A Mercedes segue como a força a ser batida neste início de temporada da Fórmula 1, mas o sábado (14) na China ratificou um cenário dos mais interessantes não só para a corrida deste domingo, como também para o campeonato em si. É que a esquadra alemã tem pontos fracos e que, se bem explorados, podem render frutos aos rivais. Por ora, o time de Toto Wolff sai na primeira fila, com a pole de um danado Kimi Antonelli, o mais jovem da história a conquistar a posição de honra do grid. Mas as Ferrari partem logo atrás, e aqui é onde reside a preocupação da marca da estrela de três pontas e a esperança de uma F1 mais imprevisível.
Importante destacar que a equipe alemã segue favorita, mas é igualmente verdadeiro dizer que a distância para a escuderia italiana é muito menor em Xangai, uma pista menos atípica e que proporciona uma melhor eficiência em termos de gestão da energia. O recarregamento da bateria, até por conta das retas, acaba sendo muito mais fácil do que em Melbourne, um dos circuitos mais problemáticos neste sentido. Até por isso a corrida curta mostrou um desempenho mais próximos entre as duas rivais e, na classificação de hoje, a vantagem das Flechas de Prata em comparação aos carros vermelhos caiu de 0s8 para menos de 0s4. Lewis Hamilton e Charles Leclerc vão dividir a segunda fila e são uma ameaça à esquadra de Brackley. Não só pela performance apresentada na sprint, mas também diante da excelência em termos de largada.
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O caso é que a Mercedes tem, sim, uma questão a ser resolvida com a largada — e não é algo isolado, muita gente também sofre para ajustar a bateria para o momento do apagar das luzes. O problema é que Antonelli tem tido mais dificuldades do que George Russell, que sai em segundo logo mais. Na Austrália, o italiano caiu no pelotão após ficar parado no grid e o mesmo aconteceu na sprint — vencida por Russell. Necessário destacar ainda que Russell também não teve um início espetacular em ambas as ocasiões. O inglês enfrentou problemas em Melbourne e, de novo, na corrida curta de hoje, em que acabou por perder a liderança logo de cara. Enquanto isso, a Ferrari pulou à frente nas duas oportunidades, partindo para o ataque. A SF-26 leva vantagem porque a unidade de potência tem um turbocompressor mais compacto e que entra na janela de operação mais facilmente que a concorrência.
Tanto que a primeira parte da sprint foi totalmente centralizada no combate entre Russell, Hamilton e Leclerc. Mais atrás, Kimi tentava a recuperação. Com o desenrolar da prova curta, o britânico da Mercedes foi capaz de vencer os carros vermelhos, apenas porque soube poupar os pneus — o que parece ser a chave neste fim de semana. Por isso, seria imprudente por parte da equipe alemã descartar os italianos de um cenário de briga pelo triunfo nesta madrugada. E há outro ponto também: a confiabilidade segue como um aspecto de atenção. O W17 de Russell apresentou falhas durante a classificação e, por pouco, não deixou o inglês na mão. É bom lembrar que a esquadra teve problemas durante a pré-temporada e segue cautelosa.
Então, a realidade é que a Mercedes tem, sim, querelas para resolver, e isso é um alento para concorrência. É claro que se tudo ocorrer dentro da normalidade, uma nova vitória deve se repetir neste domingo. Mas será preciso driblar a fúria da Ferrari nas primeiras voltas. A grande aposta dos vermelhos está realmente na arrancada assustadora e na possibilidade de um forte embate, pensando no desgaste dos pneus. Tentar inverter o que aconteceu na sprint e ir ao ataque.
Ferrari engole carros da Mercedes na largada da sprint da China (Vídeo F1TV/Reprodução)
“É difícil tirar conclusões estatísticas de apenas duas corridas, mas é verdade que em Melbourne estávamos 0s8 atrás da Mercedes, ontem 0s6, e hoje estamos cerca de 0s4 atrás. Isso significa que estamos indo na direção certa, mas eles ainda são um pouco mais rápidos do que nós nas retas, então precisamos continuar pressionando nessa direção. Conseguimos lutar por algumas voltas na sprint, mas amanhã tentaremos fazer algo a mais”, reconheceu Frédéric Vasseur, o chefão dos italianos.
“Os pneus parecem estar no limite aqui. Temos um jogo de pneus médios e duros para usar e acho que seremos melhores, porque conhecemos bem a pista agora. Até agora, tivemos um bom começo de corrida. E é verdade que essa é uma das nossas forças, mas os outros também vão melhorar. Estamos melhorando na classificação, eles vão melhorar na largada”, ponderou.
Mesmo diante de uma degradação acentuada dos compostos em Xangai, a Pirelli entende que a tática de um pit-stop pode funcionar bem, no uso dos médios e duros — muito embora não descarte o uso dos pneus macios e de uma eventual segunda visita aos boxes. “A estratégia de uma parada é claramente a mais rápida para amanhã. A escolha entre pneus médios ou macios para a largada provavelmente dependerá da posição no grid ou da disposição do piloto em adotar uma abordagem mais agressiva na largada. Em ambos os casos, o stint mais longo até a bandeirada será com pneus duros, com trocas entre as voltas 17 e 23, ou entre as voltas 15 e 21. As duas opções são muito próximas em termos de tempo total de corrida”, alertou Dario Marrafuschi, chefe da fabricante italiana.

“Com uma tática de duas paradas, as combinações mais rápidas envolvem completar os dois últimos stints com dois jogos de pneus duros, desde que as equipes ainda os tenham disponíveis para a corrida. Teoricamente, começar com pneus macios parece mais eficaz do que começar com pneus médios.”
De fato, a escolha de pneus e o consumo serão fundamentais, ainda levando em conta a possibilidade de uma corrida menos limitada do que na semana passada, na Austrália. E se a Mercedes tem de se preocupar com a Ferrari, a equipe italiana também não pode perder de vista a McLaren, que parte na terceira fila, com Oscar Piastri à frente de Lando Norris. A sprint mostrou que o time laranja ainda precisa de um pouco mais de velocidade, mas pode tornar a vida dos vermelhos mais difícil, a depender das circunstâncias. De toda a forma, nem tudo parece ser o que é em Xangai.
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