Cumprindo as expectativas depositadas pela Red Bull na caminhada rumo à Fórmula 1, Arvid Lindblad vive um ano de estreia positivo dentro das pistas e fechou a primeira metade da temporada 2026 como um nome regular na zona de pontos da categoria. Fora delas, contudo, o britânico reluta em seguir um caminho bastante comum aos pares no grid: a mudança para Mônaco.

Natural da vila de Virginia Water, no condado de Surrey, Inglaterra, Lindblad hoje vive em Portugal e não tem planos de mudar o endereço para Monte Carlo, algo bastante comum na F1 — até por motivos fiscais. E, ao apontar as razões para isso, o piloto da Racing Bulls destacou duas principais.

“Há algumas razões. A primeira é bem simples: a Fórmula 1 tem uma temporada tão intensa que, quando quero desligar, realmente tento me desconectar completamente do automobilismo. E Mônaco é a Fórmula 1 mesmo quando você não está no circuito”, apontou Lindblad à versão italiana do Motorsport.

“Os pilotos estão lá, as equipes, todos falam sobre corrida. Não quero viver nesse ambiente. Prefiro morar em um lugar perto do mar, mais quieto, em que não me reconheçam. Um lugar em que possa ir ao cinema, caminhar, encontrar meus amigos ou só viver como qualquer pessoa. É importante para mim”, ressaltou.

Envolvido com o esporte a motor desde muito jovem, Lindblad ressaltou que sempre teve uma rotina diferente e deseja poder aproveitar nos momentos de lazer. Por isso, estar em um lugar que ofereça privacidade se tornou uma prioridade para o piloto.

Casa da Fórmula 1 uma vez por ano e cheia de famosos, Mônaco não atrai Lindblad (Foto: F2)

“Desde que sou criança, minha vida tem sido muito diferente dos meus amigos. Quando estou na pista, quero ser um piloto de Fórmula 1; quando vou para casa, só quero ser jovem, viver uma vida normal”, reforçou.

Além da privacidade, Lindblad apontou uma segunda razão: o ideal de riqueza projetado por Mônaco. Ainda que esteja diretamente inserido no glamour e nos grandes salários da F1, Arvid ressaltou o entorno humilde com o qual cresceu e justificou a opção de se manter afastado do “símbolo supremo de riqueza” representado por Monte Carlo.

“[A segunda razão] é minha família. Eles trabalharam muito duro para ter tudo. Meu pai correu quando eu era pequeno, mas não porque tinha dinheiro. Era o oposto. Meus avós não tinham nada, meu pai sofreu em alguns momentos para ter três refeições por dia. Quando tinha 11 ou 12 anos, já trabalhava”, disse.

Após 11 etapas na F1, Lindblad tem 23 pontos. O companheiro Liam Lawson soma 43 (Foto: Red Bull Content Pool)

“Cresci cercado de pessoas que conquistaram tudo com trabalho duro. Sei que muitas pessoas dizem que é uma vida normal [em Mônaco], mas ainda brigo com a ideia de morar em um lugar que representa o símbolo supremo de riqueza. Mas ainda sou um cara normal, gosto de comprar uma coisa legal às vezes. Pode ser um pouco contraditório, mas é como vejo as coisas hoje”, completou Lindblad.

A Fórmula 1 está de férias. A categoria retoma as atividades da temporada 2026 de 21 a 23 de agosto, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.

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