Andrea Kimi Antonelli chegou em Spa-Francorchamps com uma missão: afastar o fantasma que Oscar Piastri deixou em 2025 como um jovem piloto que brilhou na primeira parte do campeonato, mas deixou a desejar em momentos decisivos que resolveram o título. Tudo bem que o italiano ainda tem muito chão para correr, mas deu uma incrível demonstração de que segue sendo o piloto a ser batido na Fórmula 1.

Com 5 vitórias nas primeiras 6 corridas do ano, Antonelli conheceu, em Barcelona, seu maior adversário até aqui: a confiabilidade da Mercedes. Pior do que um fim de semana como na Áustria, onde foi dominado no confronto direto, é sair zerado de um GP. E foi assim em duas ocasiões. Porradas que estão fora de seu controle e podem ser mais difíceis de lidar.

Porém, a maturidade com que Kimi deu a resposta na Bélgica foi impressionante. Seja em outra excelente classificação, com mais uma pole-position conquistada, além de toda a paciência necessária para retomar a liderança em cima de Charles Leclerc, que foi um dos maiores beneficiados pelo estranho safety-car virtual.

Mais do que ganhar ou perder, uma das virtudes mais importantes que constroem campeões é saber lidar com as adversidades. Talvez fosse mais complicado para Andrea, de 19 anos, saber dar a volta por cima após resultados muito injustos em Barcelona e Silverstone. Ele tira isso de letra. Antonelli não é “tão bom quanto sua última corrida”, mas tão bom quanto a próxima.

Os 45 pontos em cima de Lewis Hamilton e os 50 sobre George Russell são muito mais justos que a vantagem de apenas 25 cujo entrou em Spa. Hoje, a distância de Antonelli para os rivais é esta: de mais de uma corrida. É o piloto soberano de um campeonato, apesar de nem sempre a Mercedes garantir que ele consiga terminar a corrida.

Lewis Hamilton vive a melhor fase em anos, mas a Ferrari ainda não tem o que é necessário para buscar a Mercedes. A melhor chance de bater Kimi seria justamente George Russell, mas como faz? Um piloto com muitas dificuldades em compreender o carro mais veloz do grid, sequer chegando ao pódio com a frequência necessária para um campeão.

Diferente de Oscar Piastri em 2025, que inclusive tinha concorrência mais forte em termos de equilíbrio e equipamentos, é difícil crer que a mesma derrocada pode acontecer com Antonelli. É um piloto que está em uma posição de evidência muito diferente e dá respostas concretas a cada problema que sofre. A confiabilidade pode virar uma pedra no sapato, mas ele tende a dar a volta por cima sempre.