A Fórmula E tem um novo bicampeão mundial. Após a vitória na véspera, Pascal Wehrlein precisava apenas terminar à frente de Jake Dennis na corrida 2 do eP de Londres e não levar uma virada de 21 pontos de Mitch Evans — e foi exatamente isso o que fez. O alemão não pontuou, mas contou com o 4º lugar do neozelandês e o 18º do britânico para ficar com a conquista e se juntar a Jean-Éric Vergne como os únicos pilotos a terem dois títulos na história da categoria elétrica. A vitória na prova deste domingo (16) foi de Taylor Barnard, com Nyck de Vries e Edoardo Mortara completando o pódio.
Wehrlein controlou a situação ao longo de praticamente toda a corrida e em nenhum momento parecia ter o título ameaçado. Faltando sete voltas para o fim, porém, levou uma fechada de António Félix da Costa, saiu da zona de pontuação e viu Dennis alcançar a posição que lhe faria campeão.
A definição acabou acontecendo de uma forma polêmica. Na volta 33, Wehrlein mergulhou por dentro de Dennis, mas encontrou a traseira de Joel Eriksson à frente, causando uma batida entre os três. O alemão conseguiu sair ileso, mas Dennis teve avarias no carro e precisou ir aos boxes, praticamente garantindo o título do piloto da Porsche.
Único que podia mudar esse destino, Evans tentou buscar a vitória nas voltas finais com Modo Ataque ativado, mas a distância para o trio de frente já era muito grande e o neozelandês cruzou a linha de chegada na 4ª posição. A apesar da frustração, Mitch conseguiu ajudar a Jaguar a garantir o Mundial de Equipes. Com os resultados deste domingo, os felinos chegaram aos 288 pontos e venceram a disputa com a Porsche.
A conquista de Wehrlein coroa quem mostrou ser gigante na hora da decisão. Após uma ótima primeira metade de temporada, em que liderou parte considerável do campeonato, o alemão viveu muitos altos e baixos a partir do eP de Mônaco — a ponto de chegar em Tóquio líder do campeonato e desembarcar em Londres em terceiro. Mas quando mais importou, brilhou: cravou a pole e venceu no sábado, fez o que tinha de ser feito no domingo e levou para casa o título da temporada 2025/26.
Barnard, que não tinha nada a ver com a disputa, venceu pela primeira vez na Fórmula E. O piloto da DS Penske foi o último piloto do pelotão dianteiro a ativar o Modo Ataque e garantiu o triunfo com uma ultrapassagem sobre De Vries na abertura da última volta. Com 22 anos, 2 meses e 15 dias, tornou-se o mais jovem vencedor da história da categoria elétrica.

Sébastien Buemi completou o top-5. Nick Cassidy, Jean-Éric Vergne, Pepe Martí, Oliver Rowland e Norman Nato fecharam o grupo dos dez primeiros, que marcaram pontos na última corrida da temporada 2025/26.
Felipe Drugovich, que largou em 11º, não teve um bom dia. O brasileiro da Andretti chegou a figurar na zona de pontuação em determinado momento da prova, mas foi superado por quem acionou o Modo Ataque depois e cruzou a linha de chegada apenas na 13ª posição.
Lucas Di Grassi teve um dia ainda pior que o conterrâneo. Largou em último e ainda precisou pagar um stop-and-go por trocar o inversor após o TL3. Depois, voltou a ter problemas no carro e abandonou a última corrida da carreira.
A Fórmula E volta no dia 16 de novembro com os testes coletivos da pré-temporada, em Madri, no Circuito de Jarama.

Como foi a corrida 2 do eP de Londres:
Assim como na véspera, a largada transcorreu sem problemas. De Vries saltou bem e manteve a ponta, enquanto Mortara protegia o companheiro da dupla da Porsche. Com o título na mão, Wehrlein optou pelo conservadorismo e também não forçou uma ultrapassagem sobre o suíço. Di Grassi foi aos boxes logo na primeira volta para pagar os 10s de stop-and-go pela troca do inversor.
Precisando escalar o pelotão para buscar o título, Dennis perdeu uma posição e ficou preso no 17º lugar nos primeiros giros. Companheiro do britânico na Andretti, Drugovich também perdeu dois postos e caiu para 13º
Müller repetiu a mesma estatégia da primeira corrida e diminuiu o ritmo para permitir que Wehrlein abrisse vantagem em relação ao restante do pelotão. Na volta 4, Da Costa foi o primeiro a fazer ativação do Modo Ataque. Na sequência, Barnard fez o mesmo.
Da Costa partiu para cima de Müller na abertura do giro 5 e quase jogou o suíço no muro para efetuar a ultrapassagem. Enquanto o companheiro ainda conseguia segurar Barnard, Wehrlein acionou o Modo Ataque para não ser deixado para trás.

Mortara fez ótimo trabalho de escudeiro e permitiu que De Vries acionasse os 350 kW de potência sem perder a liderança. Sem conseguir passar pelo suíço, Da Costa perdeu a 3ª posição para Barnard, que havia superado o alemão da Porsche pouco antes.
Se não conseguiu avançar, o piloto da Jaguar diminuiu o ritmo para tentar atrapalhar Wehrlein. O líder do campeonato tentou colocar por todos os lados, mas sofreu com a excelente defesa de Da Costa. O português, porém, cometeu um pequeno erro no fim da volta 8 e levou a ultrapassagem na reta principal — ainda assim, conseguiu atrasar a vida do desafeto.
Enquanto tudo isso acontecia, Evans vinha logo atrás, em sexto, administrando energia para poder pisar fundo quando fizesse a primeira ativação de Modo Ataque. Já Dennis seguia atrás de Eriksson, afundado em 17º. Diante da distância para Wehrlein, o britânico optou por salvar o máximo possível de bateria, na esperança de um safety-car para ativar potência extra e escalar o pelotão.
No fim da 11ª volta, Da Costa foi para cima de Wehrlein e retomou a 4ª colocação. Lá na frente, De Vries abriu caminho para Mortara assumir a liderança. Di Grassi voltou a ter problemas na Lola Yamaha e abandonou na volta 14, colocando ponto final na carreira do brasileiro de forma precoce.

Evans ficou preso atrás de Müller, então Buemi ativou Modo Ataque e ultrapassou os dois, assumindo o sexto lugar. Drugovich também pegou a potência extra para tentar escalar. Na volta 17, o neozelandês colocou de lado na curva 19 e tocou a lateral do suíço da Porsche, mas conseguiu a ultrapassagem. Pouco depois, o brasileiro também fez passou e tomou o 8º lugar.
Cassidy aproveitou os últimos instantes de Modo Ataque e superou os três, assumindo o 7º posto. Vergne repediu a tática do companheiro de Citroën e também acionou a potência extra. O francês rapidamente ultrapassou Müller e Drugovich.
Na volta 22, Mortara ativou Modo Ataque pela primeira vez e conseguiu não ser ultrapassado por De Vries. O suíço, porém, tinha menos bateria que o companheiro, então fez um acionamento curto e não aumentou o ritmo para abrir vantagem.
Em trabalho coletivo para tentar garantir o 1-2, a Mahindra trocou as posições na abertura da 25ª volta, e De Vries voltou à liderança. Dennis ativou o Modo Ataque e começou a acelerar. O primeiro obstáculo, porém, foi Ticktum, que jogou duro e espremeu o piloto da Andretti no muro. Ainda assim, o #27 conseguiu efetuar a ultrapassagem.

Na volta 27, Evans decidiu não seguir mais nenhuma estratégia e, contrariando a orientação da Jaguar, acionou o Modo Ataque e deixou tanto Da Costa quanto Wehrlein para trás. No giro seguinte, o alemão tentou ultrapassar o português, que fechou a porta e fez com que Pascal caísse para 11º, sendo ultrapassado por Dennis, Martí e Eriksson.
Dennis chegou até o 7º lugar e, momentaneamente, ia sendo campeão. Na 31ª volta, pegou pela segunda vez a potência extra, o que custou posições para Vergne e Cassidy, e o colocou bem à frente de Wehrlein — que também vinha com 350 kW disponíveis.
Na volta 33, veio o momento que definiu o título. A dupla da Citroën deixou Eriksson para trás. Na sequência, Wehrlein colocou de lado para cima de Dennis, mas ambos ficaram encaixotados pelo suíço da Envision e os três bateram. O alemão conseguiu escapar ileso do incidente, mas Dennis ficou com o carro danificado e precisou ir para os boxes, acabando com a chance de título.
Agora, bastava que Evans não conquistasse a vitória para que Wehrlein fosse campeão. Para a sorte dele, Barnard também tinha Modo Ataque ativado, deixou a dupla da Mahindra para trás e triunfou pela primeira vez na Fórmula E, se tornando o piloto mais jovem a subir no degrau mais alto do pódio.

A diferença do trio de frente era tanta que Evans não conseguiu sequer alcançar os carros da equipe indiana. Dessa forma, De Vries ficou em segundo e Mortara completou o pódio, com o piloto da Jaguar se contentando com o quarto lugar e vendo, mais uma vez, o sonho de ser campeão se esvair.
A corrida ainda reservou um momento de tensão para a última volta. Wehrlein e Da Costa se encontraram novamente, em 14º e 15º, respectivamente. O português foi para cima, mas o piloto da Porsche devolveu a fechada que levara anteriormente e os dois se tocaram. Com a “vingança” feita, Pascal cruzou a linha de chegada sob pirotecnia para conquistar o bicampeonato da Fórmula E.
Fórmula E 2026: resultado da corrida 2 do eP de Londres
| POS | Piloto | Equipe | |
| 1 | T BARNARD | DS Penske | 35 voltas |
| 2 | N DE VRIES | Mahindra | + 0.614 |
| 3 | E MORTARA | Mahindra | + 6.087 |
| 4 | M EVANS | Jaguar | + 7.722 |
| 5 | S BUEMI | Envision | + 16.754 |
| 6 | N CASSIDY | Citroën | + 17.205 |
| 7 | JE VERGNE | Citroën | + 17.864 |
| 8 | JM MARTÍ | Cupra Kiro | + 18.312 |
| 9 | O ROWLAND | Nissan | + 19.363 |
| 10 | N NATO | Nissan | + 24.990 |
| 11 | M GÜNTHER | DS Penske | + 31.219 |
| 12 | N MÜLLER | Porsche | + 35.367 |
| 13 | F DRUGOVICH | Andretti | + 38.658 |
| 14 | P WEHRLEIN | Porsche | + 48.737 |
| 15 | A FÉLIX DA COSTA | Jaguar | + 49.110 |
| 16 | D TICKTUM | Cupra Kiro | + 59.710 |
| 17 | Z MALONEY | Lola Yamaha | + 1:03.794 |
| 18 | J DENNIS | Andretti | + 1 volta |
| 19 | J ERIKSSON | Envision | Abandonou |
| 20 | L DI GRASSI | Lola Yamaha | Abandonou |