A volta da Fórmula 1 a Sepang veio acompanhada de enorme expectativa sobre a Mercedes. Sem introduzir um pacote de atualizações de grande porte desde a etapa do Canadá, em maio, a equipe alemã desembarcou com revisões profundas no assoalho e nos perfis do W17, estimando, segundo Andrea Kimi Antonelli, até 0s3 de ganho por volta. No entanto, após as duas primeiras sessões de treinos livres nesta sexta-feira (2), válidos pelo GP do Bahrein, a resposta para a pergunta se a promessa se concretizou na pista é mais complexa do que um simples ganho no cronômetro.
Do ponto de vista puramente aerodinâmico, os dados de telemetria colhidos no TL1 e no TL2 indicam que o pacote funciona. George Russell e Antonelli mostraram forte desempenho nos trechos de alta velocidade do setor 2, comprovando que o assoalho revisado gerou a pressão aerodinâmica projetada pelas simulações.
O problema é que o ganho bruto de 0s3 no mapa aerodinâmico esbarrou nas características extremas do circuito malaio. Na tabela de tempos do TL2, a Mercedes terminou apenas na sétima colocação com Russell (1min38s020) e em oitavo com Antonelli (1min38s060), cerca de 0s5 atrás do líder, Charles Leclerc, com a Ferrari. No TL1, Russell foi o segundo, mas ficou a 0s383 de Max Verstappen, que liderou a sessão inicial com a Red Bull sem um pacote massivo de atualizações.
Quanto às simulações de corrida, Russell e Antonelli, de médios, ficaram com 45s565 e 45s865, respectivamente. Com o mesmo tipo de composto, a McLaren foi a melhor, com 44s231 e 44s412, Lando Norris à frente de Oscar Piastri.

Já no TL2, Antonelli puxou a fila com os médios ao alcançar 44s340 — melhor, inclusive, que a simulação com os macios, em 44s596. Um tempo, todavia, também alcançado por Leclerc com o composto C4 ao fazer oito voltas em 44s582 de média. Quando olhamos para Russell, a leitura fica ainda mais cinzenta: ele fez dois stins seguidos de macios (um de seis e outro de oito voltas) e ficou com 45s208 de média — ou seja, cerca de 0s7 acima da média de Antonelli com o mesmo composto.
O gargalo do asfalto “lixa” e o superaquecimento
A grande vilã para a conversão imediata dessas atualizações em tempos de volta foi a temperatura da borracha. Como o asfalto de Sepang apresenta nível recorde de abrasividade na temporada 2026 até aqui, a carga extra gerada pelo novo assoalho acabou exigindo ainda mais da superfície dos pneus macios (C4).
Pelo rádio no TL1 e ao longo dos testes do TL2, Russell relatou que o conjunto dianteiro perdia aderência antes mesmo do fim do último setor de uma volta lançada. Ou seja: a velocidade ganha nas curvas de média e alta devido à maior pressão aerodinâmica acabou sendo cobrada na forma de superaquecimento e perda de tração nas saídas das curvas lentas no final da volta. “Parece que somos um caso atípico em relação a essa queda de rendimento”, reportou no primeiro treino do dia.

Veredito dos treinos livres
A Mercedes de fato encontrou mais desempenho no carro, mas o comportamento dos pneus aliado às condições ainda incertas de Sepang não geraram o ganho de 0s3 inicialmente projetado. Na verdade, o entendimento pela diferença de performance entre Russell e Antonelli em long runs é que a equipe usou a sexta-feira para entender melhor o comportamento do carro no traçado novo em vez de focar o ritmo puro em volta rápida. O time de Brackley, portanto, entra no sábado de classificação precisando ajustar o acerto dinâmico para evitar que o ganho aerodinâmico continue destruindo os pneus prematuramente.
O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP do Bahrein, em Sepang, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP do Bahrein na Malásia de F1: veja os horários no Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
Horários no Brasil*
Sábado (3)
- Classificação: 05:00
Domingo (4)
- Corrida: 04:00
Horários em Cabo Verde
- Sábado (3)
- Classificação: 07:00
Domingo (4)
- Corrida: 06:00
Horários em Portugal e Angola
Sábado (3)
- Classificação: 09:00
Domingo (4)
- Corrida: 08:00
Horários em Moçambique
Sábado (3)
- Classificação: 10:00
Domingo (4)
- Corrida: 09:00
*Horários de Brasília
Perguntas frequentes
A Mercedes confirmou os 0s3 de ganho em Sepang?
Ainda não. George Russell mostrou desempenho competitivo no TL1, mas os treinos não produziram uma comparação capaz de comprovar que o pacote entregou exatamente os 0s3 projetados pelos engenheiros.
Por que a Mercedes terminou apenas em sétimo e oitavo no TL2?
Russell e Antonelli não conseguiram completar voltas representativas com pneus macios. Os melhores tempos dos dois foram registrados com médios, enquanto os seis pilotos à frente utilizaram os macios em suas voltas mais rápidas.
O que a Mercedes precisa avaliar antes da classificação?
Além de extrair o potencial máximo das atualizações em uma volta, a equipe precisa entender a degradação dos pneus e o comportamento do carro em stints longos, dois fatores especialmente importantes nas condições quentes e abrasivas de Sepang.