A Fórmula 1 deu uma sorte enorme neste sábado (7). A chuva torrencial que atingiu Interlagos causou transtorno inicial, é verdade, mas também proporcionou uma classificação das mais divertidas e embaralhadas da temporada, o que abre a possibilidade do público acompanhar a melhor corrida de 2026. Além da previsão do tempo, que aponta chuva o dia todo, ainda há o próprio grid, que apresenta uma combinação interessante, na medida que mistura McLaren, com a pole de Lando Norris, Mercedes, Racing Bulls, Audi, Red Bull e Haas nas primeiras filas — tudo também em função de uma série de punições entre as principais equipe. Diante disso, tudo pode acontecer, o que é mais do que se imaginava em um campeonato que já está decidido.
Mais do que a velocidade pura, a classificação paulistana foi decidida pela capacidade de identificar o momento certo de ir à pista, porque a intensidade da chuva mudava a todo instantes. O Q2, por exemplo, foi tão caótico quanto a primeira parte da sessão. E isso causou resultados inusitados, como a quase eliminação de Andrea Kimi Antonelli, a saída de Lewis Hamilton e o acidente de Rafael Câmara. Já no trecho derradeiro, a chuva voltou a apertar, e isso praticamente tirou a chance de uma melhora significativa dos tempos.
Quem conseguiu estabelecer uma volta forte no início da sessão levou vantagem. Foi exatamente o que Norris fez. O piloto da McLaren conseguiu completar a volta decisiva antes de uma piora mais acentuada das condições e não precisou de uma segunda oportunidade. George Russell, por outro lado, teve uma chance de melhorar, mas recebeu orientação da Mercedes para abortar o giro em meio ao tráfego. Depois, reclamou da decisão da equipe. A diferença de 0s204 mostrou que a pole não foi consequência apenas de uma vantagem técnica, mas de uma volta também muito precisa do britânico do carro #1.
Mas se Norris foi o grande destaque, a Mercedes também saiu fortalecida de sábado. Russell foi o segundo mais rápido, enquanto Antonelli terminou em terceiro. Os dois mostraram competitividade em diferentes momentos da sessão, especialmente quando a pista permitiu a utilização dos pneus intermediários. Há, porém, uma diferença importante entre o resultado esportivo e o posicionamento no grid: o inglês vai perder cinco posições. Já Antonelli vai herdar a primeira fila ao lado de Norris.
Ainda assim, a situação também representa uma oportunidade para a Mercedes na corrida. Apesar de ter sofrido no piso molhado, o campeão de 2026 deve oferecer forte resistência ao pole. Por outro lado, Russell exibiu performance e pareceu melhor adaptado às condições adversas de Interlagos, e isso pode se ajudá-lo a recuperar terreno, partindo do sétimo lugar.
Outro ponto interessante é que a Mercedes conseguiu encontrar desempenho mesmo com uma pista extremamente variável. Isso reforça a impressão de que a equipe tem condições de disputar a vitória, independentemente de a corrida acontecer em pista seca ou molhada.

Como a previsão do tempo aponta chuva para a corrida, há também um caminho de brigas alternativas, como um possível duelo entre Lawson e Nico Hülkenberg, na segunda fila, bem como Isack Hadjar e Oliver Bearman. Ainda, Fernando Alonso saindo de oitavo é outro atrativo do top-10, diante de uma corrida potencialmente tumultuada.
Além do grupo da frente, outro ponto de atenção está nos pilotos que foram punidos e que saem mais atrás ou do fundo grid. Charles Leclerc terminou em quarto o Q3, a 0s819 da pole. Foi um resultado competitivo, mas insuficiente para acompanhar Norris e Russell na disputa pela primeira posição. O monegasco, entretanto, perderá dez posições no grid por uma punição relacionada à unidade de potência. Dessa forma, começa o GP de São Paulo em 14º, sendo também uma atração no pelotão intermediário.
Lewis Hamilton teve um sábado ainda mais complicado. Terminou em 11º, sem conseguir avançar ao Q3. Embora tenha demonstrado ritmo razoável em alguns momentos, não conseguiu encontrar uma volta suficientemente forte na fase decisiva do Q2. O heptacampeão, contudo, vai partir da 20ª posição, em função de uma sanção pela mudança do motor.

E acompanhando o inglês da Ferrari está Max Verstappen. O neerlandês mostrou velocidade no piso molhado, mas uma punição por também mexer na unidade de potência o jogou para a penúltima colocação do grid. O tetracampeão já venceu em Interlagos saindo do fundo e, diante da possibilidade de uma prova com chuva, não dá para descartá-lo da briga.
Apenas como reforço, a performance de Norris e da Mercedes os coloca em uma posição de favoritismo, mas o fator chuva é o que vai determinar a corrida deste domingo, considerando também as posições de largada de Leclerc, Hamilton e, principalmente, Verstappen. A estratégia, o gerenciamento de pneus e as condições climáticas vão ser tão importantes quanto o desempenho puro dos carros. E isso por si só já é o bastante para que a Fórmula 1 entregue a melhor corrida de 2026, na única pista capaz de reunir de tudo um pouco em um mesmo dia.
O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP de São Paulo, 20ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
Além disso, o GP está in loco em Interlagos com os repórteres Evelyn Guimarães, Luana Marino, Vicente Soella e Daniel Balsa.
F1 2026: confira horários do GP de São Paulo no Brasil, em Portugal, Cabo Verde, Angola e Moçambique
| DIA | ATIVIDADE | BRA* | POR | CBV | ANG | MOZ |
| 8/11 | Corrida | 14:00 | 17:00 | 16:00 | 18:00 | 19:00 |
*Horários de Brasília