O Mundial de Endurance (WEC) já está caminhando para a metade final da temporada 2026, que retorna às pistas entre os dias 4 e 6 de setembro para a Lone Star Le Mans, quinta etapa do campeonato, no Circuito das Américas. Tanto nos Hipercarros quanto na LMGT3, a batalha pela ponta tem sido acirrada, mas a reta final do WEC não se resume apenas às disputas por títulos.

Com duas novas pistas pelo caminho, equipes novatas buscando evolução, futuras estreantes em fase final de desenvolvimento, brasileiros batalhando por pontos e marcas tentando voltar ao topo do pódio, muita coisa ainda está em jogo nesta temporada 2026. Com isso em mente, o GRANDE PREMIUM preparou uma lista com dez pontos para se ficar de olho nas últimas quatro etapas da temporada 2026 do WEC. Confira:

1. BMW x Toyota: títulos dos Hipercarros em jogo

A começar, claro, pelo mais óbvio: a acirrada disputa pelos títulos mundiais na classe Hipercarro. Entre os Pilotos, há um empate entre René Rast/Robin Frijns, do BMW #20, e Kamui Kobayashi/Mike Conway/Nyck de Vries, do Toyota #7, com ambas as formações somando exatos 75 pontos depois de quatro etapas. A vantagem no critério de desempate, de momento, está com a dupla da marca alemã.

Entre os Construtores, a Toyota tem 132 pontos somados e lidera a tabela, mas já vê a BMW pelo retrovisor depois da vitória do #15, de Kevin Magnussen, Dries Vanthoor e Raffaele Marciello, nas 6 Horas de São Paulo. A marca bávara já soma 127 tentos, enquanto a Ferrari fecha o top-3 mais atrás, com 88.

De momento, a briga parece focada entre BMW e Toyota, que venceu em Le Mans e deu um salto importante nesta temporada. Porém, com quatro etapas para o final, a disputa ainda está em aberto e bem diferente do ano passado, quando a Ferrari já passeava sozinha à essa altura do campeonato.

2. A sempre equilibrada LMGT3

Mais uma vez, a classe LMGT3 tem sido marcada pelo equilíbrio puro na disputa pelo topo da tabela de pontos. O destaque de momento vai para o trio vencedor das 24 Horas de Le Mans, composto por Ben Keating, Jonny Edgar e Nicky Catsburg, que comandam atualmente o Corvette #33 e lideram o campeonato com 76 pontos somados. A distância ainda é grande, mas caiu na rodada passada com mais um pódio do Porsche #92, de Riccardo Pera, Richard Lietz e Yasser Shahin, que chegou a 49 tentos.

Abaixo, está todo mundo colado. BMW #69 (43 pontos), Corvette #34 (43) e Ferrari #21 (42) completam o top-5. No páreo, ainda há mais cinco carros com 30 ou mais pontos dentro do grupo dos dez primeiros na tabela. Para a surpresa de ninguém, a LMGT3 promete mais uma boa batalha por posições altas no campeonato.

3. O retorno de Monza e a estreia de Barcelona

A grande novidade para a metade final da temporada 2026 do WEC é a ausência das etapas no Oriente Médio e as chegadas de Barcelona e Monza. O circuito espanhol vai receber a sétima e penúltima etapa, entre os dias 16 e 18 de outubro, enquanto a Itália fecha a temporada com a oitava prova, que acontece entre 6 e 8 de novembro.

Para o WEC, a notícia ruim é que ambas as provas serão de 6 horas por questões logísticas dos autódromos, excluindo, portanto, as rodadas mais longas que costumavam acontecer no Bahrein e no Catar. Consequentemente, menos pontos serão distribuídos no final da temporada.

Por outro lado, o retorno de Monza, que esteve no calendário até 2023, e a estreia de Barcelona são ótimas alternativas dadas as possibilidades e o encaixe do endurance com essas duas praças tradicionais. Apesar de nunca ter composto o calendário antes, o Circuito da Catalunha recebe o European Le Mans Series (ELMS) anualmente.

Circuito de Barcelona recebe o WEC em outubro (Foto: Divulgação)

4. Ferrari vai se recuperar na ‘perna europeia extra’?

Uma equipe que deve ter aprovado as novas praças do WEC para o final do ano é a Ferrari, que tem andado surpreendentemente bem nesta temporada em pistas mais curtas. Em Ímola e Interlagos, a marca somou 53 dos 88 pontos que tem no Mundial de Construtores. Em Spa e Le Mans, o cenário não foi de tragédia, mas apenas 35 tentos foram conquistados mesmo com a pontuação dobrada da etapa francesa.

Portanto, pode se imaginar que Barcelona e Monza devem oferecer uma boa oportunidade de virada para a Ferrari na temporada. Além disso, a próxima etapa é no Circuito das Américas, pista que costuma ser bem favorável para a 499P.

5. A despedida da Alpine e as implicações: Geely vem aí?

A Alpine está dando adeus ao WEC, mas esse pode não ser o fim da trajetória da marca. Ainda este ano, devemos ver uma tentativa da Geely de comprar os ativos da equipe francesa para entrar no Mundial de Endurance já em 2027. De acordo com o portal Dailysportscar, o interesse é genuíno e negociações estão em andamento, especialmente a respeito da propriedade intelectual do projeto e do protótipo A424. Esse parece ser o maior obstáculo neste momento.

A ideia inicial, inclusive, seria da Geely comprar o protótipo da Alpine e redesenhá-lo, passando por uma nova homologação para 2027. A ver quais serão os desdobramentos, mas a sensação é de que Ford e McLaren podem receber companhia no grupo dos estreantes da classe Hipercarro no ano que vem.

6. Ford e McLaren na reta final do desenvolvimento para 2027

E por falar nos estreantes de 2027, muita coisa ainda vai acontecer do lado de fora do paddock nesta temporada. Com Ford e McLaren entrando na reta final do desenvolvimento dos protótipos para o ano que vem, muitas novidades ainda vão surgir nos próximos meses, como a definição da escalação da McLaren, que já confirmou Mikkel Jensen e Laurens Vanthoor no projeto.

Grégoire Saucy e Richard Verschoor fazem parte da equipe de desenvolvimento da marca papaia e podem ser anunciados em breve, enquanto Alex Lynn esfriou depois da Cadillac anunciar seu retorno para as duas últimas etapas do ano.

Já a Ford definiu os seis pilotos ainda em junho e anunciou Matt Campbell, Nick Yelloly, Tom Blomqvist, Logan Sargeant, Mike Rockenfeller e Sebastian Priaulx. Em contrapartida, iniciou os testes em pista apenas em agosto, meses depois da McLaren. Então, o foco da marca norte-americana está bem mais na pista neste momento do que fora dela.

Ford colocou o hipercarro na pista de Paul Ricard (Foto: Ford Racing)

7. Genesis em ascensão: vai se firmar ainda em 2026?

Ainda longe de brigar por pódios e vitórias no WEC, a Genesis já vive um momento de ascensão e tentativa de consolidação em pista. Tendo somado pontos em Spa-Francorchamps, na segunda rodada, a equipe não voltou a figurar no top-10 desde então, mas já apresenta um ritmo promissor de forma mais consistente, apesar de alguns problemas básicos e naturais impedirem uma constância forte na pontuação.

O cenário é de tranquilidade e pouca pressão para o final do ano, mas fiquemos atentos à evolução da equipe, que naturalmente já vai ter uma certa cobrança por resultados melhores a partir de 2027. Portanto, é uma reta final de aprendizados e consolidação no grid.

8. Aston Martin, Peugeot, Cadillac: mais alguém vai vencer?

Enquanto Ferrari, Toyota e BMW são as protagonistas óbvias do campeonato na classe Hipercarro, algo é esperado das demais equipes, que brilharam na metade final do ano passado. Alpine, Cadillac, Porsche e Toyota — que estava longe de ser a força de hoje — dividiram vitórias nas últimas quatro corridas de um ano dominado pela Ferrari. Quem será que vai aparecer nesta temporada vindo da prateleira de baixo?

9. Mercado de pilotos: Peugeot promete novo rebuliço para 2027

Além da Alpine, que vai deixar pelo menos seis pilotos à deriva em busca de uma nova casa para a temporada 2027, a Peugeot também promete bagunçar o mercado de pilotos mais uma vez nesta reta final de ano. Malthe Jakobsen pode estar de saída para se juntar ao projeto da McLaren, enquanto Jean-Éric Vergne deve voltar à formação depois de um ano focado na Fórmula E.

Nick Cassidy, Loïc Duval e Paul di Resta devem seguir, mas Stoffel Vandoorne está próximo de sair da equipe para 2027. Muita coisa ainda pode mudar, até mesmo para Théo Pourchaire, que chegou neste ano na Peugeot. Muita coisa ainda está incerta para os franceses, que vão trazer novas atualizações ao protótipo 9X8.

Augusto Farfus busca recuperação na LMGT3 (Foto: Julien Delfosse / DPPI)

10. Brasileiros em pista: Farfus busca reação e Derani tenta se consolidar

Enquanto Pipo Derani encara uma segunda metade de temporada de aprendizados e consolidação com a Genesis, como analisado anteriormente, Augusto Farfus já não vive um momento tão tranquilo assim. Vindo de um ano decepcionante com a WRT em 2025 ao lado de Timur Boguslavskiy e Yasser Shahin, o brasileiro reencontrou Sean Gelael e Darren Leung em 2026, mas ainda não encantou.

Até o momento, tem 22 pontos somados e está em 11º apenas, com duas corridas zeradas já nesta temporada. Mesmo chegando otimista a Interlagos, o BMW #32 não terminou a prova no top-10 e encerrou as 6 Horas de São Paulo em branco para piorar ainda mais a situação. Depois de uma temporada 2024 de destaque junto de Gelael e Leung, Farfus ainda busca os trilhos para reeditar esse sucesso junto da dupla em 2026.

Após as 6 Horas de São Paulo, vencidas pelo BMW #15 de Magnussen, Marciello e Vanthoor, o WEC retorna apenas no dia 6 de setembro com a Lone Star Le Mans, no Circuito das Américas, em Austin, nos Estados Unidos.