Resumo

A crise financeira do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras do Paraguai, começou a gerar repercussões no automobilismo. O banco patrocina Joshua Dürksen na Fórmula 2 e era o principal parceiro comercial do Rali do Paraguai. Além disso, também apoia Diego Domínguez, piloto que compete no WRC2.

O Banco Central do Paraguai (BCP) determinou o início do processo de resolução do Ueno Bank. A medida foi anunciada na última terça-feira (3), após uma decisão unânime do Conselho Diretor do órgão, tomada no dia anterior. Segundo informou o BCP, a decisão foi adotada após a constatação de que o índice de solvência da instituição havia caído para menos de 50% do mínimo exigido.

A determinação, que inclui a intervenção na entidade e a preservação dos ativos, também coloca sob análise os compromissos comerciais que o banco mantém com diferentes entidades e esportistas.

Entre eles estão dois dos principais representantes paraguaios no automobilismo internacional, Joshua Dürksen e Diego Domínguez, além do vínculo do banco como patrocinador principal do Rali do Paraguai.

Apesar da crise do Ueno Bank, Joshua Dürksen participará das última corridas de 2026 e da temporada 2027 da Fórmula 2 (Foto: F2)

Joshua Dürksen mantém planejamento na F2 e vai defender a Hitech em 2027

Em meio à incerteza comercial, a situação de Dürksen apresenta um cenário diferente. Representantes do piloto paraguaio confirmaram à edição espanhola do GRANDE PRÊMIO que não há alterações nos planos para a temporada atual e a próxima. Dessa forma, Joshua completará as últimas etapas de 2026 com a Invicta e vai se transferir à Hitech para disputar a temporada 2027 da Fórmula 2. A troca de equipe já havia sido anunciada oficialmente no início de outubro.

Independentemente das incertezas comerciais geradas pelo cenário financeiro do Ueno Bank, o paraguaio fará a quarta temporada completa na F2 no ano que vem. A confirmação vinda de pessoas próximas ao piloto indica que, ao menos no que diz respeito ao planejamento esportivo, Dürksen não alterará os compromissos para a reta final de 2026 nem o projeto para 2027.

No entanto, isso não significa que a situação de todos os compromissos financeiros do Ueno Bank com o piloto esteja garantida. A continuidade de Joshua na F2 e a situação contratual do patrocinador são questões distintas.

Rali do Paraguai deve buscar novo patrocinador para 2027

Uma das principais dúvidas surge em torno do Rali do Paraguai, competição que incorporou o Ueno Bank como um dos parceiros comerciais mais importantes desde a inclusão no calendário do WRC em 2025. A instituição foi a patrocinadora principal das duas primeiras edições da etapa e fazia parte de um acordo comercial de três anos, com vigência até 2027. No entanto, a situação bancária obrigará a organização a avaliar alternativas para cobrir o compromisso financeiro da próxima prova.

Camilo Pérez, presidente do Comitê Olímpico Paraguaio e integrante da organização da prova, manifestou publicamente a preocupação com a situação. À ABC Cardinal, reconheceu que será necessário buscar um novo patrocinador principal para a prova.

Por sua vez, César Marsal, diretor do Rali do Paraguai, também alertou sobre as dificuldades para manter o vínculo comercial com o Ueno Bank. “Não poderemos continuar com este patrocinador, pois os pagamentos não serão realizados“, afirmou à imprensa paraguaia.

A contribuição direta do Ueno Bank como patrocinador principal foi estimada em aproximadamente US$ 1 milhão (R$ 5,4 milhões na cotação atual) por edição. Outros valores divulgados publicamente, próximos de US$ 3,9 milhões (R$ 21,2 milhões), correspondem a um acordo comercial mais amplo, que também contemplava direitos de comercialização, ingressos e outros serviços do evento.

Apesar desta situação, a organização conta com acordos estabelecidos com outros patrocinadores, que permitiriam garantir a realização da prova. O principal desafio será encontrar uma empresa que possa substituir o apoio financeiro e comercial do banco paraguaio. A próxima edição já tem data confirmada: o Rali do Paraguai de 2027 será disputado entre 21 e 24 de outubro, em Itapúa, e será a 13ª etapa do calendário do WRC, que terá 15 provas.

Portanto, a crise envolvendo o patrocinador não significa, até o momento, que o Paraguai vá perder o evento do WRC. A discussão passa principalmente pela estrutura comercial e financeira necessária para organizar a prova.

Rali do Paraguai continuará no calendário do WRC 2027 (Foto: Reprodução)

Crise pode afetar Diego Domínguez no Mundial de Rali

A situação de Domínguez também merece atenção. O paraguaio mantém um vínculo com o Ueno Bank, instituição que o apoiou esportivamente e destacou os resultados ao longo de 2026. No dia 10 de setembro, após a vitória do piloto no WRC2 durante o Rali do Paraguai, o banco divulgou um comunicado no qual ressaltou apoio ao competidor, assim como a Dürksen.

A relação também se reflete no projeto esportivo do paraguaio. Em 2026, Domínguez competiu no WRC2 com um Toyota GR Yaris Rally2 da equipe MSi Racing Team, tendo ao lado o espanhol Rogelio Peñate. O programa foi apresentado sob o nome UENO World Rally Team e previa, inicialmente, sete participações no campeonato.

Um dos resultados mais expressivos veio justamente no Paraguai, onde Diego conquistou uma vitória histórica na WRC2, ao superar Gus Greensmith por 22s7. Foi o primeiro triunfo de um paraguaio nesta categoria do Mundial de Rali.

No entanto, a crise do Ueno Bank levanta dúvidas sobre a continuidade do apoio comercial ao piloto. Diferentemente de Dürksen, cujo planejamento para 2026 e 2027 já foi confirmado por pessoas próximas, não há informações públicas que permitam estabelecer como ficará a relação de Domínguez com a instituição financeira ou qual impacto isso poderá ter nos próximos projetos no WRC.

É importante separar a situação do patrocinador da participação do piloto na categoria. A campanha de Diego em 2026 já foi encerrada com o fim da temporada no Rali da Itália-Sardenha, após a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e o promotor do WRC cancelarem a etapa da Arábia Saudita. Por isso, as principais dúvidas passam a ser sobre o financiamento e o planejamento dos próximos passos da carreira.

Diego Domínguez participou da temporada 2026 do WRC2 com a UENO World Rally Team (Foto: Reprodução)

Cenário de incerteza para o automobilismo paraguaio

A resolução do Ueno Bank representa um desafio para diferentes projetos esportivos no Paraguai, especialmente aqueles que encontraram apoio na instituição financeira para competir em palcos internacionais. Embora Dürksen tenha assegurado a continuidade dos planos na F2 com a Invicta e a Hitech, o Rali do Paraguai terá que reorganizar a estrutura comercial para manter o nível das futuras edições do evento.

No caso de Domínguez, a dúvida reside na continuidade do apoio financeiro que o acompanhou durante a trajetória no WRC2. Por enquanto, não há confirmação de que o piloto irá reduzir ou cancelar a participação no Mundial de Rali.

A situação do Ueno Bank exige atenção às próximas decisões comerciais e às possíveis alternativas de patrocínio para o automobilismo paraguaio. O desafio será manter os projetos que permitiram ao Paraguai ganhar protagonismo no cenário internacional, tanto como sede de uma etapa do WRC quanto por meio de representantes nas principais categorias.