Igor Fraga admitiu ter sentido “muito medo” durante o forte acidente sofrido na etapa de Fuji do Super GT no início de agosto. Em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO, o piloto brasileiro-japonês contou que, além da própria violência do impacto, ficou preocupado com a proximidade do muro dos boxes e das pessoas que estavam do outro lado da proteção.
Fraga sofreu o acidente logo após a largada da prova de Fuji. Depois de um contato envolvendo outros carros, o Honda Prelude GT #64 da Modulo Nakajima decolou e protagonizou uma das imagens mais impressionantes da temporada do automobilismo japonês.
“O que aconteceu em Fuji me deu muito medo, principalmente na largada, quando ocorreu o acidente. Fico muito feliz que nada grave tenha acontecido, porque eu estava muito perto do muro dos boxes. Os mecânicos e toda a equipe dos boxes também estavam ali, perto da grade. Então fico feliz por não ter me machucado e por ninguém mais ter sofrido nada. Isso me deixa muito aliviado”, disse Fraga.
Depois do acidente, Igor foi encaminhado ao hospital e passou a noite em observação. Os exames não apontaram lesões e Fraga recebeu alta no dia seguinte.
A ausência de lesões, entretanto, não significou uma recuperação física imediata.
Fraga voltou às pistas ainda sentindo efeitos do acidente
Poucos dias depois, Fraga já estava novamente dentro de um carro de corrida, desta vez para disputar a etapa de Sugo da Super Fórmula.
“Depois, voltar a correr em Sugo também não foi fácil. Não é que eu tivesse sofrido lesões ou algo assim, mas sentia os músculos muito rígidos, travados e bastante tensos”, explicou.
O brasileiro precisou de tratamento durante aquele fim de semana para conseguir recuperar a condição física. Em outra parte da entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO, Fraga detalhou o trabalho realizado com o preparador físico após o acidente.
“Foram muitos altos e baixos e momentos difíceis. Precisei de bastante tratamento com meu treinador para recuperar a força muscular. Como havia passado apenas uma semana do acidente, cada vez que eu entrava na pista em Sugo, os músculos que normalmente não me incomodavam começaram a incomodar por estarem muito rígidos”, contou na ocasião.
A recuperação permitiu que Fraga chegasse em melhores condições à etapa seguinte do Super GT, disputada em Suzuka. E o fim de semana começou de maneira promissora.
Fraga larga em segundo em Suzuka, mas erro custa pontos
Fraga e Riki Okusa colocaram o Honda Prelude GT #64 da Modulo Nakajima na segunda posição do grid em Suzuka.
“Cheguei a Suzuka com muita confiança para pilotar o GT500. Estava muito animado. A classificação foi ótima. Acho que tínhamos condições de subir ao pódio ou até de vencer a corrida, mas no fim não aconteceu. Aquecer os pneus ali foi muito difícil”, explicou.
A corrida começou a escapar da dupla ainda no primeiro stint. Segundo Fraga, Okusa perdeu posições na largada e a equipe também cedeu tempo durante a parada nos boxes.
O maior problema apareceu quando Igor assumiu o carro.
“Meu companheiro tinha conseguido duas voltas para colocar mais temperatura nos pneus. Mas sair do pit-lane praticamente sem temperatura foi muito, muito complicado. Somando todo o tempo perdido, voltamos à pista, não sei, em nono. Estávamos praticamente fora da zona de pontos”, relatou.
Mesmo assim, Fraga ainda brigava para recuperar posições quando cometeu o erro que encerrou as possibilidades de pontuar.
Pressionado pelo carro #36 nos momentos finais, o piloto tentou administrar o tráfego enquanto ultrapassava retardatários da GT300. Ao atacar o #52, travou os pneus e houve contato.
Fraga assumiu a responsabilidade pelo incidente.
“A corrida estava chegando ao fim, mas o carro #36 estava me pressionando. Eles tinham um ritmo de corrida muito forte. Administrar o tráfego era fundamental para manter a posição e, no fim, cometi um erro. Travei um pouco os pneus ao tentar ultrapassar o carro #52 da GT300. Houve um pequeno contato e ele acabou rodando. Foi totalmente culpa minha”, reconheceu.
“Pedi desculpas imediatamente depois da corrida. Mas, no fim, a corrida dele terminou ali. A minha também acabou naquele momento. Foi uma situação muito infeliz”, completou.
Fraga disputa em 2026 sua primeira temporada na classe principal do Super GT. Depois de três anos na GT300, a Honda promoveu o piloto para a GT500, colocando-o ao lado de Okusa na Nakajima Racing.
O Super GT volta às pistas neste fim de semana, entre os dias 19 e 20 de setembro, em Sugo. Fraga novamente pilota o Honda #64 na GT500.
O que aconteceu com Igor Fraga no acidente do Super GT em Fuji?
Igor Fraga se envolveu em um acidente logo após a largada da etapa de Fuji do Super GT, e o Honda #64 decolou após o contato. O piloto passou a noite no hospital em observação, mas os exames não detectaram lesões. Fraga revelou posteriormente que sentiu “muito medo” durante o acidente e voltou a competir ainda com forte rigidez muscular.