A Genial Investimentos, que lidera o consórcio responsável pelo desenvolvimento do Autódromo Parque de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, apareceu na investigação da terceira fase da Operação Carbono Oculto. O Banco Genial, que pertence ao grupo, participou de uma estrutura financeira de R$ 100 milhões que, segundo as autoridades, teria sido utilizada para ocultar os verdadeiros financiadores da compra da distribuidora de combustíveis Terrana. Ex-diretor da instituição, Humberto Arthur Tupinambá Neto está entre os principais alvos da nova etapa da operação.

O grupo ganhou relevância no automobilismo brasileiro por liderar, ao lado da Rock World — empresa que organiza o Rock in Rio —, o consórcio responsável pelo projeto do Autódromo Parque de Guaratiba, empreendimento apresentado pela Prefeitura do Rio em 2025. A proposta prevê uma pista de 4,7 km e estrutura com capacidade para até 120 mil pessoas nas imediações da Estação Mato Alto do BRT, além de áreas destinadas a outros eventos esportivos, culturais e corporativos.

O projeto está em fase de licenciamento ambiental e ainda não há prazo para o início das obras, que têm duração prevista de dois anos. A construtora que será responsável por levantar o complexo ainda não foi definida.

Essa investigação é um desdobramento da Carbono Oculto, que revelou uma estrutura de lavagem de dinheiro associada ao mercado de combustíveis e a um grupo criminoso ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo os investigadores, diferentes empresas, fintechs, fundos de investimento e estruturas societárias eram utilizados para movimentar recursos, esconder os beneficiários finais e dificultar a identificação da origem do dinheiro.

A terceira fase da Carbono Oculto, batizada de Operação Crédito Oculto, foi deflagrada em 24 de setembro pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal, com apoio de outros órgãos. Nesta fase, o foco foi ampliado para os operadores do mercado financeiro que teriam ajudado a viabilizar essas operações.

Projeto de autódromo em Guaratiba foi apresentado em 2025 (Foto: Divulgação)

No caso que envolve o Banco Genial, a investigação identificou uma operação de R$ 100 milhões relacionada à compra da Terrana. Segundo a Receita Federal, o dinheiro teria sido aplicado em Certificados de Depósito Bancário Vinculado (CDBV) emitidos pelo banco. A partir dessa operação, a instituição financeira concedeu crédito a duas empresas, Berna Holdings e Branson Holdings. De acordo com os investigadores, esses recursos foram utilizadas para adquirir 100% das cotas da distribuidora.

O mecanismo é descrito pelas autoridades como uma operação “casada”: o dinheiro aplicado pelo fundo serviu de lastro para os empréstimos concedidos às empresas que efetivamente realizaram a aquisição. Para os investigadores, a estrutura teria criado uma circulação financeira que dificultava identificar os verdadeiros financiadores e beneficiários da compra.

Humberto Tupinambá, ex-diretor do Banco Genial, é apontado pela investigação como participante do grupo investigado, que inclui ainda seus irmãos, André e Bruno Tupinambá, e lideranças do PCC, como Roberto Augusto Leme da Silva — conhecido como “Beto Louco” — e Mohamed Hussein Mourad — o “Primo”.

Segundo informações divulgadas durante a operação, Humberto teria participado das tratativas relacionadas à transferência de valores entre os envolvidos e o banco. Ele foi destituído do cargo de diretor em maio de 2026, após apurações internas da própria Genial.

Autódromo de Guaratiba terá 11 opções de traçados diferentes (Foto: Divulgação)

Em entrevista ao portal UOL, o CEO do grupo, Rodolfo Riechert, afirmou que a Genial não identificou, inicialmente, algo fora do padrão nas operações. Segundo o executivo, a movimentação de R$ 100 milhões representava uma parcela pequena diante do volume administrado pelo grupo e não seria suficiente, por si só, para indicar uma operação criminosa.

“A gente tem uma conduta respeitada. Somos um grupo de sócios que colocou o próprio dinheiro na empresa. O fundo investigado era uma operação de R$ 100 milhões de administração de um universo de bilhões que a gente administra. Não faria o menor sentido ‘sujarmos’ nossa reputação por isso”, afirmou Riechert ao UOL.

O CEO também explicou que o processo de análise das operações de crédito se concentrava, naquele momento, principalmente na capacidade de pagamento e nas garantias oferecidas. No caso dos CDBVs, Riechert afirmou que o risco de crédito era considerado menor porque havia lastro para os empréstimos. A Genial reconhece, porém, que seu departamento de compliance havia identificado anteriormente um alerta envolvendo Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, ligado ao fundo Radford utilizado na estrutura investigada.

O Radford já havia colocado a Genial no radar da primeira fase da Carbono Oculto, deflagrada em 2025. O fundo era administrado pelo grupo e tinha a Usina Itajobi como única cotista. Após a operação, a Genial renunciou à administração do fundo e abriu uma apuração interna para analisar o caso. Naquele momento, o Gaeco informou que o banco e seus gestores não eram investigados no procedimento.

Agora, segundo Riechert, a Genial reforçou a estrutura de compliance após as citações na operação. O executivo também contestou as conclusões de um processo administrativo separado do Banco Central, que em agosto de 2026 aplicou multa de R$ 21,56 milhões ao Banco Genial por falhas em controles de prevenção à lavagem de dinheiro, qualificação de clientes em operações de câmbio e comunicação de movimentações suspeitas ao Coaf. A instituição recorre das penalidades.

O GRANDE PRÊMIO questionou a Prefeitura do Rio de Janeiro sobre a participação do Grupo Genial no projeto do Autódromo Parque de Guaratiba, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria

A Fórmula 1 volta neste fim de semana, de 2 a 4 de outubro, na Malásia, que recebe o GP do Bahrein. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades em Sepang AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

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