A classificação do GP dos Estados Unidos mudou o cenário para a corrida deste domingo (25). Depois de a Ferrari liderar os três treinos livres do fim de semana, a Mercedes apareceu no momento decisivo com um surpreendentemente rápido Andrea Kimi Antonelli. O italiano acertou a primeira tentativa de volta rápida na fase final e não permitiu que ninguém o alcançasse. A pole, a sétima da carreira e da temporada 2026, agora coloca o líder do campeonato mais próximo de assegurar o título mundial. Isso porque o principal adversário, George Russell, vai largar apenas em sexto. Só que a vida de Antonelli em Austin não será fácil. Max Verstappen foi capaz de colocar uma forte Red Bull na primeira fila, com Isack Hadjar em terceiro, enquanto Charles Leclerc e Lewis Hamilton aparecem logo atrás, ratificando a ideia de que a disputa pela vitória será mais apertada do que a classificação mostrou.

A sensação de surpresa com a performance da Mercedes e de Antonelli é justificada pelas dificuldades que a equipe enfrentava até o Q3 da classificação deste sábado. O time alemão apresentou problemas de equilíbrio, sobretudo nas curvas de baixa velocidade. Além disso, havia uma enorme preocupação com relação ao superaquecimento dos pneus, especialmente no setor final — entre as curvas 19 e 20. E foi exatamente neste trecho que Antonelli fez a diferença para a pole. O italiano conseguiu driblar a degradação, para cravar 1min34s035. A volta foi tão precisa que sequer foi possível reproduzir a performance na segunda tentativa. Ainda assim, foi suficiente para assegurar a posição de honra do grid.

“Conquistar a pole-position hoje foi além das nossas expectativas”, admitiu o chefe da Mercedes, Toto Wolff. “Trabalhamos duro para colocar o carro em uma boa janela durante todo o fim de semana e fomos progredindo aos poucos. Antes da classificação, porém, eu achava que provavelmente estaríamos ainda brigando para tentar a primeira fila, mas mais possivelmente por um P3 ou P4. Kimi virou uma volta incrível na Q3 para conquistar a pole e nos surpreender a todos”, completou o dirigente, antes de também reconhecer as dificuldades técnicas do revisado W17.

“Nosso calcanhar de Aquiles era o último setor, porque nossos pneus superaqueciam ali. Fizemos uma alteração na configuração e, de repente, conseguimos chegar ao Q3. Analisei os dados e é simplesmente difícil entender como ele conseguiu manter um desempenho consistente no último setor.”

Wolff também assumiu que a Mercedes já compreende melhor a eficiência das peças novas. “O que está claro agora com nossas atualizações é que o carro tem uma janela de operação mais estreita. Se conseguirmos juntar tudo, o desempenho é forte. Ainda estamos aprendendo, mas este é outro sinal encorajador de que ainda estamos indo na direção certa. A corrida de amanhã será um grande teste, e sabemos que nossos concorrentes são fortes, mas esperamos lutar pela vitória e trazer para casa uma boa pontuação em pontos como equipe.”

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Max Verstappen, Isack Hadjar e Kimi Antonelli (Foto: Red Bull Content Pool)

De fato, a disputa pelo triunfo está aberta. Ainda que a Mercedes tenha a vantagem da pole e tenha entendido as deficiências no circuito texano, a Red Bull é a ameaça mais concreta. Verstappen mostrou velocidade ao longo do sábado e está na segunda posição, trazendo junto Hadjar. O grande ponto aqui é o ritmo de corrida consistente em cima dos pneus macios, e isso pode fazer enorme diferença, especialmente no primeiro stint da corrida. A única ressalva é realmente a largada, algo que tem sido ainda uma questão para os taurinos. Afinal, o circuito das Américas combina uma reta longa, em subida, com uma sequência inicial de curvas rápidas e mudanças de direção. Isso torna a saída da primeira curva especialmente importante: defender a liderança pode ser tão decisivo quanto o ritmo de corrida.

“Foi uma classificação sólida. Claro, Max estava buscando a pole-position depois do Q1 e do Q2, especialmente porque deu poucas voltas nessas duas sessões. É justo dizer que vários pilotos e carros tiveram um pouco de dificuldade no Q3. Talvez o vento tenha mudado e Kimi tenha conseguido uma volta mais rápida”, disse Laurent Mekies, chefe da esquadra austríaca, ao avaliar a classificação. Acertadamente, o francês também entende que a luta terá outros postulantes em Austin.

“Mas é um resultado muito sólido para a equipe. Ficamos em segundo e terceiro lugar, enquanto vários dos concorrentes chegaram com atualizações importantes. Então é bom ver que ainda estamos na disputa”, avaliou. “Tenho certeza de que tanto a Ferrari quanto a Mercedes estarão na briga, e espero que nós, com Max e Isack, também estejamos nessa disputa. Embora a McLaren tenha sido um pouco mais lenta, vimos em vários momentos que Lando (Norris) estava incrivelmente rápido. Então, acho que haverá cinco ou seis carros lutando pela vitória”, acrescentou.

É bem verdade que a McLaren apresentou um lampejo de competitividade em alguns momentos da sessão que definiu o grid, mas não foi capaz de reverter isso em posições fortes. Norris teve a volta deletada e acabou em oitavo, uma posição atrás de Oscar Piastri. Então, a impressão é de que a equipe papaia terá mais trabalho, muito embora tenha ritmo a ser explorado. O problema é ter de enfrentar também a concorrência da Ferrari. A escuderia italiana sofreu um revés duro neste sábado, depois de liderar todos os treinos. A parte final da classificação acabou por jogar um balde de água fria em Maranello, mas nem tudo está perdido.

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Lewis Hamilton sai em quinto: a Ferrari esperava mais após liderar os treinos livres (Foto: Ferrari)

A equipe vermelha parecia muito bem azeitada para as voltas únicas. O terceiro treino livre mostrou que os engenheiros entenderam onde buscar performance e os pilotos também foram capazes de entregar velocidade e equilíbrio, especialmente no setores 2 e 3. No entanto, no Q3, a temperatura da pista mudou, e isso afetou o comportamento dos pneus. Tanto Leclerc quanto Hamilton também cometeram pequenos erros, o que também contribuiu para afastá-los da pole. Ainda assim, o monegasco sai na segunda fila, logo à frente do inglês. A chave para a disputa parece estar também na largada. Um dos pontos fortes do conjunto ferrarista. Aliado a isso, está o ritmo de corrida também consistente. Ou seja, há uma oportunidade aí para os italianos, como havia em Singapura e na Malásia.

“Precisamos nos concentrar em nós mesmos, precisamos ter cuidado com o que fazemos, e acho que não demos o nosso melhor nos dois últimos setores, em comparação com o que havíamos feito antes”, reconheceu o chefe Frédéric Vasseur. “O mais importante é se concentrar nisso e corrigir. Acho que temos a possibilidade neste fim de semana de fazer muito melhor, mas o resultado é o que é e precisamos levá-lo em conta para nos concentrarmos na corrida.”

Diante desse cenário, é importante também entender que a degradação dos pneus será um ponto decisivo e que o GP dos EUA tende a ser uma corrida de uma única parada. O mistério aqui se faz em torno dos compostos. Em tese, os três tipos de pneus podem ser usados, mas probabilidade é que as equipes se concentrem entre macios e médios para a primeira parte. “As simulações indicam que a estratégia de uma parada continua sendo a solução mais eficaz em termos de tempo total de corrida. A combinação de pneus macios e médios pode ser escolhida por mais de uma equipe para maximizar a vantagem de aderência oferecida pelo pneu com faixa vermelha”, disse Dario Marrafuschi, da Pirelli.

“O pneu duro continua sendo uma opção válida para o segundo stint, independentemente de a corrida começar com o pneu macio ou o médio. Caso a degradação dos pneus seja maior do que o esperado, uma estratégia de duas paradas, baseada na sequência macio-médio-macio, também poderá se tornar uma opção interessante. A diferença de tempo em comparação com a tática de um pit-stop permanece relativamente pequena, mas a posição na pista e o potencial impacto do tráfego também devem ser levados em consideração. Em última análise, serão a evolução das condições da pista e as temperaturas de amanhã que determinarão as escolhas das equipes.”

Por fim, essencial destacar que, em meio a uma briga múltipla, a etapa americana também pode antecipar o título de Antonelli. Para isso, o italiano tem de vencer a corrida e torcer para Russell ser, no máximo, nono e Hamilton (o terceiro colocado no Mundial) não passar do quinto lugar. Se Antonelli for segundo colocado, a decisão segue para o México, pois ainda que Russell não pontue, a distância entre eles ficaria em 120 pontos, com 125 em jogo. No momento, Kimi possui uma vantagem de 102 tentos na liderança do campeonato.

O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP dos Estados Unidos, 18ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Horários do GP dos Estados Unidos da F1 2026

O GP dos Estados Unidos acontece de 23 a 25 de outubro, em Austin, com treinos livres, classificação e corrida.

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Domingo, 25/10Corrida17h20h21h19h22h

Horário de Brasília para o Brasil e de Portugal continental e Madeira para Portugal.