. Os papaias, por sua vez, estrearam a própria e, como Randy Singh, diretor de corridas, declarou, “entregou o esperado”, assim como as outras atualizações.
A escuderia inglesa foi a segunda com melhor desempenho nas curvas de baixa velocidade, atrás somente dos rivais de Maranello. Tanto é verdade que Lando Norris encerrou a sexta-feira com o melhor segundo setor (28s413), menos de 0s1 mais rápido que Lewis Hamilton e Charles Leclerc. Inclusive, o atual campeão mundial se colocou como principal nome da equipe mais uma vez, embora seja bom destacar que ele foi o único a utilizar as melhorias introduzidas no MCL40 — e também teve mais tempo de pista, já que Oscar Piastri abriu passagem para Leonardo Fornaroli no TL1.
Enquanto isso, na base taurina, Max Verstappen foi o grande nome. A Red Bull teve boa performance nas curvas de média velocidade, mas perdeu bastante terreno principalmente nas retas. Parece, no entanto, que o time utilizou um modo mais conservador da unidade de potência, o que significa que podem melhorar a velocidade máxima alcançada na classificação de amanhã. Só precisam mesmo resolver o problema das trocas de marcha do neerlandês, que voltou a reclamar bastante.

Audi x Racing Bulls: o duelo da ‘F1 B’
Se a Racing Bulls saiu derrotada de Spa-Francorchamps, já que Gabriel Bortoleto superou Arvid Lindblad na briga pelo oitavo lugar, a equipe mostrou que tem tudo para revidar em Budapeste, uma pista que teoricamente deveria se encaixar mais ao carro da Audi. Com exceção das curvas de baixa velocidade, os taurinos superaram a grande rival do momento em todos os outros quesitos e foram, inclusive, os mais rápidos nas retas — e isso considerando todos os carros do grid.
Desta vez com as mesmas atualizações que o companheiro de time utilizou na Bélgica, Liam Lawson terminou a sexta-feira na frente até mesmo de Oscar Piastri. Mas isso não quer dizer que a marca das quatro argolas não tenha chances. O brasileiro terminou em sexto no TL1, enquanto Nico Hülkenberg foi nono colocado na segunda atividade, somente 0s084 mais lento que o neozelandês. Ou seja, a briga pelas duas vagas restantes no Q3 de amanhã já tem os quatro favoritos.
Até porque nada parece ter mudado mais atrás no grid, com Haas e Alpine um degrau abaixo e as demais em outra briga particular, para ver quem sobrevive ao Q1. Nesse sentido, o roteiro em Hungaroring repete um já bastante conhecido.

Agora vai?
Claro que a Aston Martin não poderia ficar de fora. Os esmeraldinos levaram 16 atualizações para o GP da Hungria, incluindo mudanças nas asas dianteira e traseira, sidepods, assoalho, bico do carro, difusor, suspensão traseira e algumas coisas mais. Houve avanço? Sim. Mas sem milagres, como era esperado. Até porque essa é a primeira fase de uma série de melhorias que serão feitas, inclusive na unidade de potência, com a nova versão da Honda entrando em ação no GP dos Países Baixos, após as férias.
Em uma sessão repleta de novatos e carros com problemas, o 13º lugar de Fernando Alonso no TL1 não deve servir de parâmetro para nada. Mesmo assim, o espanhol deixou a pista satisfeito com o que viu. Apesar de a confiabilidade ter falhado mais uma vez, a impressão é de que o time de Silverstone finalmente possui um carro com o qual em breve poderá incomodar mais as rivais do pelotão intermediário. E como o motor ainda é um problema, lógico que utilizaram um mapa mais conservador, até porque precisavam adquirir quilometragem com o AMR26 para coletar dados.
“De modo geral, vimos o que esperávamos em termos de números e correlação. Isso é muito encorajador tanto em relação ao futuro, ao carro de 2027, quanto em relação a este ano. Ainda há muito a fazer da nossa parte, mas creio que este seja apenas o primeiro passo que pode nos levar a melhorar”, disse Alonso. Será que agora vai? Parece que sim. Mas não de um dia para outro.

O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP da Hungria, 11ª etapa da temporada 2026, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
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GP da Hungria de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
Horários no Brasil*
- Treino livre 3: 07:30
- Classificação: 11:00
- Corrida: 10:00
Horários em Portugal e Angola
- Treino livre 3: 11:30
- Classificação: 15:00
- Corrida: 14:00
Horários em Cabo Verde
- Treino livre 3: 09:30
- Classificação: 13:00
- Corrida: 12:00
Horários em Moçambique
- Treino livre 3: 12:30
- Classificação: 16:00
- Corrida: 15:00
*Horário de Brasília