Depois de mais uma temporada difícil sob o novo regulamento técnico da Fórmula 1, que entrou em vigor no início de 2022, a Mercedes viu a Red Bull passear no campeonato, vencer 21 de 22 corridas e garantir os dois títulos em disputa com uma facilidade histórica. Além disso, a única vitória que não ficou com os taurinos foi de Carlos Sainz, da Ferrari, o que significa que o time alemão não subiu ao lugar mais alto do pódio pela primeira vez desde 2011.

A distância da Red Bull em relação às rivais é tão grande que, neste momento, parece difícil imaginar uma reviravolta no campeonato antes da nova revolução da categoria, prevista para 2026 — com a introdução de novos motores e também a estreia de novos carros. Toto Wolff, chefe da Mercedes, porém, fez questão de ressaltar que não quer esperar a mudança de regulamento para voltar a pensar em brigar pelo título.

“Não quero desistir da recuperação e dizer: ‘vamos esperar por 2026, com novos carros e novos motores'”, garantiu Wolff ao portal inglês Motorsport. “Temos mais dois anos importantes pela frente. Quero ver, como um atestado das forças da equipe, que somos capazes de nos recuperar e disputar títulos. Este é nosso objetivo”, frisou.

Apesar das ambições, entretanto, Toto reconhece que o caminho das Flechas de Prata é árduo. Octacampeã consecutiva de Construtores entre 2014 e 2021, a equipe só venceu uma corrida nos últimos dois anos, com George Russell no GP de São Paulo de 2022, e teve apenas a pole de Lewis Hamilton na Hungria como ponto alto este ano.

O W14 é o primeiro carro da Mercedes a não conseguir vencer desde o W02 de 2011 (Foto: Mercedes)

Segundo Wolff, as evoluções de Aston Martin — durante a pré-temporada — e McLaren — com o campeonato em andamento — provam que as equipes precisam “encontrar algo” que desbloqueie potencial no carro. Além disso, é necessário produzir um monoposto que aumente a confiança de seus pilotos, algo que a Mercedes não conseguiu com W13 e W14.

“Olhando para nossas chances, é muito difícil”, admitiu. “Observando as performances de outras equipes, o que a Aston Martin fez durante o inverno e como a McLaren recuperou 1s com uma atualização que eles esperavam ganhar 0s25, há um ponto-chave que você precisa encontrar e que desbloqueia um potencial maior”, pontuou.

“Acho que a principal contribuição seria os pilotos terem um carro em que possam confiar”, comentou Wolff. “E isso é algo que eles não têm neste momento”, finalizou o chefe da Mercedes.

Wolff reconhece que a Mercedes está em uma situação difícil na F1 (Foto: Rodrigo Berton/Warm Up)

A Mercedes terminou a temporada com 409 pontos conquistados, 234 de Hamilton e 175 de Russell. A campanha foi suficiente para garantir o segundo lugar nos Construtores, apenas três tentos à frente da Ferrari. Com 860, a Red Bull foi campeã sem grandes dificuldades.

Com a temporada encerrada, a Fórmula 1 retorna apenas no ano que vem, no dia 2 de março, com a estreia do campeonato no GP do Bahrein.

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