O GP de Portland deixou mais perguntas do que respostas para a Indy. Enquanto Álex Palou segue ampliando o domínio em uma temporada que caminha para mais um título, seus principais adversários parecem cada vez mais distantes de encontrar uma maneira de freá-lo — ninguém sabe o que fazer para parar o virtual pentacampeão da Indy. A etapa no Oregon também voltou a expor algumas questões que a categoria precisa discutir, como a regra da bandeira azul e um formato de prova que, pelo terceiro ano consecutivo, entregou pouco em termos de disputa.
Por outro lado, Portland também serviu para confirmar algumas tendências importantes do campeonato. Felix Rosenqvist mostrou novamente que vive uma fase diferente da carreira e já pode ser colocado entre os pilotos que brigam regularmente por vitórias, enquanto Rinus VeeKay voltou a extrair muito mais do carro do que o equipamento da Juncos parece capaz de oferecer. Confira as cinco coisas que aprendemos com o GP de Portland da Indy.
Ninguém para Palou
Quem é capaz de parar Álex Palou? A pergunta continua sem resposta na Indy e virou um enorme elefante na sala da categoria, conhecida pelo enorme equilíbrio histórico. Em um campeonato com estatísticas desde 1909, que contemplam inclusive o período em que CART e IRL organizavam certames paralelos, o recordista histórico é A.J. Foyt, com sete títulos e 67 vitórias. Palou caminha para o pentacampeonato em apenas sete anos nos Estados Unidos.
Ninguém sabe o que fazer para frear a jornada do espanhol na Indy. Kyle Kirkwood, que chegou a liderar o campeonato no início da temporada, já está 110 pontos atrás depois de mais um show de Palou em Portland. O norte-americano cometeu um sincericídio, mas que ilustra bem a atual situação: “Eles [Ganassi e o espanhol] fazem da nossa vida um inferno”.

Indy precisa analisar regra da bandeira azul
Diferentemente das categorias regidas pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), a bandeira azul na Indy tem caráter informativo para o retardatário de que os líderes estão chegando, mas não o obriga a ceder espaço.
Felix Rosenqvist e Will Power, segundo e terceiro colocados do GP de Portland, reclamaram de terem sido atrapalhados durante a etapa. Ambos pediram que a regra atual convirja para algo mais próximo do que é realizado pela FIA, mas fizeram críticas fortes, com frases como “nos faz parecer todos estúpidos” e “mantém algo dos anos 1970”.
Particularmente, não sou a favor de uma mudança radical, migrando totalmente para o modelo convencionado pela FIA, pois uma bandeira amarela pode mudar radicalmente a corrida do retardatário — e isso faz parte da Indy. No entanto, alguma coisa precisa ser estudada pela categoria quando um piloto resiste a uma disputa pelo segundo lugar em diante mesmo já estando uma volta atrás, ou na reta final da prova, quando as chances de quem está prestes a tomar uma volta provocar uma reviravolta são praticamente nulas.
Rosenqvist muda de patamar dentro da Indy
O GP de Portland foi a rubrica que faltava para dizer que Felix Rosenqvist mudou de status na Indy. Claro, a vitória nas 500 Milhas de Indianápolis colocou o sueco em um patamar histórico, mas o desempenho em outras provas mostra que o representante da Meyer Shank não é mais aquele piloto com a consistência de mingau.

Rosenqvist ainda não é daqueles capazes de brigar pelo título — esse patamar atualmente é frequentado apenas por Palou —, mas saiu do pelotão de coadjuvantes para se tornar um postulante às vitórias. O sueco bateu na trave em Portland, assim como em Long Beach, em provas com enredo parecido: superado apenas pelo espanhol.
Apesar de a McLaren estar focada na vitória nas 500 Milhas de Indianápolis em 2027, a equipe vai ter em Rosenqvist um piloto bem diferente daquele que deixou o time em 2023.
VeeKay merece coisa melhor
Rinus VeeKay, mais uma vez, mostra que é mais piloto do que o equipamento que tem. Foi assim na Carpenter, na Dale Coyne e, agora, na Juncos. Durante todo o fim de semana em Portland, manteve-se entre os primeiros colocados e terminou a prova na quarta posição, seu melhor resultado na temporada.
Em 2025, colocou a claudicante Dale Coyne no pódio em Toronto, resultado que impressionou todo o paddock. Parece que nada do que faz é suficiente para que as grandes equipes lhe deem uma oportunidade.
A McLaren manteve Pato O’Ward e foi buscar Rosenqvist e Scott Dixon para formar o trio, enquanto a Ganassi vai ter Christian Lundgaard no lugar do neozelandês e manterá Palou e o endinheirado Kyffin Simpson.

A Andretti renovou recentemente com Marcus Ericsson, fechando mais uma porta para o neerlandês, assim como a Penske deve manter o trio atual, apesar dos enormes questionamentos sobre o desempenho de Josef Newgarden e Scott McLaughlin.
Sequência de corridas ruins em Portland
As últimas três edições do GP de Portland foram bem abaixo da média do que a Indy apresenta ao longo da temporada — e isso precisa ser um sinal de alerta para a categoria. Foram provas que contribuíram para o cochilo de quem acompanhou a etapa sentado no sofá.
Uma solução para a Indy pode ser alterar o número de voltas, aumentando ou diminuindo um pouco a duração da prova para abrir a possibilidade de estratégias diferentes de paradas nos boxes. Isso permitiria que alguns pilotos fizessem uma parada a menos do que outros e, pelo menos na parte final, deixaria a disputa mais embolada — isso se Palou deixar.
A Indy retorna no próximo fim de semana, entre os dias 14 e 16 de agosto, para a primeira edição do GP de Markham, única prova da categoria disputada fora dos Estados Unidos, no Canadá.
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