Além do retorno do reabastecimento à Fórmula 1, Mohammed Ben Sulayem revelou que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) também está estudando a possibilidade de a categoria ter uma fornecedora de motor independente para a nova era dos V8. De acordo com o presidente da entidade que rege o esporte, o intuito é impedir que as grandes fabricantes exerçam influência sobre as equipes clientes em debates esportivos ou políticos.
Desde que o conjunto atual de regras entrou em vigor e, com ele, a explosão de reclamações por parte dos pilotos, o emiradense tem sido o mais vocal em relação à eliminação dos propulsores com divisão 50/50 entre a parte de combustão e a elétrica. O caminho está claro, visto que, no início de junho, os times e a federação aprovaram algumas alterações para 2027 e 2028.
No entanto, as discussões estão ficando mais profundas e não se tratam somente do retorno dos motores V8. O próprio Ben Sulayem, que já citou algumas vezes a necessidades de reduzir custos para as participantes e aumentar o nível de entretenimento, agora pontuou que a FIA pretende selecionar uma fabricante independente capaz de fornecer uma unidade de potência de baixo custo para qualquer equipe interessada.
Em entrevista ao portal inglês The Race durante o fim de semana do GP da Inglaterra, o dirigente explicou que o objetivo é impedir que as grandes fornecedoras exerçam influência sobre as equipes para as quais fornecem motores. Essa questão, contudo, seria controlada pela federação, que impediria que o fornecimento fosse usado como moeda de troca em questões políticas ou esportivas.
“Não haverá controle de uma equipe sobre outra — da equipe A sobre a equipe B — por meio do fornecimento de motores. Se isso for financeiramente viável, teremos um único motor para o restante das equipes B, para que ninguém possa exercer pressão sobre elas e dizer: ‘Vote desta forma ou não vamos fornecer um bom motor para vocês'”, começou.
“Será um motor selecionado pela FIA e autorizado para uso pelas equipes. Assim, nós controlamos a neutralidade, controlamos o equilíbrio de poder e também a questão financeira. Não podemos simplesmente entregar isso e dizer: ‘Façam o que quiserem com X, Y ou Z’. Os preços podem subir ou cair, mas a FIA será sempre a árbitra”, acrescentou Ben Sulayem.

O presidente da FIA, porém, não detalhou como ficaria a situação para equipes que possuem uma relação muito próxima, como é o caso de Red Bull e Racing Bulls. Mas afirmou que toda a dinâmica de times sob a mesma propriedade poderá mudar na F1 — algo que já virou tema de debate algumas vezes, principalmente por parte de Zak Brown, CEO da McLaren.
“Estamos discutindo o que caracteriza uma equipe satélite e o que caracteriza uma equipe independente. Isso depende da estrutura de propriedade”, encerrou.
A Fórmula 1 volta de 17 a 19 de julho no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, décimo da temporada 2026.
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