A Fortescue Zero concluiu a compra de uma participação majoritária da operação da Penske na Fórmula E e vai assumir a equipe a partir da temporada 2026/27. O negócio transforma a empresa australiana, até então fornecedora de tecnologia para o campeonato, em competidora oficial e leva o grid à marca de 12 equipes na era Gen4, máximo permitido pelo regulamento.

A nova operação vai utilizar dois carros equipados com trem de força da Jaguar e será registrada oficialmente como equipe cliente. A entrada da Fortescue Zero amplia para seis o número de monopostos impulsionados pela fabricante britânica: além do time oficial, a Envision também corre com equipamento dos felinos.

A negociação já havia sido noticiada pelo jornal italiano Il Messaggero, mas ainda não estava claro qual seria a fatia adquirida pela Fortescue Zero, que é a divisão de tecnologia e engenharia da mineradora Fortescue. A compra de uma participação majoritária representa um passo à frente do projeto do automobilismo.

A relação com a Fórmula E começou a partir da Williams Advanced Engineering, divisão de tecnologia e engenharia criada pela equipe de Fórmula 1 que foi comprada e rebatizada pela Fortescue em 2022. A entidade foi fornecedora de baterias nas eras Gen1 e Gen3. Para a Gen4, perdeu uma concorrência para a Podium Advanced Technologies e não será mais a responsável pelas baterias, o que motivou o movimento de adquirir a Penske. Nos últimos dois anos, também foi provedora da tecnologia do Pit Boost.

Além da atuação como fornecedora, a empresa é parceira técnica de longa data da Jaguar. Os felinos estão instalados nas dependências da Fortescue em Kidlington, na Inglaterra, e a integração entre ambas é tão estreita que diversas vagas da equipe de fábrica, inclusive para mecânicos e engenheiros, são anunciadas diretamente pelos australianos.

CEO de Growth and Energy da Fortescue, Gus Pichot vê a compra da equipe como um passo natural no projeto. Segundo ele, a Fórmula E é encarada como uma plataforma para desenvolver as tecnologias da companhia.

DS Penske deixa grid da Fórmula E na era Gen4 (Foto: Fórmula E)

“Por mais de uma década, a Fortescue Zero foi o cérebro por trás de algumas das tecnologias inovadoras que impulsionam e transformam as corridas elétricas. Agora, vamos mostrar ao mundo como podemos competir na pista também. Passar do pit-lane para o grid é o próximo capítulo da nossa história no automobilismo. Estamos aqui para correr, vencer e inovar”, afirmou.

“Para a Fortescue, está no nosso DNA ir ao extremo, ultrapassar limites e ir mais longe e mais rápido do que os concorrentes. Para nós, o automobilismo é mais do que uma oportunidade de levar para casa um troféu de campeonato: é uma plataforma para desenvolver, testar e aperfeiçoar as próximas grandes tecnologias que vão transformar indústrias para além das corridas”, completou Pichot.

Segundo o portal Formula E Notebook, as conversas com a Penske começaram no início de 2026, embora a possibilidade de uma operação conjunta já tivesse sido considerada desde meados de 2024. A negociação foi concluída durante o eP de Londres, realizado no mês passado. Jay Penske, que está à frente da operação desde a criação da Fórmula E, em 2014, permanece na estrutura, mas agora com participação minoritária.

“Temos orgulho do que construímos com essa equipe e das pessoas que competiram nos mais altos níveis do automobilismo. A Fortescue Zero tem uma ambição clara para a tecnologia elétrica e o automobilismo, e sabemos que vai construir sobre as grandes bases que estabelecemos e conduzir a equipe rumo ao sucesso no futuro”, disse Penske.

Jay Penske segue como acionista minoritário da equipe (Foto: Fórmula E)

CEO da categoria, Jeff Dodds destacou a importância da parceria com a Fortescue Zero desde o início da Fórmula E e celebrou a entrada da empresa no grid com a própria equipe.

“A Fórmula E é muito mais do que uma categoria de corridas; é uma incubadora para desempenho máximo e tecnologia inovadora, e a Fortescue Zero exemplifica os dois aspectos. Estamos empolgados para ver a inovação que vão trazer para a era Gen4”, disse.

A mudança de controle também provoca alterações na estrutura da equipe. Phil Charles, que ocupava as funções de líder técnico e chefe de equipe adjunto, não continuará no projeto sob a nova administração. Ele foi sido informado da saída durante o eP de Londres. A Fortescue Zero já definiu quem será o novo chefe de equipe. O nome ainda não foi divulgado, mas a pessoa escolhida tem experiência tanto na F1 quanto na Fórmula E.

A sede também será mantida. A nova equipe vai operar nas mesmas instalações utilizadas pela DS Penske em Witney, no Reino Unido, enquanto o primeiro contato com os carros Gen4 está previsto para a atividade coletiva que será realizada em Valência, no dia 11 de novembro, antes da pré-temporada em Jarama.

No lado dos pilotos, Taylor Barnard vai permanecer na formação, embora um novo contrato ainda não esteja formalmente assinado. A equipe também conversa com outros nomes para ocupar a vaga deixada por Maximilian Günther, já confirmado pela Envision. Dan Ticktum e Joel Eriksson aparecem entre os pilotos de interesse da nova operação. A expectativa é de que a dupla não seja anunciada oficialmente a dupla antes do fim de setembro.

A temporada 2026/27 da Fórmula E começa em dezembro, nos dias 18 e 19, com a rodada dupla do eP de Jedá. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades.