A Sauber mudou sua identidade visual para a temporada 2024 (Foto: Sauber) · Foto: Para 2024, o time chefiado por Alessandro Alunni Bravi continua com Valtteri Bottas e Guanyu Zhou como pilotos, mas ambos estão no último ano de contrato (Foto: Sauber)
A Sauber mudou sua identidade visual para a temporada 2024 (Foto: Sauber) · Foto: Para 2024, o time chefiado por Alessandro Alunni Bravi continua com Valtteri Bottas e Guanyu Zhou como pilotos, mas ambos estão no último ano de contrato (Foto: Sauber)
SÃO PAULO (tem futebol no meio) – Demorei um pouco para falar sobre o carro novo da Sauber-Kick-Stake porque surgiu uma dúvida que ainda não conseguimos sanar. Christine ou Christiane? Qual é, afinal, o nome da mulher de Peter Sauber, homenageada com sua inicial no batismo de todos os carros da equipe? Acreditam que, depois […]
Publicado em 05/02/2024 às 21:15
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SÃO PAULO(tem futebol no meio) – Demorei um pouco para falar sobre o carro novo da Sauber-Kick-Stake porque surgiu uma dúvida que ainda não conseguimos sanar. Christine ou Christiane? Qual é, afinal, o nome da mulher de Peter Sauber, homenageada com sua inicial no batismo de todos os carros da equipe? Acreditam que, depois de tantos anos, descobri que não tenho certeza?
Não adianta me mandarem links obtidos no Google. Vocês vão encontrar os dois nomes, sejam lá as buscas que tentarem. Eu mesmo já escrevi Christine no passado distante e Christiane no passado recente. Só aceito foto de crachá da empresa, da certidão de nascimento ou do RG.
Virem-se.
C44 é o nome da viatura inspirada na camisa do América Mineiro. Talvez, agora, esse C venha do glorioso Coelho de Belo Horizonte. Esse verde alface não é lá muito comum em carros de F-1, mas a combinação com o preto-fibra-de-carbono (cor que em breve deve entrar para o catálogo do Pantone Color Institute, se é que já não está) ficou bonitona.
Disseram os responsáveis pelo projeto, na apresentação em Londres, que o C44 é totalmente diferente do C43. Ainda bem, porque o carro anterior era bem ruinzinho. Falou-se numa suspensão dianteira modificada. Nas entradas de ar laterais e superior de desenho distinto e elegante. E disso e daquilo e daquilo outro.
O que não mudou foi a dupla de pilotos, que segue no time pelo terceiro ano seguido: Valtteri Bottas e Guanyu Zhou. Ainda com motores Ferrari, a Sauber, que era Alfa Romeo até a última temporada, apenas espera por 2026. Todos já sabem que a equipe (ou seria a franquia?) foi comprada pela Audi, que estreia para valer com o novo regulamento. Até lá, barriga de aluguel, o jeito é se virar com patrocinadores endinheirados o bastante para nomear o time.
Esse é um dos mistérios de 2024. Será Stake, como anunciado há algumas semanas, ou Kick? Stake é uma casa de apostas com sede em Curaçau, ilhota de 150 mil habitantes no Caribe, pertinho da costa da Venezuela. Um paraíso fiscal que responde ao rei dos Países Baixos — que a gente chama de Holanda, mas está errado. Kick é uma plataforma de streaming de jogos eletrônicos com sede na Austrália — transmite partidas de videogame disputadas por adolescentes espinhentos que comem batatas Pringles e se entopem de Coca-Cola. Esse troço, pelo jeito, dá dinheiro.
Como em alguns países que fazem parte do calendário da F-1 a propaganda de cassinos online é proibida, Stake talvez suma em uma corrida ou outra. E entra no lugar a Kick. A Kick é a responsável pelo tom esverdeado dos carros — é sua cor, por assim dizer, oficial. Na dúvida, e para simplificar as coisas, vou chamar a equipe de Sauber, mesmo, assim como seus carros. “Olha lá, o Sauber quebrou!”, direi para mim mesmo vendo as corridas pela TV. Até ordem em contrário, será isso.
A Sauber, é bom que se diga, está há bastante tempo na F-1, desde 1993. Por isso, ao longo dos anos, fiz algumas amizades lá dentro que ainda mantenho ativas. Foi a um desses conhecidos que telefonei agora há pouco, acordando-o — tem certa idade e já estava na cama. Não vou identificá-lo, claro, porque temos sempre de preservar as fontes. Para não deixar o cabra sem nome, digamos que se chama “Pedro Limpinho”.
Como foi a festa de lançamento? Pedro Limpinho – Foi ontem, pelo horário, acho que você está meio atrasado… Ah, me desculpe, mas o jornalismo não tem hora. Pedro Limpinho – Muito bem, pergunte logo o que quer saber e fale baixo porque minha esposa está dormindo e está no viva-voz. Bem, primeiro quero saber o que o senhor achou das cores. Pedro Limpinho – Vai dar para enxergar bem à noite, para mim será ótimo, já que a vista está cansada. Quem arranjou esses patrocinadores? Pedro Limpinho – Meus netos. Eles jogam videogame e gastam tudo que dou pra eles apostando em jogos de futebol. Ontem mesmo ganharam uma bolada num jogo aí do seu país. Em qual jogo? Pedro Limpinho – Não sei pronunciar os nomes dos times, mas foi num estádio chamado Rastaquera. Itaquera? Pedro Limpinho – Pode ser. Também não sei direito como chama. Bem, mas vamos falar do carro. A suspensão é bem diferente, não? Pedro Limpinho – Meu filho, suspensão diferente é de feixe de molas. O resto é tudo igual. Num ano dizemos que é push-rod. No outro, que é pull-rod. Ninguém sabe a diferença, mesmo. Num ano, dizemos que o carro é uma evolução, quando o anterior era bom. No outro, que é uma revolução, quando o anterior era ruim. Fazemos esse trocadilho há trinta anos. E os fluxos de ar? Pedro Limpinho – Não se preocupe, dormimos com a janela fechada, nem eu nem minha esposa podemos tomar friagem. Um ponto positivo é a manutenção dos pilotos, não? Três anos com a mesma dupla. Estabilidade é a chave para ter bons resultados? Pedro Limpinho – Se fosse, eu continuava com Wendlinger e Lehto. Aliás, seria ótimo, ganhariam bem menos, os resultados seriam os mesmos e eu não precisava ter comprado o calendário do rapaz que tira foto do bumbum. Como é mesmo o nome dele? Bottas. Pedro Limpinho – Esse. Parece ator pornô. Mas minha esposa adora ele. Diz que é muito simpático e que aquele bigode deve fazer cócegas. Deve ser brincadeira dela, claro… Pedro Limpinho – Não me incomoda. Temos um ditado aqui na Suíça que diz que é dos carecas que elas gostam mais.
FLAVIO GOMES é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. (O negócio de dizer que sou professor é só para conferir certa nobreza a este perfil. Fui professor por pouco tempo, numa pós-graduação na FAAP. Três ou quatro anos, se tanto. Mas não renovaram meu contrato porque um dia umas alunas me chamaram para banca de avaliação de seus trabalhos de conclusão e dei notas muito ruins a todas, porque os trabalhos eram realmente péssimos.) Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet (como se vê, texto antigo: jornais e revistas nem existem mais), se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo” (1986-1994), revistas “Placar” (1988), “Quatro Rodas Clássicos” (não lembro quando) e “Revista da ESPN” (2011 ou 2012, não sei direito), rádios Cultura (1984-1986), fazendo programa de ciência para a SBPC), USP (1986), Jovem Pan (1994-2001, quando a Pan era uma rádio, e não um depósito de fascistoides como hoje, que nem rádio é mais), Bandeirantes (2001-2005), Eldorado-ESPN e Estadão ESPN (2007-2013). Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020, quando a emissora foi vendida e fechada pela Disney. Nesse período, morou quase quatro anos no Rio, de 2017 até o final do contrato com a Fox. No fim de 2021 se mandou para a Bahia, abriu um restaurante que deu errado e voltou para São Paulo em fevereiro de 2022.
Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o “Grande Prêmio” passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o “Esporte de Primeira” na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Foi nesse ano, também, que repassou o “Grande Prêmio” a seus funcionários — como bom comunista, entregou os meios de produção aos que produzem.
Em 2005, publicou seu primeiro livro, “O Boto do Reno”, pela editora LetraDelta (o livro teve mais quatro reimpressões pela editora Adelante, a partir de 2021). No final do mesmo ano, precisamente em 5 de dezembro de 2005, colocou seu blog no ar. Ele ainda existe, como uma espécie de peça arqueológica digital. De 1992 a 2019, escreveu o anuário “AutoMotor Esporte”, editado por Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, “Dois cigarros”, pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas “Gerd, der Trabi” (Gulliver, 2019). Em 2021, lançou o best-seller “Ímola 1994” também pela Gulliver — que teve uma segunda edição, revista e ilustrada, publicada em 2024. Em 2022, pela Adelante, mais um livro: “Os anos Schumacher em 334 textos” — uma coletânea de colunas para jornais escritas desde 1995.
Também em 2022 passou a fazer parte do time de colunistas do UOL e da nova plataforma digital de “Placar”. A brincadeira no UOL durou apenas um ano. Na “Placar”, quase três — saiu em 23 de maio de 2025, data que só lembra porque é nome de avenida em São Paulo (a demissão se deu porque o chefe novo disse que o indigitado, eu, “não sabia falar com os jovens”). Ficou quase cinco meses coçando e no dia 13 de outubro estreou como apresentador da rádio TMC, ex-Transamérica. Saiu quatro dias depois porque alguém na empresa concluiu que seus “posicionamentos” eram “incompatíveis”, com o jornal que estava apresentando.
Gomes é torcedor da Portuguesa, frequenta o Canindé e já foi presidente da Leões da Fabulosa. Quando fala de carros, começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. Seu último carro 0 km foi comprado em 1997 e continua com ele. Mas o mais novo é um Twingo 1998. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020. Em 2025 foi aposentado de novo por quebra de motor, trocado por um Gol bolinha 1996 que voltou a usar o número #96 (isso não tem a menor importância para o público em geral, mas para mim, tem).
Na vida pessoal, é casado com uma cearense arretada chamada Laêne e tem dois filhos de seu primeiro casamento. Ambos torcem para a Lusa. “Meu maior legado”, diz.