Em 2027, após 14 anos, a Indy voltará a disputar uma corrida fora da América do Norte com a confirmação da etapa de Barcelona — o que não acontecia desde a São Paulo Indy 300 de 2013. Apesar da internacionalização, o passo não sinaliza uma grande expansão global por parte da categoria, mas demonstra a disposição de explorar novos mercados em um futuro próximo.
Desde a reunificação entre CART/Champ Car e IRL, a Indy sempre adotou cautela em relação ao mercado internacional. E a postura de ambos os lados da fusão baseou-se em lições do passado: a falência da Champ Car ocorreu justamente pelos altos investimentos sem o devido retorno em provas no exterior; já a IRL, ao optar por manter-se restrita às fronteiras locais, percebeu que cruzar a América do Norte era um passo maior que a perna.
No período pós-2008, a exceção à regra foi o Brasil. Até hoje, o país é considerado o segundo maior mercado da Indy, mas vivia um momento comercial mais favorável na época, especialmente pela relação de cotação entre o real e o dólar. Entre 2010 e 2013, a categoria praticamente não precisou tirar dinheiro do bolso para correr em São Paulo.
Essa será a mesma receita aplicada em Barcelona. O grosso do investimento não sairá da Indy, mas sim dos promotores e patrocinadores locais interessados em levar a categoria para a Catalunha. Além do peso e do enorme sucesso de Álex Palou, a BOLD Technology — empresa que fornecerá as baterias para o novo carro IR-28 — desempenhou papel fundamental no acordo. A companhia fica sediada em Montmeló, ao lado do circuito catalão.
Com a conjunção de todos esses fatores, o retorno à Europa ter Barcelona como destino tornou-se um caminho natural. O Brasil, impulsionado pelo forte interesse do governo de Goiás em levar a categoria para o Autódromo de Goiânia, segue no radar, mas o fator político pesou. O processo eleitoral em um momento decisivo do calendário atrasou as tratativas, uma vez que o vice-governador Daniel Vilela priorizou a disputa pelo governo estadual antes de avançar nas negociações.

Mesmo dando esse passo além da América do Norte, a Indy não pretende abrir mão de sua essência. A categoria nunca escondeu seu foco no mercado interno dos Estados Unidos, onde disputa espaço com a pujança financeira da Nascar e observa o crescimento da Fórmula 1.
Outro fator que limita uma grande expansão internacional é o calendário. A Indy concentra sua temporada no contraturno do futebol americano, evitando a queda brusca de audiência provocada pelo início da NFL. Com isso, o campeonato fica restrito ao período entre o fim de fevereiro e o início de setembro.
Portanto, além do evento em Barcelona e do interesse mútuo por Goiânia, não há perspectiva para voos muito mais altos. No máximo, a categoria pode avaliar rodadas duplas no mesmo continente para otimizar a logística — como alinhar a etapa da Espanha a outro país europeu na semana seguinte, ou conectar o evento em Goiás a uma prova em um país vizinho na América do Sul.