Fernando Alonso não está satisfeito com a situação da Fórmula 1 em 2026 e, ainda que tenha deixado em aberto sua sequência na categoria, acredita que pode usar a experiência para ajudar a tornar o esporte melhor. Durante o fim de semana do GP da Espanha, o bicampeão voltou a criticar o novo regulamento e disse que mudanças são necessárias para que as disputas por posição não sejam tão dependentes das baterias.
Com a chegada do novo regulamento de motores, que tem cerca de 50% da potência proveniente da parte elétrica, a carga das baterias se tornou essencial para as corridas. Fazer a gestão da energia passou a ser fundamental para ser rápido e, na visão de Alonso e Max Verstappen, a habilidade natural e o arrojo dos pilotos já não são determinantes.
Para explicar a situação, Alonso utilizou Madring e Michal Clayton, assessor de imprensa da Aston Martin, como exemplos. De acordo com o bicampeão, Clayton poderia facilmente contornar a desafiante curva La Monumental mais rápido do que Verstappen caso chegasse ao trecho com mais bateria disponível.
“Na curva 12, não quero citar nomes, mas o mais rápido não pode ser Michael só por causa da bateria. A curva 12 é tão incrível que precisa ser Verstappen quem faz a diferença em relação a Michael, e, no momento, não é isso o que acontece”, explicou Alonso. “Michael consegue fazer a curva 12 porque você acelera ao máximo sem usar o freio motor. No momento em que o freio motor entra em ação, aí você acelera na saída”, seguiu.
Como o mais experiente do grid, Alonso acredita que pode ajudar a F1 a encontrar um novo caminho em um futuro próximo. Para o bicampeão, no automobilismo, o mais rápido deve ser sempre o piloto mais talentoso e arrojado nas disputas por posição.
“Acho que é minha responsabilidade ajudar com minha experiência para fazermos o que pudermos para melhorar isso. É triste, de certa forma, que, com essa geração de carros, chegar a um circuito tão bom como este, com desafios aqui e ali como La Monumental, e a contribuição do piloto seja simplesmente nula”, disse o espanhol.

“Mas, na Fórmula 1, ou no automobilismo em geral, deveria ser assim: na curva 12, se o Michael for mais corajoso do que eu, ele anda mais rápido. Se eu tiver mais atributos, serei mais rápido que ele. É assim que deve ser na classificação, e agora tudo depende de quanta carga eu tenho e se serei mais rápido ou mais lento”, finalizou Alonso.
Agora, a Fórmula 1 faz uma pausa neste fim de semana e volta entre os dias 24 e 26 de setembro, com o GP do Azerbaijão, 15ª etapa da temporada.