Talvez nem o mais pessimista torcedor da Ferrari (se é que ele existe) poderia imaginar que a diferença entre Lewis Hamilton e Andrea Kimi Antonelli antes da pausa da F1 para as férias seria de 50 pontos. Claro que é uma realidade que casa com o domínio da Mercedes e a forma como o jovem italiano se encaixou tão bem ao W17, só que a vitória do heptacampeão no GP de Barcelona-Catalunha demonstrou que havia ali forças para lutar por mais. E de fato haveria mais, não fossem os sucessivos erros acumulados dali em em diante que, se colocar na ponta do lápis, já custaram até outras vitórias.
Hamilton saiu de Barcelona nos braços dos tifosi, regozijante pelo reencontro com as vitórias e pelos claros sinais de que poderia, sim, entrar na briga pelo campeonato, por mais que a vantagem do motor Mercedes ainda parecesse um tanto inalcançável. Mas as coisas começaram a desandar na etapa seguinte, na Áustria, quando a Ferrari achou que conseguiria novamente dar o bote com uma parada a mais que as demais rivais sem contar com circunstâncias extrapista.
Não foi assim, até pelo ritmo bem abaixo da SF-26 comparado ao dos carros de Mercedes e de Max Verstappen. O terceiro lugar no grid de largada virou um quinto lugar na corrida — 5 pontos, no mínimo, desperdiçados em um final de semana que Antonelli abusou dos erros e foi superado por George Russell.
A parada seguinte foi em casa, na Inglaterra. Era, porém, páreo duríssimo para a Ferrari por conta das características da pista, de alta velocidade e muito mais favorável à unidade de potência da Mercedes. Só que a equipe de Maranello conseguiu uma boa preparação e surpreendeu já na largada, com Charles Leclerc e Hamilton assumindo primeiro e segundo lugares, respectivamente.
O que ninguém esperava era que o salto de Lewis fosse decorrente de uma queima de largada que rendeu 5s. Depois foi a vez da Ferrari se equivocar ao pará-lo no safety-car provocado pela batida de Max Verstappen no fim quando vinha em segundo para completar com Leclerc uma dobradinha inimaginável. Acabou terminando em terceiro, perdendo posição justamente para Russell.
O lance foi ainda mais doloroso se for levado em conta que Antonelli apanhou da confiabilidade mais uma vez, deixando Silverstone sem pontos. Ou seja, na prática, caso a Ferrari realmente tivesse pensado em capitalizar todas as chances de pontos pensando no título, Hamilton poderia até ter vencido, descontando 25, e não 15 pontos.

Na Bélgica, mais problemas. Novamente em uma pista difícil, Hamilton acertou Russell ainda na primeira volta e tomou 5s de punição. Quando foi pagar a sanção nos boxes, a falha na comunicação da equipe com os mecânicos quase provocou um acidente sério quando Lewis arrancou com o carro e acertou o profissional que faria ajustes na asa dianteira. Foi mais uma chance de brigar pelo pódio perdida e 3 pontos desperdiçados.
Na Hungria, a situação foi ainda pior, pois o que se viu foi uma pane coletiva. Depois de uma sexta-feira dominante, a Ferrari simplesmente perdeu ritmo, mas Hamilton ainda conseguiu colocar a SF-26 na primeira fila. No entanto, perdeu três posições por atrapalhar a volta rápida de Oscar Piastri em mais um erro do time ao não avisá-lo do carro que vinha atrás.
Largou em sétimo, tomou 5s na corrida por exceder o limite de velocidade nos boxes, terminou em quinto. Considerando o potencial — ou melhor, a obrigação — de vencer, pode-se dizer facilmente que foram outros 15 pontos perdidos. No duelo contra Antonelli, Lewis viu o italiano abrir mais 5 tentos na classificação (15 do terceiro de Kimi contra 10 do quinto posto).
| PONTOS PERDIDOS POR HAMILTON NAS ÚLTIMAS 4 ETAPAS DA F12026 | |||||
| ÁUSTRIA | INGLATERRA* | BÉLGICA | HUNGRIA* | TOTAL | |
| Virtuais pontos perdidos | 5 | 10 | 3 | 15 | 33 |
| Reais pontos perdidos | 5 | 3 | 3 | 5 | 16 |
*Ferrari teve possibilidade de vitória
Nas últimas quatro corridas, Hamilton perdeu, em teoria, 33 pontos, se for levado em conta as chances de vitória que surgiram na Inglaterra e na Hungria. Na prática, foram 16 que escapuliram e que poderiam deixá-lo em situação menos desconfortável não apenas em relação a Antonelli, que se consolida a cada etapa como homem a ser batido, como também no embate contra Russell, que agora está a somente 9 pontos de distância.
Ainda tem muita coisa pela frente — 316 pontos em jogo, contando com o GP do Bahrein/Malásia e Catar e Abu Dhabi, que ainda constam no calendário —, mas em um Mundial que já viu decisões por apenas 1 ponto, perder tanta coisa por erros que poderiam ter sido evitados não vai passar em branco. E a conta vai chegar logo, logo.
A Fórmula 1 agora entra de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
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