Antes soberana na primeira metade da temporada 2026 da Fórmula 1, a Mercedes admitiu que sofre para investir em grandes pacotes de atualizações para o W17 por conta do orçamento limitado, ao contrário do que as rivais diretas Ferrari e McLaren apresentaram nas últimas etapas. Toto Wolff reiterou que isso acontece porque os alemães decidiram concentrar os esforços maiores em desenvolvimento já no início do ano.
Em vigor desde a temporada 2021 na F1, o teto orçamentário foi fixado em US$ 215 milhões (R$ 1,1 bilhão, na cotação mais recente) para este ano por causa da mudança no regulamento técnico — valor bem acima dos US$ 135 milhões (R$ 693 milhões) do ano passado.
No caso específico da Mercedes, boa parte do montante que seria usada para evoluir o carro foi utilizada para construir um projeto forte o bastante já para o começo do campeonato. Não por acaso as Flechas de Prata venceram os seis primeiros GPs com facilidade, o que ajudou Andrea Kimi Antonelli, vencedor de cinco deles, a sair do GP de Mônaco 66 pontos à frente de Lewis Hamilton.
O cenário, no entanto, começou a mudar de Barcelona em diante. Para se ter uma ideia, até o GP da Hungria, o time alemão aparecia em penúltimo no ranking de atualizações permanentes, com 20, enquanto Ferrari e McLaren somavam 30 e 29, respectivamente.
O último grande pacote da Mercedes estreou no Canadá, há sete corridas. Wolff explicou em coletiva de imprensa acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO em Zandvoort que a Mercedes “não tem recursos para financiar desenvolvimentos a crédito”.
“Tentamos distribuir isso de forma equilibrada ao longo da temporada, com base em cálculos sobre quando podemos trazer as maiores atualizações e otimizar a pontuação no campeonato. Mas só podemos fazer o que está ao nosso alcance”, salientou.

“É por isso que existe uma corrida pelo desenvolvimento. Quando uma atualização é trazida, cada uma das principais equipes consegue ganhar alguns décimos de segundo, pelo menos. E é isso que se perde em relação a elas. Então a jornada tem sido um pouco mais difícil do que no início do ano”, completou.
Em seguida, Wolff voltou a lançar dúvida quanto à capacidade de McLaren e Ferrari continuarem o trabalho de desenvolvimento no mesmo ritmo até o final do ano.
“Veremos, perto do fim da temporada, se elas conseguirão implementar tantas novidades no carro quanto fazem agora. Algumas equipes podem adotar uma estratégia diferente, gastando mais no início e no meio do ano do que na reta final”, concluiu.
Antonelli lidera o Mundial de Pilotos com 242 pontos, 59 a mais que George Russell e Lewis Hamilton, empatados com 183. Lando Norris é o quarto, com 159, mas venceu as duas últimas corridas do ano (Hungria e Países Baixos).
A Fórmula 1 volta de 4 a 6 de setembro em Monza, palco do GP da Itália, 13ª etapa da temporada 2026.