A falta de estabilidade de vários pilotos no traçado do Hungaroring pode não ser culpa apenas do acerto dos carros. A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) tem monitorado as condições do asfalto da Hungria por causa do risco de descolamento da superfície em alguns pontos.

A informação é do portal britânico The Race deste sábado (25). O ponto de atenção é a última curva do traçado magiar, que apresenta irregularidades acima do previsto e tem facilitado os erros vistos ao longo das atividades.

A publicação explica que a impressão é de que o asfalto no local está se soltando. Com isso, além da superfície mais ondulada no traçado, a pista fora da trajetória ideal fica muito suja.

A qualidade do asfalto foi alvo de bastante reclamação dos pilotos depois dos treinos de sexta-feira. O assunto foi pauta na reunião dos pilotos, organizada pela FIA, na noite passada.

“É uma pena, porque Budapeste é um dos circuitos mais prazerosos de pilotar. Recapearam um terço da pista e, infelizmente, fizeram um trabalho muito ruim”, disse George Russell, que é diretor da Associação de Pilotos de Grand Prix (GPDA).

“Está muito irregular. Muita gente travou rodas na curva 1, e a pista está se esfarelando na última curva. Os pilotos estão passando mais pelo meio da curva, em vez de atingir o ponto de tangência (apex), o que é um pouco estranho”, completou.

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Russell foi um dos pilotos que criticaram bastante o asfalto da Hungria (Foto: Rodrigo Ruiz/Grande Prêmio)

Após a reunião, o diretor de prova, Rui Marques, foi ao local acompanhado de outros membros da FIA para fazer uma inspeção. Os organizadores do GP da Hungria, então, trabalharam em melhorias para nivelar a superfície do asfalto concentrando o trabalho em duas frentes: a trajetória ideal para os carros e a parte interna, usada em tentativas de ultrapassagem.

A publicação inglesa informou ainda que os problemas já eram de conhecimento há algumas semanas, quando Hungaroring recebeu outras categorias. Vale destacar que a pista passou por um recapeamento nas curvas 1 e 12. Alguns reparos foram feitos antes da etapa da F1.

O engenheiro-chefe da Pirelli, Simone Berra, explicou que o problema do asfalto impacta na redução do nível de aderência, que gera superaquecimento. “E, obviamente, a situação pode piorar volta a volta, algo que esperaria, especialmente em uma corrida com todos os carros andando juntos, e ainda mais se as temperaturas subirem nos próximos dias”, acrescentou.

Situação semelhante interrompeu o GP de Mônaco deste ano a dez voltas do fim. Na ocasião, Lance Stroll e Charles Leclerc bateram no mesmo ponto (a curva Anthony Noghes) por causa de uma parte do asfalto que havia se soltado. Após reparos emergenciais, a corrida recomeçou.

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