É possível dizer que a corrida sprint, disputada mais cedo em Marina Bay e sob condições bem adversas, revelou pequenos spoilers do que poderia acontecer mais tarde em Singapura. Da largada ao ritmo de prova, ficou evidente que o sábado (10) terminaria em um embate entre Red Bull e Ferrari, e assim foi. Max Verstappen levou a melhor porque foi capaz de otimizar tudo que tinhas mãos na hora certa. Os ajustes feitos no RB22, o drible no menor nível de aderência e uma pilotagem sem erros se tornaram a receita de sucesso. O neerlandês repetiu a performance da prova curta e superou os carros vermelhos na fase decisiva da classificação, ainda que a volta derradeira não tenha sido tão espetacular quanto o giro da primeira tentativa. Mesmo assim, foi o bastante para 50ª pole da carreira, que agora o coloca como favorito a uma nova vitória.
O resultado em si pode até não surpreender, diante do que Max fez na sexta-feira e na sprint, mas a verdade é que essa performance foi construída em cima de um trabalho excepcional do conjunto piloto-engenheiros. Nos últimos anos, os taurinos sempre tiveram problemas em Marina Bay, especialmente por causa do asfalto ondulado e da natureza da pista. O projeto atualizado ainda segue a linhagem, mas a equipe soube como refinar esse acerto, melhorando a eficiência aerodinâmica e mecânica nos pontos mais críticos — as curvas lentas, especialmente. Aliado a isso, Verstappen também usou bem a velocidade de reta, para juntar tudo e extrair o máximo. O ponto interessante aqui é que, por causa da chuva, a pista se tornou mais difícil do ponto de vista da aderência. Mas nem isso tirou performance. Ao contrário, Verstappen forçou o ritmo no primeiro e no terceiro setores, e isso fez enorme diferença para a pole, no registro de 1min31s373 — não à toa uma marca pior do que a alcançada ontem.
“Acho que tivemos um carro muito competitivo durante todo o fim de semana. O carro esteve na faixa ideal de funcionamento durante todo o tempo. Foi tudo concentrado em ajustes finos e correção de pequenos detalhes”, revelou o tetracampeão após a classificação. “Depois da chuva mais cedo, a pista pareceu um pouco mais lenta. Se não me engano, estávamos mais rápidos ontem. Então, sim, havia menos aderência, talvez também devido às voltas dadas na pista molhada. Além disso, parte da borracha depositada no asfalto desapareceu, reduzindo ainda mais a aderência.”
“Sempre há coisas que podem melhorar, mas o desempenho foi suficiente para a pole, então estou muito satisfeito com isso. Estamos em uma trajetória positiva, por isso conquistar a pole aqui é muito especial para nós”, completou o piloto, que terá os dois carros da Ferrari ao seu redor no grid. “As diferenças entre nós foram muito pequenas ao longo de toda a classificação. É claro que estou muito feliz, porque era isso que eu queria.”
De fato, a posição de honra no grid dá a Verstappen uma vantagem importante na luta pela vitória, considerando que o traçado da cidade-estado asiática é travado. E levando em conta tudo que conquistou até aqui, não dá para tirar de Max a sensação de que um novo triunfo é bem possível. A questão é que a Ferrari também parece muito forte — o pódio na sprint foi uma confirmação, inclusive. Verstappen e Charles Leclerc ficaram separados na primeira fila por apenas 0s054. A diferença para Lewis Hamilton ficou em 0s123. Mas aqui é essencial destacar: a escuderia poderia ter formado uma dobradinha no grid.
Se a Red Bull precisou refinar demais a configuração do RB22, o mesmo não aconteceu na Ferrari. Isso porque a natureza do circuito urbano de Singapura se adapta naturalmente às demandas da SF-26. Como se trata de um traçado de média e baixa velocidade e que exige da tração, o carro vermelho se viu em casa. A preocupação maior foi alinhar alguns trechos mais específicos da pista, e foi isso que Hamilton tentou fazer na primeira e na segunda fases da classificação. O heptacampeão acertou especialmente o terceiro setor, onde sofria desde a sexta-feira. Não à toa, o britânico liderou com facilidade o Q1 e o Q2, dando a entender que a pole seria apenas uma questão de tempo. Mas no trecho decisivo da sessão um ajuste da asa dianteira acabou por contar uma história diferente.

“O carro estava fantástico no Q1 e no Q2”, afirmou Hamilton. “Os engenheiros e mecânicos fizeram um trabalho excepcional. No final das voltas, senti que ainda havia potencial. Tentamos adicionar um pouco de asa para extrair esse potencial, mas ultrapassamos o limite. Foi uma pequena mudança, um ajuste rápido, mas estávamos no limite”, reconheceu o inglês. “Depois dessa mudança, o carro ficou difícil de controlar. Nenhuma das minhas voltas no Q3 foi particularmente boa, então estou grato por estar em terceiro.”
Lewis sofreu também com as saídas de frente do carro italiano, e isso cobrou um preço alto. Já Leclerc enfrentou problemas de freios durante o começo da sessão, mas, no fim, foi capaz de driblar as falhas e usou bem a reta para tirar tempo. “Simplesmente decidi arriscar um pouco mais”, falou o monegasco. “Foi uma classificação difícil. No Q1 e no Q2, o carro tendia a puxar para um lado nos pontos de freadas, e isso minou minha confiança. No Q3, a situação melhorou um pouco, mas o problema não desapareceu. Na última volta, decidi atacar independentemente da sensação, e funcionou.”
O cenário, portanto, é de uma disputa aberta, também impulsionada pelo ritmo de corrida dos três primeiros colocados. Apesar das condições complexas da sprint e do uso do pneu intermediário, é possível dizer que a Ferrari acompanhou a Red Bull, mas o treino livre de sexta-feira, com pista seca, mostrou que a equipe vermelha tem potencial. “O ritmo de corrida deve ser bom”, avaliou Leclerc. “Não completamos muitas voltas consecutivas no TL1, mas a sensação foi ótima. Estou confiante de que seremos competitivos. A largada será muito importante: esta manhã não fizemos uma boa largada, então amanhã teremos que ser perfeitos.”
O ponto sobre a largada é também decisivo. Em uma pista de difícil ultrapassagem, a performance no apagar das luzes pode mudar completamente a narrativa. De fato, Leclerc não protagonizou um início notório, mas Hamilton, sim, quando pulou de sexto para terceiro, já pressionando Verstappen, que também sofreu na saída da pole, assim como também aconteceu na semana passada, na Malásia. Nas duas ocasiões, o neerlandês foi superado por um carro da Mercedes. Então, a Ferrari tem aí uma chance de entrar na briga logo de cara.

“Será muito difícil vencer Max, mas há duas Ferrari na frente. Espero que possamos trabalhar juntos para pressioná-lo. Eles são muito rápidos, mas acho que nosso carro está em boas condições e espero, pelo menos, manter nossas posições”, declarou Lewis — também em um alerta para a próxima escuderia, que já enfrentou problemas com disputa entre a dupla após o momento da largada.
O roteiro a partir daí ganha ainda mais importância diante do que se prevê em termos de estratégias. Singapura possui um baixo nível de desgaste e um pit-lane cuja a perda de tempo é significativa. Portanto, a tática deve obedecer a uma única parada. O suspense fica para a escolha dos pneus. De acordo com a Pirelli, a fornecedora da F1, o composto macio “representa a opção mais interessante para o início da corrida, que poderá ser fortemente influenciada por eventuais períodos de safety-car. O maior nível de aderência oferecido pelo pneu macio na fase inicial deve torná-lo a escolha preferida da maioria dos pilotos, que poderão optar por prolongar o primeiro stint”.
“Para a segunda parte da corrida, os pneus médios e duros oferecem desempenho relativamente semelhante, embora o C4 possa proporcionar uma vantagem em termos de aderência”, afirmou o diretor da fabricante italiana, Dario Marrafuschi. “Atualmente, uma estratégia de duas paradas parece improvável, uma vez que se estima que seja cerca de dez segundos mais lenta do que as alternativas de uma parada disponíveis”, completou.
O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP de Singapura, 17ª etapa da temporada 2026 da Fórmula 1, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificações e corridas em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
Horários do GP de Singapura da F1 2026
O GP de Singapura acontece de 9 a 11 de outubro, em Marina Bay, com treino livre, classificação da sprint, sprint, classificação e corrida.
| Dia | Sessão | Brasil | Portugal | Angola | Cabo Verde | Moçambique |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Domingo, 11/10 | Corrida | 9h | 13h | 13h | 11h | 14h |
Horário de Brasília para o Brasil e de Portugal continental e Madeira para Portugal.