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Primeiro-ministro da Austrália pede para Fórmula 1 cancelar GP da Rússia após invasão
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Primeiro-ministro da Austrália pede para Fórmula 1 cancelar GP da Rússia após invasão

A delicada situação no leste europeu, após a Rússia invadir a Ucrânia, causou revolta de diversos governantes. O primeiro-ministro australiano, por exemplo, pediu que todos os eventos esportivos internacionais programados para o território russo sejam cancelados em 2022

Pedro Luis Cuenca

Publicado em
COMO FOI O SEGUNDO DIA DA PRÉ-TEMPORADA DA FÓRMULA 1 2022 EM BARCELONA | Briefing

A escalada de tensão no leste europeu, com ataques do exército russo no território ucraniano, movimenta também o paddock da Fórmula 1. A categoria vai discutir a realização do GP da Rússia, programado para 25 de setembro, em Sóchi, mas sabe que alguns políticos já trabalharam nos bastidores para evitar a etapa, que será a 17ª da temporada 2022.

Scott Morrison, primeiro-ministro da Austrália, solicitou à Fórmula 1 para cancelar a etapa da Rússia deste ano por conta do conflito do país com a Ucrânia, iniciado na última quinta-feira (24) após ordens do presidente russo Vladimir Putin para seu exército avançar em diferentes frentes do país vizinho.

Nas redes sociais, Morrison elogiou a postura da esquiadora Danielle Scott, que estava na Rússia para uma competição, mas abandonou o evento depois do início do conflito. Além disso, destacou que outros esportes devem evitar a região neste momento. A final da Liga dos Campeões, maior torneio de futebol da Europa, foi tirada de São Petersburgo e transferida para Paris, na França.

Sóchi deixará o calendário da F1 em 2022, mas etapa pode nem acontecer (Foto: Haas)

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“Todos os eventos esportivos na Rússia devem ter suas autorizações suspensas por todos as federações internacionais, incluindo a corrida da Fórmula 1 em Sóchi”, escreveu o governante em uma rede social.

As equipes da Fórmula 1 se reuniram na noite de quinta-feira (24), em Barcelona, para discutir os efeitos da invasão russa na Ucrânia. Em nota divulgada antes do início do segundo dia de testes em Barcelona, a categoria afirmou monitorar o desenrolar da situação e optou por não comentar sobre a realização ou não da corrida.

Stefano Domenicali, diretor-executivo do Liberty Media, comentou sobre a observação. “A Fórmula 1 está tentando controlar a situação. Temos uma reunião entre nós para entender a situação e como lidar. A F1, nesta situação, não é o mais importante. O que acontece lá é muito triste”, afirmou.

“No momento, nós podemos apenas tentar ter, entre nós, a discussão e entender as implicações, e qual a melhor escolha para o futuro. Mas a F1, nesta situação, não é a mais importante. O mais importante é o que acontece lá, e como disse, é muito triste”, completou.

Os efeitos da invasão russa já começam a aparecer na F1. A Haas, que utilizou um carro no jogo de cores da bandeira da Rússia desde o ano passado, tirou tudo após invasão da Ucrânia, inclusive o maior patrocinador da equipe.

Sóchi recebe a F1 desde 2014 (Foto: Mercedes)

Entenda o conflito entre Rússia e Ucrânia:

Na última segunda-feira (21), o presidente russo Vladimir Putin reconheceu, em decreto, a independência das províncias separatistas de Donetsk e Luhansk. O movimento gerou sanções da União Europeia e dos Estados Unidos ao governo e a empresas russos, aumentando também o medo de um confronto na região.

A tensão escalou de vez no leste europeu nesta quinta-feira (24), já que a Rússia atacou a Ucrânia em um movimento classificado por Kiev como uma “invasão total”. Às 5h45 [23h45 de quarta-feira, no horário de Brasília], Putin anunciou em um pronunciamento uma “operação militar especial” para “proteger a população do Donbass”, uma área de maioria étnica russa no leste ucraniano.

O comando militar russo alega que “armas de precisão estão degradando a infraestrutura militar, bases aéreas e aviação das Forças Armadas da Ucrânia”. De acordo com a rede britânica BBC, há relatos de tropas cruzando diversos pontos da fronteira e explosões perto das principais cidades do país ― não só no Donbass, onde grupos separatistas foram reconhecidos pela Rússia.

Na TV, Putin afirmou que a Rússia não planeja uma ocupação da Ucrânia, mas ameaçou com uma resposta “imediata” qualquer um que tente interromper a operação atual. O mandatário russo recomendou que os soldados ucranianos se rendam e voltem para casa. “Do contrário, a própria Ucrânia seria culpada pelo derramamento de sangue”, avisou.

Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky decretou lei marcial em todo o país, instaurando regime de guerra e convocando grande parte dos reservistas das forças armadas. Nas últimas horas, são inúmeras as imagens de cidadãos ucranianos tentando fugir da capital Kiev de carro ou utilizando transporte público, mas o trânsito está bastante engarrafado. Há filas em caixas eletrônicos e supermercados.

Segundo autoridades ucranianas, há ao menos sete mortos e 19 desaparecidos até agora. A crise militar é uma das maiores desde a Segunda Guerra Mundial e a mais grave da Europa envolvendo uma potência nuclear.

Carro da Ferrari quica várias vezes no meio da reta de Barcelona (Vídeo: F1)