A classificação do GP da Hungria, realizada neste sábado (25), realmente cumpriu aquilo que prometeu: foi facilmente a mais acirrada da temporada 2026 da Fórmula 1 até aqui. Isso porque Ferrari, McLaren e Mercedes — apesar de estar com mais dificuldades — chegaram com chances reais de conquistar a pole-position, em um ano que parecia caminhar para um domínio absoluto das Flechas de Prata.
Lando Norris tirou um coelho da cartola e garantiu a posição de honra, com Charles Leclerc e Oscar Piastri começando logo atrás. A escuderia de Maranello ainda segue como favorita na briga pela vitória, mas a ausência de Lewis Hamilton na primeira fila devido à punição dificultou a vida dos italianos, que poderiam ter vantagem estratégica com os dois carros saindo na frente.
Mais atrás, Max Verstappen voltou a viver um drama com a Red Bull nesse relacionamento que já se tornou tóxico: quando as partes parecem estar de bem, a equipe sempre arruma alguma coisa para estragar o clima. Por fim, Andrea Kimi Antonelli e George Russell, que nunca se viram em uma situação tão complicada em um grid de largada em 2026.
Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista cinco pontos de sábado da Fórmula 1 na Hungria.
O campeão voltou!
Lando Norris finalmente foi recompensado pela ótima temporada em 2026. Se o atual campeão mundial ainda possui números discretos, a culpa está inteiramente nas mãos da McLaren, que sofreu bastante para entender o carro e também a unidade de potência. E por falar no motor Mercedes, a atualização introduzida pelos papaias no fim de semana do GP da Bélgica aparentemente surtiu o efeito esperado, uma vez que nenhum dos pilotos sofreu com questões de confiabilidade até aqui em Budapeste.
O próprio britânico admitiu surpresa com o resultado. Isso porque, apesar de estar se sentindo bem com o MCL40 desde os primeiro treinos livres, existia uma diferença enorme de ritmo em volta lançada principalmente em comparação com a Ferrari. Mas o #4 fez questão de dividir os méritos com a escuderia de Woking, que desembarcou na Hungria com melhorias importantes. No fim, a pista que recentemente tem jogado a favor do time, mais uma vez foi pintada de laranja neste sábado.
Ainda há trabalho a ser feito, é verdade — e dos mais difíceis. Embora Lewis Hamilton tenha despencado para o quinto lugar por causa da punição recebida, Charles Leclerc vai estar lado a lado com Norris quando as luzes se apagarem. A escuderia italiana teve performance mais promissora nas simulações de corrida, o que torna a largada no Hungaroring ainda mais importante. Se deixar o monegasco assumir a ponta logo na curva 1, a situação pode se complicar; caso contrário, em um circuito tão travado, tudo pode acontecer.
Com Oscar Piastri herdando o terceiro lugar, a McLaren também pode tirar proveito da estratégia na busca pela vitória, que seria a primeira da equipe em 2026. Bem, os papaias já alcançaram um feito enorme ao quebrar a hegemonia da Mercedes em classificação nesta temporada. Há espaço para mais.

O que houve com a favorita?
Será que a Ferrari mais uma vez só iludiu os torcedores? Bem, na primeira classificação da temporada em que a Mercedes assumiu o papel de azarão, a escuderia precisava ter tirado proveito da situação. Em uma pista totalmente favorável à SF-26, começar da primeira posição seria como praticamente colocar um pé e meio no degrau mais alto do pódio, independentemente se fosse com Charles Leclerc ou Lewis Hamilton, que apresentaram bons resultados nas simulações de corrida no TL2.
No fim, o heptacampeão é o que sai mais decepcionado. Depois de cometer uma série de erros ao longo da última tentativa de volta rápida, o heptacampeão viu Lando Norris ser 0s012 mais rápido já com o cronômetro zerado. E se o segundo lugar não era algo ruim, a punição por atrapalhar Oscar Piastri e a consequente queda para a quinta posição dificultaram bastante a vida do #44. Desta forma, o compatriota da McLaren não será mais o único obstáculo no caminho até a vitória.
Por outro lado, não dá para concordar com Leclerc quando ele disse que “maximizou o resultado” com a Ferrari na classificação. Mesmo que tenha dito que não estava se sentindo tão confortável no carro e tudo mais, a esquadra de Maranello era a favorita e ponto final. Enfim, o segundo lugar está longe de ser uma tragédia. Assim como foi apontado no tópico anterior, o monegasco terá a grande chance de atacar na curva 1 e, se conseguir, dificilmente será derrotado levando em conta só o ritmo puro dos carros.
Mas há uma incógnita interessante para amanhã: o calor. A equipe liderada por Frédéric Vasseur fez simulações de corrida com os compostos macios e até guardou alguns jogos a mais ao utilizar os médios no Q1. Porém, se as temperaturas realmente subirem neste domingo, o desgaste dos pneus faixa vermelha tende a ser maior, inviabilizando o uso. A estratégia, como sempre, terá papel importante na Hungria.

Mercedes virou Flechas de Lata?
Tudo bem, o trocadilho com o nome foi apenas uma brincadeira. É verdade que a Mercedes sempre soube que não teria vida fácil na luta contra as rivais na Hungria, mas sem dúvidas foi pega de surpresa com o tamanho da montanha para escalar. Desde os primeiros momentos, Andrea Kimi Antonelli e George Russell reclamaram bastante do desequilíbrio do W17 e principalmente da dificuldade em colocar os pneus na temperatura ideal, o que gerou falta de aderência.
“O problema não é o carro, são os pneus”, declarou o mais experiente da dupla após a classificação. O britânico, inclusive, voltou a sofrer com a confiabilidade: um vazamento de água. Sendo assim, terá de trocar a unidade de potência para a corrida deste domingo, a quarta e última da qual tem direito — e sem punição, uma vez que a medida foi necessária devido a uma quebra. De qualquer forma, voltou a ter um ritmo inferior ao do companheiro de equipe mesmo com mais tempo para se adaptar ao carro.
Antonelli, ausente no TL1 para abrir passagem para Frederik Vesti, viveu situação inusitada em 2026 ao não se sentir confortável a bordo do W17. Terminou no quarto lugar, que virou sétimo após ser punido por infração sob bandeira amarela na reta final do Q3. De qualquer forma, o próprio italiano confessou que não tinha a menor chance de desbancar o tempo de 1min17s207 de Lando Norris.
Com os dois muitos próximos no grid de largada, a esperança está mesmo no ótimo ritmo de corrida apresentado na sexta-feira. A disputa interna tem peso importante pensando no Mundial de Pilotos.

Um tipo de relacionamento tóxico
Se os demais pilotos estão de cabeça quente com o desgaste dos pneus na escaldante pista da Hungria, a preocupação de Max Verstappen é outra: “Sofremos com degradação do carro”. Sim, o tetracampeão saiu falando poucas e boas sobre o desempenho da Red Bull. É sempre interessanter notar como o casamento entre as partes varia entre o céu e o inferno a cada fim de semana. Se tudo parecia quase que maravilhoso após o pódio na Bélgica, o clima voltou a ficar tenso em Budapeste.
“Realmente não consigo entender o que está acontecendo. Está muito, muito difícil. O carros simplesmente começou a sair muito de traseira e, sinceramente, cada volta que fiz na classificação foi pior do que a anterior”, acrescentou o neerlandês. Que inacreditavelmente saiu no lucro deste sábado. Depois de rodar com o RB22 na curva 14 e ter de se contentar com o sexto lugar, saltou duas posições por causa das punições impostas a Lewis Hamilton e Andrea Kimi Antonelli.
Dá para aprontar alguma coisa saindo da segunda fila? Em ritmo puro, dificilmente. Se não ficarem para trás na largada, como acontece de vez em quando, os taurinos podem tirar proveito do travado circuito para se defender e até mesmo pensar em alguma estratégia diferente. Apesar do desempenho interessante de Verstappen nas simulações de corrida na sexta-feira, as rivais avançaram desde então, enquanto a Red Bull ficou estagnada, sem equilíbrio e sem esperança.

O professor e o aluno
Não dá para negar que Fernando Alonso foi um dos principais personagens da classificação em Budapeste. Com o AMR26 2.0 em mãos, o espanhol chegou ao Q2 e mostrou que a F1 só tem a perder com o fato de ele estar andando na parte de trás do pelotão. Mas se o talento do bicampeão mundial não é uma surpresa, o avanço da Aston Martin pode ter pegado algumas pessoas desprevenidas. Claro, isso não quer dizer que será assim em todas as pistas, pois o simples fato de o traçado não ter tantas retas já ajuda a mascarar as deficiências do motor Honda. Por outro lado, mostra que a parte aerodinâmica caminhou para o lado certo.
Se o professor teve um dia positivo — dentro das próprias limitações, claro —, o aluno Gabriel Bortoleto decepcionou com a Audi. Só uma rápida observação: para os que não se lembram, o asturiano é responsável por gerenciar a carreira do brasileiro desde 2022, por isso a relação aqui de mestre e aprendiz. Pois bem, seguindo de onde paramos, o paulista tinha condições de avançar um pouco mais com o R26, visto que Nico Hülkenberg avançou até o Q3 e agora pode finalmente pontuar em 2026.
Mas os favoritos mesmo para as duas vagas que normalmente restam no top-10 são Arvid Lindblad e Liam Lawson, que largam em nono e 11º, respectivamente. Mesmo em uma pista mais favorável ao carro da Audi, os taurinos de Faenza provaram de vez que são rápidos em qualquer lugar e, por isso, caminham para desempatar a disputa com a Alpine pela quinta colocação do Mundial de Construtores.

O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP da Hungria, 11ª etapa da temporada 2026, AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
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Horários no Brasil*
- Corrida: 10:00
Horários em Portugal e Angola
- Corrida: 14:00
Horários em Cabo Verde
- Corrida: 12:00
Horários em Moçambique
- Corrida: 15:00
*Horário de Brasília