Assim como em 2024, a McLaren terminou o ano no topo, mas em um cenário muito diferente. Sem drama nos Construtores, a taça saiu ainda no GP de Singapura, mas o que ficou marcado no 2025 papaia não foi apenas o domínio por ter um dos melhores carros dos últimos anos, e sim pelo polêmico gerenciamento no duelo entre Lando Norris e Oscar Piastri pelo título de Pilotos, que ficou nas mãos do britânico.
Logo na abertura do campeonato, na Austrália, as primeiras indicações de que o clima poderia esquentar ficaram muito evidentes. Norris largou da pole e dominou a prova no molhado. Após uma saída ruim, Piastri começou a marchar, passando por Verstappen e iniciando a briga pela vitória, que foi controlada pelo rádio pelo time. O australiano rodou na pista molhada e se contentou com a nona posição, enquanto o britânico venceu.
Na China, Piastri iniciou a recuperação, se aproveitando de uma classificação ruim de Norris. Saiu da pole e venceu, com o britânico em segundo. Na viagem ao Japão, ambos foram colocados no bolso por Max Verstappen, que dominou o fim de semana. Quando chegaram ao Bahrein, Piastri voltou a dominar, vencendo de ponta a ponta, enquanto Norris amargou outra classificação abaixo da média e uma punição por queima de largada, recebendo a quadriculada apenas em terceiro.
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Já a Arábia Saudita marcou um ponto de virada no campeonato. Norris bateu na classificação e largou de décimo, e isso abriu espaço para Piastri, que após uma largada espetacular e uma punição a Verstappen, venceu e assumiu a liderança do Mundial. Em Miami, mais um golpe do australiano, que após largar do quarto lugar, viu Lando errar na largada e estender o tapete. Três vitórias seguidas de Oscar. E Norris cambaleando.
Em Ímola, ambos foram mais uma vez batidos por Verstappen, que largou melhor e encontrou mais ritmo na Red Bull. Norris ao menos teve um alento na disputa, superando Piastri nas voltas finais e deixando a diferença dos pilotos em 13 pontos. Em Mônaco, o inglês finalmente voltou ao topo do pódio, com Piastri em terceiro, mas o troco veio logo na Espanha: triunfo do dono do #81, com Lando em segundo.
Já em Montreal, ambos foram surpreendidos pelo melhor ritmo da Mercedes, que emplacou George Russell vencedor e Andrea Kimi Antonelli em terceiro. E foi no Canadá que veio o primeiro choque. Brigando pelo quarto lugar nas voltas finais, Lando tentou ultrapassar Oscar na reta principal, mas a tentativa de ir para o lado de dentro da pista falhou, batendo no muro. O inglês jogou mais pontos fora e viu a diferença chegar em 22 pontos.
“Não há ninguém a culpar além de mim mesmo, então peço desculpas a toda a equipe e ao Oscar também por tentar algo provavelmente um pouco bobo demais”, admitiu. “Fico feliz por não ter arruinado a corrida dele. No fim, peço desculpas à equipe”, continuou.

Na Áustria, Norris venceu com tranquilidade em outro 1-2 da equipe, algo que se repetiu no bagunçado GP da Inglaterra, na corrida seguinte, mais uma vez com Lando à frente em dia que Oscar acabou punido por frear subitamente em uma relargada. Com metade do campeonato, os pilotos dominavam o certame, enquanto entre os Construtores, o time papaia tinha 460 pontos 222 da Ferrari, que ainda surgia em segundo. Eram 9 vitórias contra 3 de todas as rivais somadas.
O domínio laranja teve sequência nas duas corridas que antecederam a pausa do verão europeu, ambas com 1-2. Piastri levou na Bélgica, enquanto Norris deu o troco na Hungria, em uma prova onde soava que a McLaren não teria tantas chances de vencer após ver a Ferrari de Charles Leclerc surpreender na classificação com a pole-position.
Após a pausa, a McLaren sofreu pela única vez com um problema de confiabilidade. No GP dos Países Baixos, Norris viu o motor quebrar nas voltas finais. Oscar saiu com a vitória e abriu 34 pontos de distância no Mundial de Pilotos. Já o GP da Itália guardou uma das grandes polêmicas do campeonato: a ordem de equipe para que Oscar cedesse o segundo lugar a Lando após o time errar em um dos pit-stops. A corrida, vencida por Max Verstappen, marcou um dos momentos mais quentes do ano.
“Eu não me arrependeria, não. Acho que foi uma decisão justa. Lando esteve na frente durante toda a corrida e, novamente, não foi por culpa dele”, admitiu Piastri. “Para mim, está tudo bem. No final das contas, quem quer ganhar o campeonato quer ter vencido o máximo possível por meio de seu próprio desempenho e das coisas que pode controlar. Não foi o caso em Monza”, encerrou o piloto do #81.

Com o clima tenso, o GP do Azerbaijão reservou um dos piores desempenhos em pista do ano. Piastri, que bateu na classificação, durou apenas meia volta no domingo, se encontrando com o muro. Norris não teve ritmo em momento algum e foi apenas sétimo. Mesmo com o fim de semana abaixo da média. Com 623 pontos, a situação entre os Construtores era tranquila, já que nenhuma rival sequer tinha alcançado os 300 pontos.
Tanto que, na etapa seguinte, mesmo sem vencer mais uma vez, o título de Construtores foi oficializado. Porém, o time não escapou das polêmicas após um toque de Norris com Piastri na largada em Singapura. O australiano não ficou nada feliz, pediu no rádio para que as posições fossem invertidas e chegou apenas na quarta colocação. Oscar, por sinal, sequer apareceu nas celebrações.
Lando não passou impune pelo choque. A McLaren anunciou que o piloto sofreria de “consequências”, que se resumiriam a não ter a preferência de vácuo nas classificações. Porém, Oscar não se aproveitou disso ao causar um acidente logo na largada da corrida sprint dos Estados Unidos, que fez ambos abandonarem. O inglês, por sua vez, foi ao pódio no domingo e cortou mais a diferença.
Na Cidade do México, Piastri, enfim, perdeu a liderança. Em prova apagada, foi apenas o quinto colocado, enquanto Norris voltou a vencer com Verstappen em terceiro. Em São Paulo, Oscar bateu novamente na sprint, mas agora sozinho. O resto do fim de semana foi dominado por Norris, que agora tinha uma gordura de 24 pontos em cima do companheiro de equipe.

Em Las Vegas, veio outra polêmica. Norris terminou em segundo, com Oscar em quinto, mas ambos acabaram desclassificados por desgaste excessivo do assoalho, o que puxou Verstappen de vez para a disputa, igualado com Piastri no Mundial. O tetracampeão ainda assustou os papaias com o triunfo no Catar, em que um erro estratégico da McLaren deixou Lando apenas na quarta posição. Oscar, por sua vez, retornou ao pódio.
Piastri foi para o tudo ou nada em Abu Dhabi, ultrapassando Lando Norris, mas o terceiro lugar em Yas Marina foi o suficiente para o britânico garantir o primeiro título mundial da carreira, apenas 2 pontos à frente de Max Verstappen. Ao total, foram 833 pontos contra 469 da Mercedes e 451 da Red Bull, consolidando um dos maiores domínios vistos recentemente no Mundial de Construtores, mesmo com um gerenciamento de pilotos que causou polêmicas do início ao fim.
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