Um atropelo. Não existe melhor forma de definir o que a Penske fez na classificação das 500 Milhas de Indianápolis, realizada neste domingo (19). Nada do que a Ganassi alcançou nos últimos anos, com poles de Scott Dixon e Álex Palou, soou minimamente parecido com o que os carros do ‘Capitão’ Roger fizeram neste fim de semana. Alexander Rossi até surgia como candidato, mas teve o tempo completamente trucidado pelo trio Scott McLaughlin, Will Power e Josef Newgarden.
E é claro que ter a pole não significa tanto em Indianápolis. Afinal, nas últimas 15 corridas, apenas duas vezes alguém transformou a posição de honra em vitória: Helio Castroneves, em 2009, e Simon Pagenaud, em 2019. Só a Penske é capaz de executar tal trabalho? Difícil de dizer, mas é fato que os carros de motores Chevrolet tiveram uma superioridade assustadora ao longo dos últimos dois dias, não à toa, quem surge em ritmo como rival da primeira fila é justamente a McLaren, também de Chevy, que emplacou Alexander Rossi e Kyle Larson logo atrás, e ainda tem Pato O’Ward forte no páreo.
Sempre existe o clichê de Indianápolis escolher seus vencedores. E a aposta, como sempre, é de que o Speedway vai escolher alguém de novo, mas é assustador o pouco esforço que os carros da Penske precisaram fazer para realizar um feito que não acontecia desde 1988, o de fechar a primeira fila. E é claro que sempre tem gente a se colocar na posição de desafiar. É o caso da McLaren, já citada, mas também o de Santino Ferrucci, sempre perigoso com a Foyt, além de outros titãs com motor Honda. Afinal, classificação é classificação.
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Mas é impossível falar do feito da Penske sem mencionar as duas vertentes que uma possível vitória pode ter na semana seguinte. Uma delas é a superação. Afinal, menos de um mês atrás, o time viveu um de seus piores momentos do século ao ver Newgarden e McLaughlin desclassificados do GP de St. Pete. Não apenas o time, mas a própria lisura do campeonato passou a ser questionada pelo escândalo envolvendo o push-to-pass. E por mais que os fãs sempre estejam em prol da categoria, as vaias dedicadas a Josef durante o caso provam que ninguém vai esquecer disso tão cedo.
Um segundo triunfo nas mãos de Will Power talvez seja o que mais se encaixe na narrativa de superação. Afinal, o australiano vive um jejum incômodo de vitórias e passou por situação pessoal complicada em 2023, ao ver a esposa internada por um período tratando de uma infecção. McLaughlin, por mais que tenha sido desclassificado em St. Pete, poderia representar um momento de integração da Indy com o resto do mundo, já que poucos conheciam, até 2020, o piloto que brilhava nos carros de turismo australianos.
Mas e se Newgarden ganhar? Desde a polêmica do suco de laranja de Emerson Fittipaldi, nunca um vencedor de Indy 500 foi tão mal visto como o americano está sendo neste mês. O que é até irônico para alguém que literalmente foi ao público depois da vitória do ano passado. Que tipo de impressão passaria uma vitória de Josef dois meses depois de um escândalo que coloca a lisura do esporte em jogo?
E por mais que a Indy seja um ambiente amigável, as declarações dos rivais sobre toda a situação indicam que ninguém engoliu bem a história de que Josef era inocente. A Penske pode ter todos os méritos do mundo se passear na semana que vem, mas a imagem da categoria pode sofrer um abalo nada bom para um campeonato que não vive seus melhores momentos.