Estava avisado desde o começo da semana passada, em meio à onda de calor que assola a Europa, mas a temperatura foi uma questão seríssima com a qual pilotos e equipes tiveram de lidar no GP da Áustria, em Spielberg, no último fim de semana. Com asfalto viajando para além dos 50°C, a situação causou problemas ao longo do fim de semana, mas serviu de solução para George Russell, que voltou a vencer.

RUSSELL SOBREVIVE NA BRIGA POR TÍTULO DA F1 COM VITÓRIA NA ÁUSTRIA OU É POUCO? | Paddock GP

Por mais o público inteiro soubesse, intelectualmente falando, que Russell voltaria a vencer em algum momento, algo que não fazia desde o GP da Austrália que abriu o campeonato, a sensação era de que não aconteceria. Coisas fora do comum apareciam, como o abandono repentino no Canadá ou o golpe de sorte da Ferrari em Barcelona. Agora, não. Numa prova em que princípio de caos e azar abraçaram tanta gente, Russell escapou intocado. Não venceu de maneira dominante, mas tampouco foi incomodado.

Max Verstappen mostrou novamente que faz bonito quando se entende com o carro e escalou até o segundo lugar, sem que Andrea Kimi Antonelli levasse vantagem na briga direta. O líder do campeonato sai com mais um pódio e ainda a liderança confortável. Para Lewis Hamilton, depois da vitória na última prova, fica o amargor pela bandeira amarela no momento errado, que desencadeou perda de posições e mudança de estratégia. No fim das contas, o que coube a ele foi o quinto lugar.

Gabriel Bortoleto, por sua vez, ficou no quase do 11º lugar pela terceira corrida consecutiva, uma demonstração de como a Audi tem vivido momentos complicados para se destacar no pelotão intermediário por mais que tenha um carro superior ao da primeira parte do campeonato. Nico Hülkenberg foi o 12º, logo atrás do companheiro, e continua sem pontos em 2026.

Fórmula 1 volta de 3 a 5 de julho no GP da Inglaterra, oitavo da temporada 2026, em SilverstoneAs notas do Ranking GP são distribuídas por Gabriel Carvalho, João Pedro Nascimento, Luana Marino e Pedro Henrique Marum.

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George Russell (Foto: Mercedes)

1º) George Russell – 9.0 – Uma vitória tranquila, o que é impressionante dadas as condições do fim de semana. Muito calor para causar superaquecimentos e problemas mais sérios, interrupções da corrida e alternativas causadas pelas muitas paradas. Mesmo assim e sem que conseguisse se desgarrar completamente dos rivais, venceu sem ser realmente ameaçado. Talvez agora a confiança acompanhe.

2º) Max Verstappen – 9.0 – Demorou um pouco, mas Verstappen se entendeu com o carro nos momentos cruciais do fim de semana e viveu um dia de liberdade absoluta. Sem o peso do favoritismo ou de alguma má fase, com atualizações dispostas e podendo atacar, foi bem e venceu brigas ótimas com Antonelli e Hamilton para ir ao pódio.

3º) Andrea Kimi Antonelli – 7.5 – Abaixo de Russell, ainda descolou um pódio. Não fez etapa brilhante, não, mas com ampla dianteira em relação aos rivais pelo campeonato, pode administrar dias assim.

4º) Oscar Piastri – 8.0 – Para quem disse que “não tinha ritmo”, Piastri até que foi bastante bem e levou a melhor, com certa sorte para superar Lewis Hamilton, é verdade, mas foi. O quarto lugar, de fato, era o melhor que a McLaren tinha a ofercer.

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Max Verstappen e Lewis Hamilton protagonizaram boa briga (Foto: Reprodução/F1)

5º) Lewis Hamilton – 8.0 – Vencer uma vez é bom, mas ter a chance de ganhar outra vez é muito melhor. Hamilton até acompanhou Russell por algum tempo, mas após a estratégia dar errado por conta de uma VSC que apareceu pouco depois, a coisa desandou. Restou cobrar novas atualizações no motor.

6º) Isack Hadjar – 7.0 – Assim como Verstappen, gostou bastante da atualização da Red Bull, mas não aproveitou tanto na corrida. Mesmo assim, superou um rival da McLaren e outro da Ferrari.

7º) Lando Norris – 5.5 – Não foi bem. Após começar o fim de semana dizendo que tinha aceitado há tempos que a McLaren não venceria corridas, terminou sem acompanhar Piastri de perto e com somente um sétimo lugar. O que mais chamou a atenção, contudo, foi o ritmo da Ferrari.

8º) Charles Leclerc – 5.0 – Falando na Ferrari de novo, estava evidente que a potência do motor era abaixo das rivais na curta pista austríaca. Mas é impressionante que Leclerc não consiga acompanhar Hamilton de maneira alguma no momento. A sensação foi de que terminou ultrapassado 18 vezes.

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Liam Lawson completou a quarta prova nos pontos (Foto: Red Bull Content Pool)

9º) Liam Lawson – 8.0 – Ficou claro desde cedo no GP da Áustria que a Racing Bulls tinha, com alguma sobra, o melhor carro do pelotão intermediário. Sem problemas ao longo dos dias, a dupla de pilotos honrou a força. Lawson melhor que Lindblad. É a quarta corrida seguida do neozelandês nos pontos.

10º) Arvid Lindblad – 7.5 – Enquanto isso, Lindblad só não emendou as mesmas quatro corridas nos pontos porque teve problemas antes da largada no Canadá, onde tinha boa posição de pista. Depois de um período instável, o novato da F1 2026 já conseguiu fincar os pés no chão.

11º) Gabriel Bortoleto – 7.0 – O momento da Audi é impressionante. Está claro que o carro melhorou e está, na maioria das pistas, entre os três melhores do pelotão intermediário. Mas os pontos não chegam. A única pontuação do ano foi na Austrália, em março, e mais nada. Bortoleto emendou uma corrida possível na Áustria. Mas com nenhum abandono entre as quatro principais equipes do grid e a Racing Bulls, coube a ele o terceiro 11º lugar seguido.

12º) Nico Hülkenberg – 6.5 – Vale quase o mesmo que a avaliação de Bortoleto, mas uma posição atrás. A Audi tinha carro melhor que a Alpine pela primeira vez em algum tempo, mas não valeu de grande coisa. Nas sete corridas desde a Austrália, a Audi sempre teve um ou os dois pilotos terminando entre 11ª e 13º, mas nunca nos pontos.

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Gabriel Bortoleto ficou mais uma vez na beira dos pontos (Foto: Audi)

13º) Pierre Gasly – 5.5 – A excelente sequência chegou ao fim em Spielberg, onde a Alpine sabia que tinha desvantagem. Gasly estava evidentemente abaixo de Racing Bulls e Audi e nem farejou pontuação.

14º) Oliver Bearman – 5.5 – O começo firme da Haas já faz tanto tempo que nem parece ter sido neste ano. Bearman só foi ao top-10 uma única vez nas últimas seis provas, mas na Áustria o motor Ferrari pintou como claro fator limitador.

15º) Franco Colapinto – 4.5 – Como o companheiro de equipe, ficou longe da briga pelos pontos. A síntese da etapa foi ele mesmo quem fez. “Fomos muito mal”, disse. É verdade.

16º) Esteban Ocon – 5.0 – “Sabemos que há um problema no carro”, assim Ocon começou a descrever um fim de semana extremamente esquecível. E olha que largou muito bem e chegou a entrar na briga pela 11ª colocação, mas a coisa desandou ao longo da prova. Ainda voltou a tratar da falta de carga aerodinâmica do carro.

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Fernando Alonso sofreu novamente com o carro da Aston Martin (Foto: Reprodução/F1)

17º) Alexander Albon – 4.5 – A Williams foi uma das equipes que mais sofreu com o desgaste de pneus do calor austríaco. Albon ainda sentiu dificuldades de desempenho nas curvas e, assim, ficou muito distante de qualquer luta importante.

18º) Fernando Alonso – 4.5 – Em que pese a punição por excesso de velocidade no pit-lane, Alonso teve um dia possível. Que, para a Aston Martin, significa a pior coisa do mundo. Foi uma prova que serviu de teste antes das atualizações prometidas para a Inglaterra.

19º) Lance Stroll – 4.5 – Até satisfeito com o que sentiu do carro e dos pneus, Stroll não terminou reclamando, mas também estava na rabeira do pelotão até uma suspeita de falha no ERS forçar o abandono.

20º) Carlos Sainz – 5.5 – Antes do motor parar com problema muito provavelmente causado pelo calor, Sainz não conseguiu se estabelecer próximo aos rivais com os quais tem brigado nas provas recentes.

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A largada do GP da Áustria (Foto: Reprodução)

21º) Sergio Pérez – 5.0 – A situação da Cadillac já era complicada de saída, com ritmo abaixo do normal na Áustria, mas o superaquecimento dos freios fez com que a equipe encerrasse a participação dos dois pilotos ainda no comecinho da prova.

22º) Valtteri Bottas – 4.0 – Vale o mesmo que para Pérez. São três abandonos seguidos para Bottas.

GP da Áustria – 6.5 – Talvez um tanto pelas alternativas facilitadas pelo calor, mas se tratou de uma boa corrida. Não é daqueles clássicos instantâneos, não, mas uma prova honesta com ótimos momentos. Sobretudo nos duelos envolvendo Lewis Hamilton, Max Verstappen e Andrea Kimi Antonelli. É das provas que o público pode não ter assistido de pé, mas viu com gosto.

Melhor GP – GP do Canadá – 6.5
Pior GP – GP do Japão – 5.5
Média: 6.6

MÉDIA DA TEMPORADA:

1º) Andrea Kimi Antonelli – 8.1
2º) Lewis Hamilton – 7.6

3º) Pierre Gasly – 7.3
4º) Max Verstappen – 7.1
5º) Liam Lawson – 6.9
6º) George Russell – 6.8
7º) Lando Norris – 6.7
8º) Arvid Lindblad – 6.6
9º) Franco Colapinto – 6.2
10º) Oliver Bearman – 6.2
11º) Carlos Sainz – 6.1
12º) Isack Hadjar – 6.1
13º) Gabriel Bortoleto – 5.9
14º) Charles Leclerc – 5.8
14º) Fernando Alonso – 5.8
16º) Nico Hülkenberg – 5.7
17º) Oscar Piastri – 5.6
18º) Esteban Ocon – 5.4
19º) Alexander Albon – 5.3
20º) Sergio Pérez – 5.0
21º) Lance Stroll – 4.2
22º) Valtteri Bottas – 4.0

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