Toto Wolff não perdeu a oportunidade de dar uma cutucada na Ferrari por conta das recentes atualizações, sobretudo o novo motor levado para o GP da Áustria, já dentro das regras do ADUO. Para o líder da Mercedes, trata-se de uma evolução que indica um desenvolvimento iniciado “há pelo menos seis meses”, além do time de Maranello passar a impressão de ter “recursos ilimitados”.
Para a Áustria, especificamente, a Ferrari promoveu mais melhorias no endplate da asa dianteira, dando continuidade ao pacotão levado para a etapa anterior, em Barcelona, que contou com asa dianteira, assoalho, sidepod e difusor revisados. Mas o que realmente chamou atenção foi a primeira versão da unidade de potência atualizada.
Só que a Ferrari sofreu bastante com os pneus e não conseguiu repetir o desempenho da Catalunha, que teve vitória de Lewis Hamilton. Mesmo assim, Wolff chamou atenção para o trabalho constante da rival de sempre chegar a um fim de semana de corrida com alguma novidade.
“Entre a McLaren, a Red Bull e nós, levamos um pacote significativo de atualizações para Montreal e, depois, apenas pequenas melhorias nas corridas seguintes. É isso que todo mundo faz”, disse Wolff aos jornalistas presentes em Spielberg.
“A única exceção parece ser a Ferrari, que continua introduzindo grandes atualizações. Dá quase a impressão de que eles têm recursos ilimitados”, alfinetou. Por conta do novo regulamento, o teto orçamentário passou por ajustes para 2026, subindo para US$ 216 milhões (R$ 1,1 bilhão).
“A Ferrari tem investido pesadamente em atualizações para o carro. Imagino que o orçamento deles dentro do teto de gastos vá se esgotar em breve. Nós não pudemos fazer o mesmo porque não temos margem financeira para isso. Então, vamos ver aonde isso vai levá-los”, disse depois à F1 TV.

Vale frisar que os motores atuais foram homologados em março de 2026, mas por causa da significativa mudança na proporção entre motor de combustão interna e bateria, foi aprovado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), juntamente com as equipes e as montadoras, o chamado ADUO, sigla em inglês para Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização.
Tais concessões permitem que motores com déficit de performance comprovado possam fazer até duas mudanças em 2026 e outras duas em 2027. Com o Red Bull Ford como referência, a Ferrari ficou 4% atrás e ganhou o direito de fazer duas mexidas no motor ainda esse ano — o que já era esperado desde o começo da temporada, tanto que o jornal italiano Corriere della Sera noticiou em abril que havia um trabalho focado nessa área em Maranello.
“Esperamos que a Ferrari apresente um novo motor antes da pausa de verão”, avaliou Wolff, sem deixar por menos. “Se isso acontecer, significará que o desenvolvimento começou há pelo menos seis meses. As regras são iguais para todos… pelo menos, é o que espero”, encerrou.
A Fórmula 1 volta de 3 a 5 de julho com o GP da Inglaterra, em Silverstone, nona etapa da temporada 2026.
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