Michele Pirro garantiu que seguirá sendo o responsável pelo desenvolvimento da moto da Ducati na MotoGP. O italiano negou os rumores de um acerto entre a marca e Maverick Viñales e apontou que o papel de piloto de testes é completamente diferente do que se imagina.

Ao longo da última semana surgiram rumores de que Viñales poderia atuar como piloto de testes da Ducati após perder o lugar na KTM. O #12 está sem vaga em 2027.

Questionado se acredita que Viñales poderia ser um perfil adequado para a função, Pirro respondeu: “Não ouvi nada a respeito. Com certeza, terei de seguir lidando com o desenvolvimento eu mesmo”.

“Acredito que a abordagem da Ducati sempre foi promover continuidade, ter um ponto de referência fixo no desenvolvimento, especialmente em um ano de grandes mudanças como o que temos pela frente. Tenho um enorme respeito por Maverick, ainda que ele tenha perdido o rumo nos últimos anos, e, como piloto, não há nada a criticar nele. Mas, claramente, não sei realmente que contribuição ele poderia dar neste tipo de trabalho, especialmente porque você não tem a chance de correr”, ponderou. “Ser um piloto de testes é completamente diferente. Mesmo se você falar com [Nicolò] Bulega, é um trabalho completamente diferente. É fácil falar: ‘Agora ele não tem vaga, então pode se tornar um piloto de testes’. Mas aí você se vê tendo de trabalhar para os outros e não para si mesmo. E não acho que tenham muitos pilotos dispostos a fazer isso. Especialmente alguém como ele, que ainda pode se sentir forte e rápido”, seguiu.

Michele Pirro atua como piloto de testes da Ducati há anos (Foto: Ducati)

Na visão de Pirro, que há anos trabalha como piloto de testes, a Ducati agora precisa de estabilidade

“Acredito que o que nós mais precisamos é estabilidade e não de desperdiçar nossas energias. Ser um piloto de testes também exige um certo grau de dedicação, não é tudo tão bom quanto pode parecer”, comentou. “Faço isso há muitos anos, comecei muito jovem e cresci fazendo esse trabalho. Agora acho que tenho experiencia, e também a minha relação com os técnicos e engenheiros, para entender o que é preciso para desenvolver a moto. Fora isso, temos pilotos capazes de serem rápidos: nossa tarefa é tentar dar a eles o melhor pacote possível. Natualmente, estou completamente aberto a trabalhar com qualquer um”, garantiu.

Ainda, Pirro afirmou que ter um segundo piloto de testes não é uma prioridade para a equipe de Bolonha, ainda que Bulega deixe a função por causa do posto de titular com a VR46.

“Acredito que, neste momento, não é nem uma prioridade e nem o foco. E talvez Maverick siga correndo. O próximo ano será importante em muitos aspectos: teremos de estar atentos e muito focados nos problemas”, alertou. “Vi [Casey] Stoner ir e vir, compartilhei os deveres da equipe de testes com outros pilotos, e as coisas nem sempre funcionam perfeitamente. Posso dizer com orgulho que sempre segui a direção da Ducati, abracei a causa deles, e acredito que isso seja um valor agregado, especialmente olhando para o futuro. Não é como se você contratasse um campeão e automaticamente resolvesse a situação. Para ser um piloto de testes, você precisa de uma enorme dedicação e, acima de tudo, você tem de estar disponível: você não pode pensar no que você precisa, mas no que a companhia precisa”, explicou.

O veterano italiano apontou que, ainda que o projeto com Bulega tenha dado certo, a Ducati não tem necessidade de ter um segundo piloto de testes.

“Foi um bom projeto com Nicolò e acredito que esteja funcionando. Este ano, ele veio aos tentes, mas ele quer correr, e está certo. Claro, se tivesse a ideia de trazer outro piloto, na teoria todas as fábricas têm mais de um piloto de testes. Mas, até aqui, nós nunca precisamos de um. Eu faço meu trabalho”, assegurou.

Por fim, perguntado se está pronto para encarar mais dois anos como piloto de testes da Ducati, Pirro respondeu: “Absolutamente. Eu me sinto bem e fiz uma cirurgia no ombro justamente para estar em forma para o projeto da MotoGP. [Gigi] Dall’Igna falou comigo sobre isso em maio. Se vou ter de dividir o trabalho com Maverick ou qualquer outro, vamos ver. Mas, no momento, vejo a história de Viñales mais como uma especulação da imprensa. Precisamos de estabilidade e não de criar uma competição interna para provar alguma coisa”.

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