George Russell não usou de blefe ao dizer antes do GP dos Países Baixos que a tática principal da Mercedes era tentar impedir a vitória da McLaren. No domingo (23), Lando Norris chegou pela segunda vez seguida ao degrau mais alto do pódio e já começa a correr por fora, mas a pergunta que fica é se realmente há alguma chance de sonhar com a briga pelo título contra Andrea Kimi Antonelli, que terminou na segunda posição e abriu ainda mais vantagem na ponta.
Claro que, matematicamente, o campeonato está aberto, afinal, restam, no mínimo, 258 pontos em jogo, considerando a inclinação da F1 em suspender Catar e Abu Dhabi e encerrar o ano com uma etapa na Europa no lugar. São, portanto, 25 da vitória de cada uma das dez corridas restantes, além dos 8 da sprint do GP de Singapura.
Norris é, no momento, o quarto colocado na classificação do Mundial de Pilotos, com 159 pontos. A diferença para Russell e Lewis Hamilton, à frente empatados com 183, já é menor que uma vitória (24), o que significa que mais um triunfo de Lando somado a um abandono de um dos dois muda o cenário completamente para as próximas etapas.
E Norris foi capaz de testemunhar que grandes viradas podem acontecer quando menos se espera. No ano passado, quando viu Oscar Piastri vencer o GP dos Países Baixos, Lando deixou a etapa na vice-liderança, 34 pontos atrás do colega de McLaren. E Verstappen vinha logo atrás, em terceiro, a distantes 104 do líder.
Essa história já foi contada algumas vezes. Piastri perdeu o rumo na etapa seguinte, na Itália, porém o mais impressionante foi a recuperação de Verstappen, que se valeu não apenas do progresso da Red Bull, como de inúmeros erros dos papaias. Norris acabou campeão por apenas 2 pontos de vantagem sobre Max, enquanto Piastri, antes líder com folga, fechou a temporada 2025 em terceiro, 13 atrás.
Norris deixou Zandvoort 83 pontos atrás de Antonelli (242 × 159) e teria, em tese, que tirar mais de 8 por etapa para virar o jogo em 2026. É totalmente possível, porém a McLaren precisa de Piastri, pois como a distância do primeiro para o segundo lugar é de 7 tentos, a melhor chance de fazer isso acontecer é com dobradinhas.

É por isso que, na prática, não será tão simples assim, e a Mercedes já fez essa conta, tanto que mandou Russell abrir passagem para Antonelli. Nos Países Baixos, mesmo andando no ritmo de Norris na sexta-feira e na classificação de sábado, Piastri não conseguiu se achar na corrida e chegou somente em sexto, atrás ainda dos dois carros da Ferrari.
Agora, há outro fator que deixa esse prognóstico ainda mais imprevisível: a confiabilidade. A McLaren viveu um pesadelo no início da temporada ao sequer largar para o GP da China com os dois carros por problemas de motor. Depois, no Canadá e em Mônaco, mais dois abandonos de Norris que custaram pontos vitais nessa briga.
Só que a Mercedes também enfrentou contratempos tanto com Russell quanto com Antonelli. No caso específico do italiano, uma falha na bateria e uma quebra na cobertura da roda o deixaram duas corridas sem pontuar. Por isso que há dois cenários hipotéticos aí, pois, se por um lado, Norris poderia estar muito mais próximo de Kimi, por outro, a vantagem do italiano já poderia ser além dos 100 pontos.
A próxima corrida será em Monza, circuito de alta velocidade que favorece os motores Mercedes. E como as duas competem com os propulsores alemães, a diferença será de quem conseguir levar à pista o melhor pacote aerodinâmico — algo, aliás, que a McLaren também já mostrou ser capaz de ter em circuitos com tais características, pois Norris só não brigou pela vitória em Spa-Francorchamps porque teve punição de grid a cumprir.
A Fórmula 1 volta nos dias 4 a 6 de setembro em Monza, palco do GP da Itália, 13ª etapa da temporada 2026.