Quem acordou para assistir ao GP da Alemanha na manhã daquele 30 de julho de 2000 jamais imaginou que seria um dia histórico para o automobilismo brasileiro e mundial. Afinal, Rubens Barrichello, de Ferrari, sofreu na classificação e alinharia apenas do 18º lugar no grid.

Naquela data, inclusive o mundo vivia expectativas que esperávamos viver em 2020, não fosse a pandemia. Um exemplo é a corrida eleitoral pela presidência dos Estados Unidos, que seria disputada pelo então governador do Texas, George W. Bush, e o vice-presidente, Al Gore. O embate nas urnas é um dos mais polêmicos da história americana.

A expectativa também era gigante para os Jogos Olímpicos de Sydney, que aconteceram entre setembro e outubro daquele ano. Em julho, os últimos torneios preparatórios aconteciam. Maior estrela do esporte brasileiro naquela época, Gustavo Kuerten venceu o Torneio de Roland Garros em maio e era a grande esperança de uma medalha no tênis. Mal sabia o Brasil que aquela seria a única edição das últimas dez Olimpíadas sem um posto no lugar mais alto do pódio.

Guga celebra segundo título em Roland Garros (Foto: Martin Rose)

O futebol brasileiro vivia uma das grandes crises de sua história. Além das atuações ruins da Seleção, o Campeonato Brasileiro não pôde ser iniciado por um imbróglio jurídico criado na edição anterior, na conta do famoso Caso Sandro Hiroshi. A solução foi um acordo com o Clube dos 13, que organizou um inchado torneio, a Copa João Havelange, ratificada pela CBF como a edição do Brasileirão daquele ano.

Curiosamente, o campeonato começou no mesmo fim de semana do GP da Alemanha. Goiás × Corinthians e Juventude × Flamengo foram os jogos transmitidos pela Globo.

O Mundial de Fórmula 1 do novo milênio chamava atenção pelos contornos dramáticos que ganhava. Michael Schumacher parecia encaminhar o título com facilidade ao se aproveitar dos problemas da McLaren e vencer as três corridas iniciais, mas viu Mika Häkkinen e David Coulthard crescerem na disputa.

Michael Schumacher bateu com Giancarlo Fisichella na largada do GP da Áustria (Foto: Rainer Schlegelmilch)

Para piorar, o alemão da Ferrari amargou uma quebra de motor na França e um acidente na largada do GP da Áustria. Desembarcou em sua corrida de casa, em Hockenheim, com apenas 6 pontos de vantagem para Coulthard e 8 para Häkkinen.

E afinal, que passos algumas das estrelas do automobilismo estavam dando em julho de 2000? O GRANDE PRÊMIO separou alguns deles aqui.

Fernando Alonso

Fernando Alonso com troféu na F-3000 (Foto: Sutton Images)

O espanhol tinha 19 anos de idade e já flertava bastante com a Fórmula 1. Com apoio da Minardi, assegurou uma vaga no grid da F-3000 Internacional, equivalente ao que é a Fórmula 2 nos dias atuais. No dia anterior da vitória de Barrichello, correu em Hockenheim pela categoria, mas acabou abandonando a prova vencida por Tomáš Enge.

Alonso terminou o campeonato na quarta posição e garantiu contrato com a Minardi para correr na F1 em 2001.

Kimi Räikkönen

Em setembro de 2000, Räikkönen testou um F1 pela primeira vez (Foto: Reprodução)

Kimi estava com 20 anos e nos passos iniciais de sua carreira nos monopostos após se destacar bastante no kart. Com sete vitórias em dez corridas, ele conquistou o título da Fórmula Renault Britânica. Meses depois garantiria o primeiro teste em um F1 pela Sauber.

Räikkönen assinou com o time suíço em 2001 cercado de polêmica e rejeição de pilotos e da FIA, que entendiam que o finlandês não tinha experiência suficiente para estar no grid.

Lewis Hamilton

Com 15 anos, o futuro hexacampeão já chamava muita atenção no kartismo ao ponto de ser incluído no programa de jovens pilotos da McLaren. Em 2000, Hamilton conquistou o título europeu da Fórmula A, uma das principais categorias do kart. Foi a última temporada de Lewis antes da transição aos monopostos, que veio no ano seguinte.

Nico Rosberg

Rosberg e Hamilton conversam nos tempos de kart (Foto: Reprodução)

E o vice-campeão da Fórmula A em 2000 foi… Nico Rosberg. Aos 15 anos, o alemão era companheiro de equipe de Hamilton na Team MBM.com (Mercedes-Benz McLaren). O time dos sonhos do kartismo foi uma ideia do pai, Keke, passada ao chefe de equipe Dino Chiesa, um dos mais respeitados do mundo do kart.

“Desde o começo da temporada, Hamilton era muito rápido. Para reverter, Nico começou a trabalhar duro para chegar à frente, o que conseguia nos treinos e na corrida. Ele não hesitou em sujar as mãos para trabalhar no kart, estava sempre procurando o melhor acerto e estudou os dados detalhadamente. Era um perfeccionista que adorava reuniões com os mecânicos. O trabalho realizado por Nico muitas vezes beneficiou Lewis”, detalhou Chiesa em entrevista ao site da FIA.

Felipe Massa

Felipe Massa nos tempos de F-Renault (Foto: Reprodução)

Aos 19 anos, Massa anteriormente se destacou no Brasil e passou a competir na Europa, correndo na F-Renault Eurocup e a F-Renault Itália. O brasileiro saiu com o título nas duas categorias, dando um importante passo para a vaga na Fórmula 1, que viria dois anos depois, nas mãos da Sauber.

Max Verstappen

Jos Verstappen com o filho Max na Arrows (Foto: LAT Images)

Apesar de iniciar a carreira cedo demais, existe até um limite para Max Verstappen, que tinha apenas 2 anos de idade em julho de 2000. O nome da família em evidência era o pai, Jos, que estava de volta ao grid da Fórmula 1 correndo pela Arrows. Foi com o bólido que o piloto, então com 28 anos, conquistou um quinto lugar no GP do Canadá, seus primeiros pontos desde 1996. O carro era rápido, mas muito frágil em termos de confiabilidade, o que prejudicou o ano da equipe, apenas 7ª no Mundial de Construtores.

Charles Leclerc

Assim como Verstappen, Charles Leclerc também estava com 2 anos de idade na época da corrida. A carreira do monegasco no kart começaria apenas em 2005.