O domingo promete ser agitado para os fãs de Fórmula 1 e para o torcedor brasileiro, que fará jornada dupla para acompanhar o GP da Inglaterra e o duelo entre Brasil e Noruega, válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo Feminina. Esse cruzamento de agendas não é inédito e já aconteceu em oito oportunidades ao longo da história, com direito à estreia de Pelé e Garrincha, à primeira vitória de Jim Clark, a dois títulos mundiais, ao triunfo de Ayrton Senna e até ao show de Zidane.
O primeiro conflito entre um jogo da Seleção Brasileira em Copas do Mundo e uma corrida de Fórmula 1 aconteceu em 15 de junho de 1958. Na Suécia, o Brasil escalava pela primeira vez os jovens Pelé e Garrincha em uma partida do Mundial. Contra a União Soviética, ambos convenceram Vicente Feola de que deveriam ser titulares pelo restante da campanha, que culminou na conquista da primeira estrela da camisa. Apesar do protagonismo da dupla, foi Vavá quem marcou os gols da vitória por 2 a 0. Não muito distante dali, a Fórmula 1 disputava o GP da Bélgica, vencido por Tony Brooks.
Quatro anos depois, em 17 de junho de 1962, outro GP da Bélgica coincidia com um compromisso decisivo da Seleção. Enquanto Jim Clark conquistava sua primeira vitória na Fórmula 1, no lendário traçado de Spa-Francorchamps, o time comandado por Aymoré Moreira entrava em campo sem Pelé, lesionado, para disputar a final da Copa do Mundo contra a Tchecoslováquia. Os europeus saíram na frente com Masopust, mas Amarildo, substituindo o Rei do Futebol, além de Zito e Vavá, comandaram a virada por 3 a 1 no Estádio Nacional de Santiago.
O terceiro encontro entre Copa do Mundo e Fórmula 1 também aconteceu em uma decisão. Em 21 de junho de 1970, o Brasil protagonizou uma das maiores atuações de sua história ao derrotar a Itália por 4 a 1, com gols de Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto. A conquista garantiu ao país a posse definitiva da taça Jules Rimet, que acabou roubada em 19 de dezembro de 1983 e nunca mais foi recuperada.

Enquanto o Brasil festejava o tricampeonato no México, a Fórmula 1 vivia um de seus capítulos mais trágicos no GP dos Países Baixos. As estreias de Clay Regazzoni e François Cevert, além da vitória de Jochen Rindt — que viria a ser campeão mundial de forma póstuma naquela temporada —, foram ofuscadas pela morte de Piers Courage. O britânico teve a suspensão quebrada após passar por uma zebra, perdeu o controle do carro e capotou. O veículo explodiu em chamas, e o incêndio só foi controlado cerca de 20 minutos depois.
A Fórmula 1 deixou de ser um amuleto para o torcedor brasileiro em 1978. No dia 18 de junho de 1978, o Brasil empatou por 0 a 0 com a Argentina, dona da casa, no Gigante de Arroyito. Uma vitória classificaria a Seleção para a final da Copa, que acabou conquistada pelos argentinos. Mais cedo, Niki Lauda venceu o GP da Suécia a bordo da polêmica Brabham BT46B, o famoso “carro-ventilador”, um dos projetos mais controversos da história da categoria.
Novos conflitos de datas surgiram na Copa de 1990, disputada na Itália. No primeiro deles, a festa foi completa para o torcedor brasileiro. Ayrton Senna brilhou na pista molhada de Montreal para vencer o GP do Canadá e dar mais um passo rumo ao bicampeonato mundial, enquanto o Brasil derrotava a Suécia por 2 a 1, com dois gols de Careca, mantendo vivo o sonho do tetracampeonato.
A decepção, porém, veio duas semanas depois, em 24 de junho de 1990. O Brasil desperdiçou inúmeras oportunidades e acabou eliminado pela Argentina, que venceu por 1 a 0 com gol de Caniggia, após uma jogada memorável de Diego Maradona, no Estádio Delle Alpi. Na Fórmula 1, Alain Prost liderou a dobradinha da Ferrari no GP do México, com Nigel Mansell completando a festa da equipe italiana.

No oitavo e último conflito de datas, o torcedor brasileiro prefere não lembrar. Em 12 de julho de 1998, Zidane brilhou no Stade de France ao marcar dois gols na vitória por 3 a 0 sobre o Brasil, garantindo o primeiro título mundial da França e levando a torcida local à loucura. No mesmo dia, Michael Schumacher venceu de forma polêmica o GP da Inglaterra ao cumprir uma punição apenas na volta final, aproveitando o fato de os boxes da Ferrari estarem localizados após a linha de chegada.
Assim, nas oito vezes em que a Seleção Brasileira entrou em campo em uma Copa do Mundo no mesmo dia de uma corrida de Fórmula 1, o retrospecto foi de cinco vitórias, um empate e duas derrotas. Neste domingo, a coincidência acontecerá pela nona vez. Resta saber se o novo capítulo dessa curiosa estatística terminará em festa para o torcedor brasileiro.
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| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
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