James Vowles explicou os motivos que levaram a Williams a ficar fora dos testes coletivos da Fórmula 1 em Barcelona e afirmou que a decisão foi consequência direta da busca por desempenho máximo para o novo regulamento de 2026. Segundo o chefe da equipe, o time optou por empurrar prazos técnicos ao limite, o que acabou impactando o cronograma de fabricação do carro. Ainda assim, disse esperar que o trabalho no simulador e as atividades no Bahrein compensem o tempo de pista perdido.

Após o lançamento da pintura para a temporada 2026, Vowles destacou que, com as novas regras de chassi e unidades de potência, as equipes enfrentam uma curva de desenvolvimento muito agressiva logo no início do ciclo. Nesse cenário, comprometer projetos cedo demais pode significar começar o campeonato com um carro defasado.

O dirigente ressaltou que o risco existe nos dois extremos: decidir cedo demais e perder desempenho ao longo da temporada, ou atrasar decisões e sofrer com prazos industriais — exatamente o que aconteceu com a Williams.

“Empurramos as decisões sobre chassi, asa dianteira, asa traseira, assoalho e carroceria o mais tarde possível para capturar todo o potencial de desenvolvimento. Se decidíssemos tirar o carro do papel em abril do ano passado, estaria pronto, mas muito mais lento do que poderia ser. Estaríamos atrás na corrida por atualizações”, afirmou.

Williams lançou pintura do FW48, carro da temporada 2026 da Fórmula 1 (Foto: Williams)

Além da busca por performance, Vowles destacou que a equipe também está se testando como organização, tentando reduzir o tempo entre a concepção de uma ideia e a transformação em um carro funcional. Apesar disso, o chefe da Williams admitiu que o plano original era participar dos testes em Barcelona.

“O nível do campeonato não é apenas desenvolver aerodinamicamente. É também empurrar os limites de quanto tempo levamos para transformar uma ideia em um carro real. Precisamos avançar nisso constantemente. Preferia muito ter estado em Barcelona. Esse era o objetivo, mas não conseguimos”, admitiu.

Para minimizar o impacto da ausência, a Williams apostou em alternativas como trabalho intenso no simulador com Carlos Sainz e Alexander Albon e no acesso a dados da Mercedes, fornecedora de motores da equipe, que acumulou mais de 500 voltas nos testes. Ainda assim, Vowles reconheceu haver perdas inevitáveis. Segundo ele, apenas a pista permite validar com precisão a correlação aerodinâmica e o comportamento dinâmico do carro.

“Somos favorecidos pelo fato de a Mercedes ter muitos carros rodando. Há bastante informação sobre câmbio e unidade de potência, o que nos permite chegar mais preparados ao Bahrein. O que está faltando é o conhecimento natural que os pilotos ganham na pista e a correlação real da aerodinâmica e da dinâmica do carro. Só os dados de pista permitem isso”, ponderou.

O dirigente reforçou, porém, que os seis dias de testes no Bahrein, aliados ao simulador de última geração instalado pela equipe no último ano, devem reduzir significativamente essa desvantagem inicial.

“Há uma perda, mas acreditamos que conseguimos mitigar boa parte disso. Agora, ninguém sabe — e realmente quero dizer ninguém — qual é a ordem de forças”, concluiu.

Após os testes coletivos em Barcelona, as equipes terão duas semanas para retornar às fábricas e trabalhar com base nos dados coletados nos últimos dias. Dessa forma, os carros só voltam à pista entre 11 e 13 de fevereiro, durante os testes de pré-temporada no Bahrein.

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