Gabriel Bortoleto deixou o Azerbaijão sem pontos, mas com indícios de que a Audi pode apresentar um desempenho melhor na próxima etapa da Fórmula 1. O GP do Bahrein será disputado no circuito de Sepang, na Malásia, uma pista que exige eficiência aerodinâmica, estabilidade nas curvas rápidas e controle do desgaste dos pneus.

Em Baku, Bortoleto recebeu a bandeirada em 13º, mas perdeu duas posições depois de receber uma punição de 10s. O resultado oficial colocou o brasileiro em 15º, novamente fora da zona de pontuação.

A classificação foi o principal problema. Bortoleto e Nico Hülkenberg caíram juntos no Q1 pela primeira vez desde a estreia da Audi na Fórmula 1. Largando no meio do pelotão, a dupla ficou exposta à principal fraqueza do R26: a falta de velocidade nas retas.

O cenário será diferente em Sepang, mas não necessariamente mais simples. A pista malaia possui curvas que podem favorecer o pacote aerodinâmico atualizado da Audi, porém também conta com duas retas extensas e uma das condições climáticas mais exigentes da temporada.

O que Baku revelou sobre a atualização da Audi?

A Audi levou ao Azerbaijão a primeira grande atualização desde junho. O pacote trouxe mudanças no assoalho, nas entradas dos sidepods, na carenagem do motor e em elementos destinados a melhorar o fluxo de ar na parte traseira.

Bortoleto inicialmente adotou cautela e explicou que seria necessário entender quanto a atualização realmente acrescentaria ao desempenho. A classificação ruim aumentou as dúvidas, mas o ritmo apresentado durante a corrida indicou que o pacote produziu algum avanço.

O brasileiro relatou que a Audi era competitiva no segundo setor de Baku, formado pela maior concentração de curvas. O carro conseguia acompanhar e até se aproximar de Racing Bulls e Haas nessa parte da volta.

A dificuldade surgia nas retas. Mesmo saindo da última curva apenas 0s2 atrás de Liam Lawson, Bortoleto não conseguiu avançar com o auxílio do DRS. Segundo o piloto, a diferença de velocidade impedia qualquer tentativa real de ultrapassagem.

Por isso, a conclusão da equipe foi dividida: o ritmo de corrida mostrou evolução, mas a falta de velocidade final impediu a Audi de disputar pontos.

Por que Sepang pode favorecer Bortoleto?

Sepang possui 5,5 km de extensão e uma combinação mais completa de curvas do que Baku. O primeiro e o segundo setores exigem mudanças rápidas de direção, apoio aerodinâmico e estabilidade durante frenagens com o carro carregado lateralmente.

Essas características podem beneficiar a Audi. O R26 foi mais competitivo justamente na parte sinuosa do circuito azeri, enquanto Bortoleto conseguiu preservar os pneus e manter um ritmo próximo de adversários que largaram à frente.

As curvas 5 e 6 de Sepang são realizadas em alta velocidade e exigem confiança no eixo traseiro. As curvas 7 e 8 formam uma sequência longa, na qual equilíbrio aerodinâmico e controle da temperatura dos pneus podem produzir diferenças significativas.

A pista também permite trajetórias variadas. Essa característica ajuda nas disputas e reduz parcialmente a dependência de uma única zona de ultrapassagem, algo que prejudicou Bortoleto em Baku.

Exigência de SepangSituação da Audi
Curvas rápidasPossível ponto favorável
Mudanças de direçãoPacote atualizado precisa confirmar evolução
Frenagens fortesR26 mostrou estabilidade razoável em Baku
Gestão dos pneusPode favorecer o ritmo de corrida
Velocidade nas retasPrincipal preocupação
Calor e refrigeraçãoTeste severo para motor e componentes
Recuperação e uso de energiaÁrea que ainda exige evolução
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A velocidade de reta é a maior preocupação da Audi (Foto: Audi)

Retas continuam sendo ameaça para Audi

Embora possua mais curvas do que Baku, Sepang não elimina a principal deficiência da Audi. O circuito tem duas retas longas separadas pela curva 15, incluindo o trecho de chegada e a reta oposta.

Uma configuração com muita asa ajuda nas curvas rápidas, mas aumenta o arrasto e pode agravar a perda de velocidade. Retirar carga aerodinâmica favorece as retas, porém reduz a aderência justamente nos setores em que o R26 pode ser competitivo.

A Audi terá de encontrar um equilíbrio melhor do que no Azerbaijão. Caso continue perdendo velocidade para as unidades de potência de Mercedes, Ferrari e Red Bull, Bortoleto poderá enfrentar novamente dificuldades para atacar e defender posições.

A administração de energia também será importante. As acelerações prolongadas exigem que o sistema híbrido entregue potência até o final das retas. Uma descarga antecipada da bateria deixa o carro vulnerável nos metros finais, principalmente antes das curvas 1 e 15.

Calor coloca confiabilidade e pneus à prova

Sepang é tradicionalmente uma das pistas mais exigentes para os pneus. O asfalto abrasivo, as curvas longas e as altas temperaturas aumentam a degradação térmica, principalmente no pneu dianteiro esquerdo.

A Audi mostrou ritmo de corrida mais competitivo do que desempenho em volta rápida em Baku. Se conseguir controlar o desgaste, a equipe poderá utilizar stints mais longos ou buscar uma estratégia diferente dos adversários.

O calor, entretanto, aumenta as necessidades de refrigeração. Abrir mais a carenagem reduz o risco de superaquecimento, mas prejudica a eficiência aerodinâmica. O desafio inclui motor, bateria, freios e o próprio conforto físico dos pilotos.

A possibilidade de chuva também costuma fazer parte das etapas em Sepang. Mudanças rápidas de condição podem transformar a ordem de forças, mas aumentam a importância de decisões corretas no momento de trocar os pneus.

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Gabriel Bortoleto saiu zerado de Baku (Foto: Reprodução/F1)

Bortoleto pode voltar aos pontos?

A reação é possível, mas depende principalmente da classificação. Bortoleto mostrou em Baku que o ritmo de corrida da Audi era suficiente para acompanhar carros próximos da zona de pontuação. A largada em 17º, porém, obrigou o brasileiro a recuperar terreno em uma pista na qual o R26 não tinha velocidade para ultrapassar.

Sepang oferece mais oportunidades de disputa e um setor sinuoso potencialmente favorável. Ainda assim, largar novamente nas últimas filas deixaria Bortoleto exposto às duas grandes retas e ao tráfego.

A prioridade da Audi será colocar ao menos um carro no Q2 e confirmar se a atualização funciona em um circuito permanente. Avançar ao Q3 colocaria Bortoleto em posição real de brigar por pontos, enquanto outra eliminação precoce exigiria uma combinação de estratégia, desgaste dos rivais e eventuais mudanças climáticas.

A análise da corrida de Bortoleto e Hülkenberg em Baku mostrou que a Audi ganhou rendimento nas curvas, mas ainda não corrigiu a perda nas retas. Sepang será um teste mais completo para determinar o potencial verdadeiro do pacote.

A próxima etapa acontece entre 2 e 4 de outubro. Apesar da denominação oficial, o GP do Bahrein será realizado em Sepang, na Malásia.

F1 hoje: perguntas frequentes

Quando é a próxima corrida da Fórmula 1?

A próxima etapa é o GP do Bahrein, disputado entre 2 e 4 de outubro de 2026, no Circuito de Sepang, na Malásia.

Por que o GP do Bahrein será realizado na Malásia?

A etapa foi transferida de Sakhir por causa da instabilidade e dos conflitos no Oriente Médio. A corrida manteve oficialmente o nome de GP do Bahrein, mas será realizada em Sepang.

Quem lidera o campeonato da F1 2026?

Andrea Kimi Antonelli lidera com 302 pontos, enquanto George Russell ocupa a segunda posição com 236. A diferença é de 66 pontos.

Bortoleto pode pontuar no GP do Bahrein?

Sim. O traçado de Sepang pode favorecer o desempenho da Audi nas curvas, mas Bortoleto precisa evitar outra eliminação no Q1 para ter uma chance real de pontuar.