Fora da Red Bull desde junho de 2025, o ex-chefe Christian Horner não fez questão de esconder a tristeza por não ver a primeira vitória do motor austríaco de perto, na Malásia. Entusiasta da ideia nos tempos em Milton Keynes, o britânico deu o pontapé inicial no projeto que, após início complicado, começa a colher frutos em 2026.
Nas últimas semanas, a Red Bull quebrou o jejum na temporada ao vencer o GP do Bahrein na Malásia e ainda emendou com o primeiro triunfo de Max Verstappen em Singapura. Ao abordar o crescimento da ideia, Horner ressaltou a cultura que instaurou na equipe ao longo de duas décadas.
“Quando comecei a trabalhar na Red Bull, tínhamos menos de 400 pessoas; quando saí, eram 2.200”, disse Horner ao jornal The Guardian. “Depositei meu coração e minha alma nesse negócio e convenci pessoas a deixarem outras equipes pela Red Bull”, destacou.
“Nunca precisei de uma reformulação na equipe porque houve lealdade tremenda por um longo período. O negócio de produzir motores foi fundado em 2021, e pude deixá-lo no caminho certo quando saí. Fiquei muito triste por não ver aquele motor em um carro”, admitiu.
Reconhecendo a mágoa por não estar à frente da primeira vitória do motor Red Bull Powertrains-Ford, Horner se disse “machucado e roubado”. Por outro lado, revelou que mandou uma mensagem a Max Verstappen após o triunfo na Malásia e voltou a citar a cultura da equipe como fundamental para o feito.
“Ninguém pode tirar as 124 vitórias e 14 títulos, mas me senti particularmente machucado e roubado por não ter a oportunidade de ver aquele motor vencer”, afirmou Horner.
“Senti muito orgulho por ver o que significou para todo mundo e por mandarem os representantes da RBPT ao pódio. Recebi mensagens da equipe e enviei uma ao Max após a corrida. Ele foi incrível, e foi um momento marcante ver esse motor vencer. Só reforçou que, quando você junta as pessoas certas com a cultura certa e dá as ferramentas necessárias, tudo é possível”, garantiu.

Por fim, Horner reforçou a veia “disruptiva” da Red Bull e sublinhou a mudança de foco da equipe ao longo dos anos. De um time que impressionava muito mais a F1 pelas pinturas exóticas do que propriamente pelo poderio no início, a esquadra detém hoje o status de montadora e acumula vitórias e títulos na categoria.
“A Red Bull tem sido o time rebelde, que muda os limites. Só a Red Bull faria algo maluco como fabricar um novo motor como subsidiária de uma marca de energéticos. O mantra era não se conformar, ser disruptivo. Agora, é um pouco diferente”, completou Horner.
A Fórmula 1 tira uma folga neste fim de semana e retorna entre os dias 23 e 25 de outubro, para a disputa do GP dos Estados Unidos. A etapa de Austin será a 18ª da temporada 2026.