Depois de a Comissão da F1 determinar mudanças nos carros da categoria para o ano que vem, com aberturas de ar que permitam um resfriamento mais eficiente dentro do cockpit, a FIA segue estudando soluções para o assunto após o caos que tomou conta do GP do Catar. Na ocasião, diversos pilotos precisaram visitar o posto médico devido ao calor extremo, e os relatos dão conta até de desmaios entre os competidores.
A nova abertura, que será localizada no assoalho dos carros, virá acompanhada de algumas medidas a mais tomadas pela entidade. Segundo Nikolas Tombazis, diretor de monopostos, condições consideradas extremas pela FIA — em avaliação que considera itens como temperatura, umidade do ar e desenho da pista — ativarão um protocolo de emergência.
O protocolo, por sua vez, permitirá que o limite de peso dos carros seja aumentado, o que vai possibilitar o uso de itens como os coletes de resfriamento, que já são utilizados antes e depois das provas.
“Isso resultará em um pouco de peso a mais para os carros, algo em torno de 2 kg, o que será obrigatório e precisa ser usado com o propósito de resfriar o piloto”, explicou Tombazis. “Então, isso vai possibilitar novas soluções, como coletes de resfriamento”, apontou.

Uma das preocupações da FIA, entretanto, é garantir que a medida não seja adaptada pelas equipes para buscar vantagens na pista. Tombazis explicou que qualquer mudança terá como único propósito o resfriamento dos pilotos dentro do cockpit.
“Ainda precisamos trabalhar alguns detalhes, mas queremos deixar claro que não é algo que poderão usar para criar qualquer forma de vantagem”, garantiu. “É apenas para o propósito de resfriar o piloto, e será obrigatório. Você poderia colocar algum lastro no assento, mas seria um pouco idiota fazer isso”, destacou.
“No Catar, vimos que os pilotos começaram a cometer erros na parte final da corrida”, relembrou. “Então, acho que [ignorar] isso não será do interesse das equipes”, avaliou.

A instalação das ranhuras na parte inferior do carro, já aprovada para 2024, havia sido analisada para entrar em vigor este ano. No entanto, segundo o diretor de monopostos da FIA, algumas equipes da F1 se posicionaram contra a medida, preocupadas de que outras competidoras buscariam uma brecha para ganhar vantagem aerodinâmica.
“Não imaginem um snorkel, é uma espécie de abertura”, explicou o grego ao ser questionado sobre como seria a mudança. “Algo que podem, acredito, instalar na parte inferior do chassi. A razão para isso ter sido barrado no passado foi que algumas pessoas estavam preocupadas de que sugasse alguns limites de camadas, e poderia ser usada para ganhar algum tipo de vantagem aerodinâmica”, ressaltou.
“As pessoas estavam criando várias hipóteses paranoicas sobre o uso”, afirmou. “Mas, sinceramente, é apenas sobre permitir a existência dessa abertura em um lugar específico e traçar limites para suas dimensões”, finalizou Tombazis.
Com a temporada encerrada, a F1 retorna apenas no ano que vem, no dia 2 de março, com a estreia do campeonato no GP do Bahrein.
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