A IMAGEM DA CORRIDA

Parada de Hamilton: foi necessária?

SÃO PAULO (pouca coisa…) – Foi duro encontrar “a” foto de Hungaroring. A corrida foi boa, as imagens de pódio são bonitas (mas o carro da McLaren em retratos, debaixo de sol, sempre parece desbotado), o troféu é belíssimo, poderíamos aqui apenas celebrar a vitória papaia, as grandes atuações de Lando Norris, Max Verstappen e Kimi Antonelli, mas vamos ficar com a Ferrari.

Esse pit stop aí tirou Lewis Hamilton do pódio, basicamente. Não que tenha sido uma ideia de jerico. Fazia até algum sentido, para se defender no final de quem eventualmente colocasse pneus macios. Vai saber… O problema foi o que resultou dessa parada. Primeiro, por questão de milímetros — ou de milésimos de segundo, se preferirem — Hamilton saiu dos boxes e passou Antonelli quando já tinha ultrapassado a linha que demarca o fim do pitlane. Portanto, estava na pista, já. Em leito carroçável, se é que me entendem. Se sai à frente de Kimi antes de o italiano chegar à mesma linha, não se configura uma ultrapassagem sob bandeira amarela. Ele simplesmente voltaria à pista na frente de quem estava atrás. Ponto. Mas quando cruzam aquela linha, ainda que por milímetros, estão em condição de corrida. Um azar danado. E Antonelli ainda percebeu, o desgraçado! Vai enxergar bem assim no inferno!

Hamilton, então, teve de entregar a terceira posição ao piloto da Mercedes. Poderia passá-lo de volta, com pneus macios? Sim. Era certeza? Não. Primeiro, Kimi é osso duro de roer. Segundo, a corrida foi na Hungria, não esqueçam. Lá já é difícil passar carro ruim. Carro bom, então…

E, para arrematar, foi nessa parada que Hamilton excedeu em 0,1 km/h o limite de velocidade nos boxes. A Ferrari não explicou direito o que aconteceu, mas aconteceu. E isso lhe deu mais 5s no lombo. Terminou em quinto, embora tenha recebido a quadriculada em quarto.

Oh, dia…

A FRASE DE BUDAPESTE

“Não deveria ter parado [no safety-car virtual]. Provavelmente perderia a posição para o Max, mas acho que se não parasse conseguiria um terceiro lugar.”Lewis Hamilton
Lewis volta para a garagem: muitas punições

O pênalti de 5s que tomou por ultrapassar em bandeira amarela foi a quinta punição que o piloto inglês recebeu nesta temporada. Quatro delas nos últimos três finais de semana de GP. Vejam a lista:

Norris: subindo no ranking de vitoriosos

Vamos falar do menino Landinho, agora. Ontem ele chegou a 12 vitórias na carreira, a primeira desde Interlagos no ano passado. Com isso, igualou alguns nomes importantes nas estatísticas. Está em 25º na lista de maiores vencedores da categoria, ao lado de Mario Andretti, Carlos Reutemann e Alan Jones. E deixou para trás, com 11, Felipe Massa, Rubens Barrichello e Jacques Villeneuve.

No sábado, fizera sua primeira pole carregando o número 1 no bico do carro. Ontem, venceu pela primeira vez como campeão vigente. Pelo que mostrou a McLaren no fim de semana, deve lutar por mais algumas vitórias nas 12 corridas que restam até o final da temporada — isso se tivermos mesmo mais 12.

Pilotos: Kimi 50 pontos à frente
Equipes: Alpine cai para 6ª posição

O resultado de Budapeste ampliou a liderança de Antonelli sobre o vice-líder Hamilton de 45 para 50 pontos. Sua posição ainda é muito confortável. Russell, que com o mesmo carro poderia ser uma ameaça, ficou mais para trás ainda. São 59 pontos de déficit. Ele já esteve 68 atrás, após Mônaco. Mas tinha reduzido para 25 depois do GP da Inglaterra. Despencou de novo. Não teve culpa, aparentemente, pela largada desastrosa na Hungria — a equipe assumiu a responsabilidade. Mas está derrotado.

No Mundial de Construtores, destaque para a O Pix É Nosso, que foi a 66 pontos e assumiu o quinto lugar, passando a Alpine. A dupla da filial da Red Bull, mais uma vez, conseguiu colocar seus dois pilotos entre os dez primeiros — Liam Lawson foi o oitavo e Arvid Lindblad, o décimo. Foi a quinta vez no ano. Nas últimas quatro etapas, marcou 22 pontos. O time francês fez quatro.

Lawson e Lindblad: ótimo campeonato da filial da Red Bull

O NÚMERO DA HUNGRIA

…GPs completou Lance Stroll na F-1. Estreou em 2017 aos 18 anos pela Williams. Tem três pódios e uma pole-position. Mas nunca venceu uma corrida, o que o coloca ao lado de outros dois pilotos que passaram da casa de duas centenas de provas disputadas sem vitórias. O recordista é Nico Hülkenberg, da Audi, com 260. O segundo colocado nesse indesejado ranking é Andrea de Cesaris, que morreu em 2014 aos 55 anos. Ele largou em 208 GPs.

Notícias em pílulas, agora:

Pavel, presidente da (vá lá) Chéquia: lambe-lambe de luxo

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… da Aston Martin, que começou o ano de forma deplorável, patética e pífia, e estreou um modelo praticamente novo na Hungria. Foram 16 atualizações, e a lista é a seguinte: 1) carro; de 2) a 16) botões no volante. É um carro de F-1, agora. Stroll chegou em 13º e Fernando Alonso, em 14º. O time já deixou para trás Cadillac, Haas, Williams e um Alpine. Estreia motor novo na Holanda. A Honda faz os primeiros ensaios amanhã mesmo na Hungria, aproveitando os testes de pneus da Pirelli e o direito que tem a 100 km de pista para filmagens — não usados ainda nesta temporada.

Stroll, 13º: Aston Martin agora tem um carro de F-1

NÃO GOSTAMOS… da Williams, que completou cinco corridas sem pontuar. Foram 11 pontos nas primeiras seis etapas do campeonato. O desempenho do time despencou. Não há desenvolvimento do carro. As perspectivas para o futuro são bem sombrias. Sainz já está procurando uma recolocação no mercado. Deveria ter aceitado a Audi. Errou feio.

Sainz em Budapeste: equipe está num beco sem saída